sexta-feira, 17 de julho de 2009
quinta-feira, 16 de julho de 2009
Pobre Portugal
Segundo uma notícia de hoje do «Correio da Manhã», são 1,8 milhões os portugueses (18 por cento da população) que vivem com um rendimento mensal inferior a 406 euros, ou seja, que estão à beira da pobreza, de acordo com os dados provisórios do Inquérito às Condições de Vida e Rendimento de 2007 ontem divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística.
Os mais afectados são os idosos e as crianças, sendo que entre a população com mais de 65 anos, a taxa de pobreza atinge os 22 por cento.
terça-feira, 16 de junho de 2009
Da política
Um amigo enviou-me este forward:
ANTES DA POSSE
O nosso partido cumpre o que promete..
Só os tolos podem crer que
não lutaremos contra a corrupção..
Porque, se há algo certo para nós, é que
a honestidade e a transparência são fundamentais.
para alcançar os nossos ideais
Mostraremos que é uma grande estupidez crer que
as máfias continuarão no governo, como sempre.
Asseguramos sem dúvida que
a justiça social será o alvo da nossa acção.
Apesar disso, há idiotas que imaginam que
se possa governar com as manchas da velha política.
Quando assumirmos o poder, faremos tudo para que
se termine com os marajás e as negociatas.
Não permitiremos de nenhum modo que
as crianças e os velhos morram de fome.
Cumpriremos os nossos propósitos mesmo que
os recursos económicos do país se esgotem.
Exerceremos o poder até que
Compreendam que
Somos a nova política.
DEPOIS DA POSSE
Basta ler o mesmo texto acima, DE BAIXO PARA CIMA
ANTES DA POSSE
O nosso partido cumpre o que promete..
Só os tolos podem crer que
não lutaremos contra a corrupção..
Porque, se há algo certo para nós, é que
a honestidade e a transparência são fundamentais.
para alcançar os nossos ideais
Mostraremos que é uma grande estupidez crer que
as máfias continuarão no governo, como sempre.
Asseguramos sem dúvida que
a justiça social será o alvo da nossa acção.
Apesar disso, há idiotas que imaginam que
se possa governar com as manchas da velha política.
Quando assumirmos o poder, faremos tudo para que
se termine com os marajás e as negociatas.
Não permitiremos de nenhum modo que
as crianças e os velhos morram de fome.
Cumpriremos os nossos propósitos mesmo que
os recursos económicos do país se esgotem.
Exerceremos o poder até que
Compreendam que
Somos a nova política.
DEPOIS DA POSSE
Basta ler o mesmo texto acima, DE BAIXO PARA CIMA
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Da política
Recessão
As palavras que procuro, não encontro, e as que encontro, desiludem-me. Não passo de um sonhador que todos os dias se esconde de quem não o quer ver. Guerreiro vencido, na prisão de uma liberdade sem limites - que no entanto esta cidade não concede a ninguém - sou um artesão das palavras mais banais, perdido nas margens da memória. Digo-o sem mágoa, quase com orgulho: sou uma sombra do que fui e um eco do que serei. Sou uma estátua errante. E mortal. Contemplem a minha nudez: a minha armadura é feita de ossos, sangue e ocasiões perdidas.
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Poema
Marianne, a anti-vedeta

Numa entrevista à Inrockuptibles, confrontada com o facto de ser um ícone pop, Marianne Faithfull afirma: «Je pense que c’est un peu ridicule de croire en sa propre légende. Je préfère ne pas m’étendre là-dessus en général, même si je sais que ça existe. Madonna croit dans sa propre légende, par exemple. Cela ne me correspond pas. Elle en fait trop. Elle doit penser qu’elle vaut mieux que tout le monde, qu’elle incarne une sorte d’être sacré. Certaines grandes stars se laissent emporter par la religion : « Vous êtes l’élu, vous avez été choisi pour faire ce travail ». Quelle horreur ! Je préfère rester à ma place.»
