quinta-feira, 16 de abril de 2009

Amargura



É com profunda tristeza que acabo de saber que Cioran, tal como Gunter Grass, também apoiou o nazismo e o fascismo. Deixou-se entusiasmar no Outono de 1933, quando estudava em Berlim, seguindo os cursos de Heidegger (que até Hannah Arendt conseguiu fascinar). Parece que na altura, Cioran chegou a apelar por escrito a «uma cruzada terrível e impetuosa contra a podridão humana», apoiando assim os famosos legionários fascistas romenos que se auto-intitulavam Guarda de Ferro. O ódio demonstrado contra os ciganos e os judeus terá durado até 1940. Evidentemente, o autor de «Silogismos da Amargura», passou o resto da sua vida a procurar esquecer esse tempo, e muitos dos seus aforismos deixam-no entender. A revelação foi feita agora, nos «Cahiers de l’Herne» cujo último número é-lhe dedicado. O projeto de lhe dedicar um número dos «Cahiers» vem do tempo em que ele era vivo, mas o autor romeno sempre se opôs, considerando que esses volumes são como mausoléus onde uma pessoa pode ser enterrada viva. «Ainda é pior do que um Nobel», terá dito na altura. O volume agora editado em França inclui inéditos e textos há muito impossíveis de encontrar, mas não mexerei um dedo para arranjar um. Quase fico contente por saber que Cioran morreu (em 1995) com alzheimer.

1 comentário:

Odracir disse...

Compreendo a tua tristeza. Sei quanto o apreciaste. Um abraço

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