sexta-feira, 24 de abril de 2009

Escritos com sangue

No princípio do mês, publiquei neste blogue uns textos a que dei o título genérico de «Escritos com sangue». Tratava-se de um conjunto de transcrições de papeis (cadernos e folhas soltas) encontrados no lixo, à porta de um hospital psiquiátrico. Como na altura expliquei, a caligrafia de algumas dessas páginas era quase ilegível, mas tenho vindo, pouco a pouco, a conseguir decifrar mais alguns desses gatafunhos. O conjunto de frases que se seguem foram escritas, na maior parte dos casos, em pedaços de papel com a mais diversificada proveniência. Dois exemplos: uma das sentenças estava apontada num bilhete de autocarro, outra no fragmento rasgado do que parece ter sido uma toalha de mesa.

Vivo no último andar de um subterrâneo. Tudo o que me encanta é perecível; tudo o que temo, eterno.

A angústia é feminina, o medo masculino. E eu, perdido nesse labirinto.

Da melancolia como um perfume, da tristeza como um rio. Chamam-lhe inquietação; eu chamo-lhe ruína.

A águia que o céu ama, a terra reclama.

Já alguma vez ouviram um silêncio incurável?

Mãos à obra: na vida, a única coisa que muda é a paisagem.

Muda, a paisagem fala.

Mede a tua tristeza pelas estrelas. Não faças a coisa por menos.

Tudo é uma palavra fictícia.

1 comentário:

Odracir disse...

foram escritos com sangue mas a voz do sangue está para além das palavras. abraço

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