quarta-feira, 13 de maio de 2009

A decadência da França

O Parlamento francês adoptou ontem a Lei Hadopi, que prevê sancionar os descarregamentos ilegais de ficheiros (principalmente de música e filmes) com um corte do acesso à Internet em caso de reincidência, estando os consumidores obrigados a pagar o serviço na mesma.
É uma lei estúpida e perigosa que, a meu ver, não trará benefícios aos criadores, bem pelo contrário, mas que nos ameaça a todos de censura. A partir de hoje, a Internet já não é na Europa um espaço de liberdade, como já não o era nos países totalitários como a China ou os Emiratos Árabes Unidos.
Espantosamente, o nosso Ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro, opôs-se em Bruxelas à penalização dos downloads ilegais sem decisão judicial, distanciando-se da lei aprovada pelo parlamento francês, dizendo: «Parece-me que é um projecto muito adaptado, se calhar, às circunstâncias e às condições político-jurídicas e ao passado francês. Nós somos um país que tem uma história e um regime de estado de direito específicos. Vivemos 48 anos sob ditadura e portanto não compreendemos facilmente soluções que tenham uma leitura censória».
Desde há muito tempo que não me apetecia aplaudir um político português: o senhor Pinto Ribeiro subiu muitos pontos na minha consideração.
A lei Hadopi revela o pânico de alguns senhores perante a velocidade a que o mundo está a mudar. Tratar os internautas como criminosos é não entender o futuro, nem a criatividade que a Internet gerou no mundo.
A França, outrora país da liberdade e da criatividade, está a perder o pé em todos os domínios. A sua cultura já não irradia, mirra a olhos vistos. Leis destas são autênticos tiros no pé. É uma lei de velhos contra os novos. De gente estéril e decadente. É preciso dizê-lo.

Felizmente, os internautas já preparam a «resistência». Quem souber ler em francês e quer saber como, leia aqui

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