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Madonna,
Marianne Faithfull
o deus da máquina
odeusdamaquina disse (e eu repito, com a devida vénia): «... é difícil encontrarmos na nossa sociedade civil alguma vontade de criar. No entanto, acredito que alguma coisa possa mudar, com algumas franjas mais novas e alternativas que vão aparecendo. Pelo menos, em algumas áreas, como a música, têm aparecido alguns projectos interessantes, com poucos meios. Falo de uma editora, a Flor Caveira. A descobrir. Não conheço ninguém, pelo que não estou a fazer publicidade. Apenas tenho lido algumas coisas. Mas termos um Movimento "Facas em Sangue" (por exemplo, contra as touradas), ou "Bola de Naftalina ao Poder" (contra as traças que roem a política nacional), "Movimento Sou-Du-Ku" (a favor de todas as escolhas sexuais); "Brigada Victor do Jarro" (Contra a ASAE e a favor dos tascos, tabernas e todas as formas ancestrais de restauração e Comércio tradicionais");"Movimento Azul e Branco" (a favor do Sabão ancentral, produzido pela ex-CUF, para lavar de alto a baixo todos aqueles Infantes com Sangue dito Monárquico); "Movimento Bolas de Sabão" (a favor das brincadeiras ao ar livre, sejam elas de cariz sexual ou não).Enfim, podemos estimular vários movimentos. A ver se a Sociedade Civil nos escuta e toma estes exemplos como seus! Eu cedo os direitos de autor à vontade. Só Têm é de pagar-me um copo na Tasca (como fazia o saudoso Luíz Pacheco).»
Inútil acrescentar que faço minhas as suas palavras!
Inútil acrescentar que faço minhas as suas palavras!
Os piratas unidos jamais...
O recente sucesso do Partido Pirata sueco, que conseguiu eleger uma eurodeputada (a mais jovem que estará em Bruxelas), está a levar à criação de movimentos semelhantes em mais de 20 países.
Recorde-se que em apenas três anos, o Partido Pirata sueco tornou-se na terceira força política mais votada nas recentes eleições europeias e já tem mais de 50 mil militantes, segundo o jornal «Público».
Em Portugal parece haver já um espaço anónimo que se intitula Partido Pirata Português, mas não acredito que ganhe alguma expressão num país tão alienado e manso como o nosso. De resto, na minha opinião, os objectivos políticos de um tal partido deviam ir muito para além da reivindicação de maior liberdade e privacidade para os cidadãos e de uma nova legislação sobre os direitos de autor na Internet.
Recorde-se que em apenas três anos, o Partido Pirata sueco tornou-se na terceira força política mais votada nas recentes eleições europeias e já tem mais de 50 mil militantes, segundo o jornal «Público».
Em Portugal parece haver já um espaço anónimo que se intitula Partido Pirata Português, mas não acredito que ganhe alguma expressão num país tão alienado e manso como o nosso. De resto, na minha opinião, os objectivos políticos de um tal partido deviam ir muito para além da reivindicação de maior liberdade e privacidade para os cidadãos e de uma nova legislação sobre os direitos de autor na Internet.
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Piratas
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Arriscar o real
«Arriscar o real» é mais uma exposição a partir das obras da Colecção Berardo, no CCB. O catálogo fala de «imitação da realidade – contra ela própria, através de operações de afastamento, literalidade e diferenciação». Por mim, neste tipo de exposições, gosto de deambular de sala em sala, sem rumo definido, nem preconceitos, indiferente ao que acha o senhor curador ou os críticos encartados. Vejo o que vejo, sinto o que sinto, arrisco ter as minhas próprias interpretações.
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CCB,
Museu Berardo
Em nome da liberdade
Em nome da liberdade é proibido fotografar dentro do Mude - Museu do Design e da Moda (Colecção Francisco Capelo) que está na baixa de Lisboa, na antiga sede do Banco Nacional Ultramarino, na Rua Augusta. Mesmo assim, aqui fica uma fotografia do interior (só para chatear).
Outro museu onde é proibido tirar fotografias (em Portugal, onde Maio de 68 nunca chegou, adora-se proibir) é o Museu do Fado. Os mais observadores reperarão no segurança, no primeiro piso, a gritar comigo, porque cometi o crime de tirar uma foto no hall de entrada.
Os atrasados mentais que estão à frente destes museus (e da Cinemateca, onde nem cá fora se podem tirar fotografias, pasme-se!) não percebem que se deixassem estes seguranças à solta no mundo, nem sequer tinham matéria para encher os museus.
Felizmente, ainda não há seguranças a guardar as montras das lojas chinesas, pelo que ainda é permitido fotografá-las. Aqui fica uma, para recordação.
