segunda-feira, 4 de junho de 2012

Das exposições

Visitei ontem a exposição Entre/Between de Antoni Muntadas (Barcelona, 1942) que está no Centro de Arte Moderna da Gulbenkian e não gostei. Depois li as críticas que sairam sobre ela e perguntei a mim mesmo: «Será que os críticos de artes plásticas vêem melhor do que os outras pessoas?». A resposta era óbvia: «Claro que não». Não é preciso ser crítico de arte, com toda a erudição que isso implica, ou devia implicar, para apreciar uma obra de arte. Na minha opinião, nem sequer é preciso «ver» o que o artista quis dizer, visto que o mais importante é, sempre, o que a sua obra nos diz, já que ela só nos pode dizer o que, no fundo, já somos. Por isso, aos meus ohos, tudo tem sempre um lado interessante e o mais importante é ser sensível. Perante certas obras de arte, como as de Muntadas, não é tanto eu não gostar do que vi (até gostei de algumas ideias, como a que está na fotografia, por exemplo), mas sim não ter gostado do que senti perante elas. Dito isto, perante obras que considero redundantes, falhadas, superficiais ou mesmo inúteis, posso sentir uma pulsão regeneradora. Ou seja, posso sentir crescer em mim uma ideia nova, ou uma velha ideia reformulada. É a razão pela qual gosto de ir a exposições: seja ela boa ou má, é raro não sair de alguma maneira «transformado».

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