segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Os limites do controlo



Sou há muito fã de Jim Jarmusch. Adorei «Coffee & Cigarettes» e «Broken Flowers», por exemplo. Contudo, outros filmes não me convenceram totalmente, como «Uma Noite na Terra» (para apenas citar um).
De todos os filmes que vi dele, o que menos gostei é «Os Limites do Controlo» que, segundo um crítico do «Público», «convoca rituais de filme negro e ideais de samurai para descrever a missão de um assassino contratado».
Inteiramente filmado em Espanha, o filme pretende ser uma espécie de «fábula» filosófica, centrada no tema da consciência. «O que é que faz com que um indivíduo seja um indivíduo? Que tenha a sua consciência e não uma consciência ditada por outros? Que siga o seu caminho em vez de ir atrás do rebanho?», pergunta o cineasta.
O impávido fora-da-lei, interpretado por Isaach De Bankolé (na foto), é visivelmente inspirado pelas personagens principais de «Dead Man» e «Ghost Dog». Anda sempre impecavelmente vestido, com um fato que não despe nem para dormir, e bebe sempre duas bicas de cada vez, enquanto espera por umas caixinhas de fósforos que trazem dentro as instruções para a sua própxima missão.
Depois de o (e nos) passear por várias localidads em Espanha, Jim Jarmusch envia o seu herói aos confins da sua imaginação, com a missão de matar, com uma corda de guitarra, um poderoso capitalista que aqui encarna «uma representação dos poderes convencionais de todo o tipo, político, económico, cultural».
Trata-se de uma metáfora, portanto. Ou como afirma Jarmusch, de «uma metáfora de uma tomada de consciência e de uma afirmação da consciência contra todas as imagens e ideias que são impostas de fora».
Infelizmente, o breve discurso de Bill Murray (o assassinado) é, como quase todos os diálogos do filme, um repositório de frases feitas que já ouvimos antes em filmes de série B.
Bem filmado, com cenários imaginativos e personagens engraçadas (para dizer o mínimo), incarnadas por actores que é sempre bom rever (Tilda Swinton, John Hurt ou Gael Garcia Bernal), «Os Limites do Controlo» até podia ser um filme divertido, se não se levasse tão a sério e não fosse tão pretensioso.
O problema, parece-me, está no argumento, composto por ideias soltas e imagens avulso, habitadas por caricaturas sem verdadeira espessura dramática, que debitam banalidades supostamente filosóficas, destinadas a desvanecer-se no ar como bolas de sabão, mal saímos da sala de cinema para a rua.

1 comentário:

Anónimo disse...

olá jorge. um pequeno reparo - um erro muito comum: é "jarmusch" que se escreve o nome do realizador.
abraços
pedro

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