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Museu do fado
sábado, 13 de junho de 2009
sexta-feira, 12 de junho de 2009
Da fotografia

Dos fotógrafos representados na extensão lisboeta da PhotoEspaña (Museu Berardo), só um reteve verdadeiramente a minha atenção: Cristóbal Hara. A outra, Mabel Palacín pareceu-me demasiado cerebral (para não dizer pretenciosa). De resto, o mais interessante do seu trabalho remete para o vídeo e não para a imagem parada. Hara, pelo contrário: é unicamente pela fotografia que se exprime e o que quer dizer está, por assim dizer, à flor da imagem (como se pode ver na foto que escolhi para ilustrar este post).
No CCB, as suas fotografias estão expostas por séries. Cada sala está dedicada a um tema. Há o tema das ruas desertas, da festa popular, dos cavalos, da religião e por aí adiante.
Em quase todas as salas, encontrei fotos que me inspiraram. Mas se algumas séries são magníficas, outras nem tanto. Impossível gostar de tudo (mesmo Cartier Bresson tirou fotos inúteis).
O que me leva a dizer: na fotografia procuro respostas, para perguntas que ainda não formulei.
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PHotoEspaña
Da insónia
De vez em quando, a Insónia vem visitar-me. Sabe que não é desejada, mas instala-se na minha cama, dentro de mim, com a desfaçatez de uma puta fina.
Como aprendi à minha custa, não serve para nada procurar ignorá-la. Procurar fazê-lo, só agrava a situação.
Por isso, agora, procuro dar uso às minhas insónias. Ponho-as a render, deixo que tudo o que me vem à cabeça se desenvolva, seguindo os meus devaneios como um cachorrinho à espera de uma qualquer recompensa. E, por vezes, acontece: tenho direito a um doce, vem-me à cabeça uma ideia com pernas para andar.
A insónia desta noite, por exemplo, não sei se foi ela que me deu a volta ou eu a ela. Uma coisa é certa: nem todas as insónias te querem mal. Se não fossem certas insónias, há ideias que nunca teria tido, histórias que não teria escrito.
Como aprendi à minha custa, não serve para nada procurar ignorá-la. Procurar fazê-lo, só agrava a situação.
Por isso, agora, procuro dar uso às minhas insónias. Ponho-as a render, deixo que tudo o que me vem à cabeça se desenvolva, seguindo os meus devaneios como um cachorrinho à espera de uma qualquer recompensa. E, por vezes, acontece: tenho direito a um doce, vem-me à cabeça uma ideia com pernas para andar.
A insónia desta noite, por exemplo, não sei se foi ela que me deu a volta ou eu a ela. Uma coisa é certa: nem todas as insónias te querem mal. Se não fossem certas insónias, há ideias que nunca teria tido, histórias que não teria escrito.
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Da insónia
Das histórias
É fascinante como as histórias crescem dentro de nós. Por vezes ao longo de anos.
Tens uma ideia e, um belo dia, essa ideia leva a outra que não tem forçosamente que ver com a primeira.
É uma evidência: a história transforma-se sem fim e mesmo quando julgas que está concluída uma nova ideia pode vir pô-la em causa.
Não há regras: algumas histórias nunca se concluirão e outras que julgavas terem chegado a um beco sem saída, de repente ganham outra dimensão.
Falo por experiência própria: algumas histórias levam anos a amadurecer.
Provavelmente, as melhores de todas irão comigo para a cova.
***
Uma história não tem que ser verosímil. Tem que ser esclarecedora. Sobretudo para quem a escreve.
Muitas vezes, a história que acabo por escrever não é a que queria, mas a que me cria.
Repito: a história que me queria, cria-me.
Tens uma ideia e, um belo dia, essa ideia leva a outra que não tem forçosamente que ver com a primeira.
É uma evidência: a história transforma-se sem fim e mesmo quando julgas que está concluída uma nova ideia pode vir pô-la em causa.
Não há regras: algumas histórias nunca se concluirão e outras que julgavas terem chegado a um beco sem saída, de repente ganham outra dimensão.
Falo por experiência própria: algumas histórias levam anos a amadurecer.
Provavelmente, as melhores de todas irão comigo para a cova.
***
Uma história não tem que ser verosímil. Tem que ser esclarecedora. Sobretudo para quem a escreve.
Muitas vezes, a história que acabo por escrever não é a que queria, mas a que me cria.
Repito: a história que me queria, cria-me.
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Das histórias
quinta-feira, 11 de junho de 2009
Exército de terracota

Estive lá e nunca o esquecerei. Entra-se naqueles pavilhões e é como se mergulhássemos noutra dimensão. A nossos pés, muitas centenas de guerreiros aguardam não se sabe bem o quê? O momento de voltar à vida? A nossa chegada? Que o seu imperador ressuscite?
