quinta-feira, 7 de maio de 2009

Linha de água

Ontem, na minha esplanada favorita, escrevi um conjunto de poemas. Cerca de trinta poemetos, para ser mais exacto. Aqui deixo alguns, caso isso interesse a alguém:

Arde algures um fogo invisível.
Uma flecha prepara-se para me atingir.
É meio-dia e no céu
um castelo de nuvens desfaz-se.
Tudo o que vejo, sonho.
Ou é exactamente o contrário?

***

Na claridade do lago,
a pirueta de um pato,
de súbito, cura-me
da minha melancolia.

***

Para escrever mergulho
na maior das escuridões;
Se o amor não me iluminasse
perder-me-ia sem solução.

***

Anjos minúsculos brincam nas árvores.
O céu é um quadro por acabar.

***

No meio das árvores,
o meu olhar salta.
Anda de ramo em ramo
uma ideia que não consigo fixar.

***

Rodeado dos ruídos da cidade,
só ouço sapos. Só vejo aves.
As pessoas fazem parte do cenário,
como as árvores e as casas ao longe.
Só tenho olhos e ouvidos
para o que me vai na alma.

***

Serão as aves felizes?
E as rãs?
Saberão elas que vivem numa prisão?
Que o mundo está condenado?
Perceberão elas que tenho o coração danificado?

***

Um só sonho: morrer no céu.

***

Quando surge um cão
as aves desaparecem.
Mas o lago pertence-lhes
e logo regressam.

O que queres salvar
não te pertence.
Tudo o que possuis
te mata.

***

Nas águas do amor
só se afogam os videntes.

***

O segredo de um momento
perde-se para sempre.
Constantemente.

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