Há, pelo menos, um filme, que eu não vi, onde eles voltam a viver e a lutar. Quando os vemos, ali, nas suas covas, imponentes e plácidos, chegamos a desejar que isso aconteça.
Por todo o lado há cartazes a dizer que não se podem tirar fotografias, mas ninguém consegue resistir: os flashes disparam a toda a hora e os guardas vivos que por ali andam não têm coragem de impedir os turistas de o fazer. De resto, os chineses são ainda mais obcecados pela fotografia do que os japoneses.
Leio agora que o governo de Pequim tenciona desenterrar um novo conjunto de guerreiros, para juntar às mais de mil estátuas que já se podem ver em Xian. Ninguém sabe ao certo, mas calcula-se que ainda estejam enterrados perto de sete mil soldados no túmulo do imperador Qin (que faleceu em 210 A.C., aos 50 anos, depois de ter unificado a China).
Os guerreiros têm quase dois metros de altura e pesam cerca de 180 quilos cada um. Não há dois iguais e pensa-se que representam fielmente os guardas do imperador, assim como os seus 700 cavalos.
O principal problema para os arqueólogos chineses não é desenterrá-los, mas sim reconstituir os que estão partidos e impedir que a pintura se perca ao contacto com o ar, pois as estátuas são coloridas.
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Hadopi contestada
Depois da «vitória» do Partido Pirata na Suécia, outra boa notícia para os partidários da liberdade na Web: em França, no passado dia 10, um conselho de sábios reconheceu a Internet como uma liberdade fundamental e decidiu que a Lei Hadopi (Criação e Internet) não é constitucional, considerando que um cidadão não pode ser privado da sua conexão, sem decisão judicial. Para que o fornecimento seja cortado, tem que ser o artista que se julga prejudicado, ou um seu representante, a provar isso mesmo em tribunal.
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Hadopi
terça-feira, 9 de junho de 2009
Da ficção
Platão não via com bons olhos a ficção, pois aos seus olhos o escritor corria o perigo de se encantar pelos caminhos do mundo, afastando-se assim do mundo das ideias. Se bem entendi, para Platão, a ficção (tal como a poesia) não passava da cópia de uma cópia. Mas se a própria vida é uma imitação, o valor da ficção é precisamente não ter preço. Escrever é tão inútil como viver e a vida... terá o destino dos meus escritos.
Platão e a Internet
Platão não gostava da escrita. O filósofo temia que as pessoas a vissem como um substituto do conhecimento. Para ele, com a multiplicação dos escritos, as pessoas tornar-se-iam preguiçosas pois deixariam de procurar o que estava acessível com facilidade. Para além disso, visto que poderiam obter informações e conhecimentos que não estavam verdadeiramente preparados para compreender, isso dar-lhes-ia uma ilusão de conhecimento que só os tornaria ainda mais ignorantes.
Se já pensava assim dos escritos (muito antes de Gutemberg) que diria Platão da Internet?
Na verdade, como já alguém disse, deixámos de «mergulhar no mar do conhecimento, para deslizarmos sobre ele como surfistas».
Se já pensava assim dos escritos (muito antes de Gutemberg) que diria Platão da Internet?
Na verdade, como já alguém disse, deixámos de «mergulhar no mar do conhecimento, para deslizarmos sobre ele como surfistas».
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Das europeias
Tal como se esperava, a maioria dos europeus esteve-se nas tintas para as eleições e os partidos socialistas no poder (Grã-Bretanha, Espanha e Portugal) levaram porrada.
Olha a admiração! Que sentido faz votar em partidos socialistas que governam mais à direita do que a própria direita?
Em contrapartida, os partidos de direita no poder (França, Alemanha, Polónia, etc.) venceram, apesar da crise e da corrupção.
Porquê? Porque está tudo borrado de medo e há cada vez mais nostálgicos da autoridade.
As boas surpresas (não foram muitas) vieram dos partidos mais alternativos, como os ecologistas de Cohn-Bendit em França e o Partido Pirata na Suécia que obteve 7% dos votos. O Partido Pirata defende a abolição dos direitos de autor e a liberdade na Internet e será então representado por Christian Engstrom no Parlamento Europeu.
Não há, contudo, motivos para festejar o que quer que seja: a direita conservadora é a grande vencedora destas eleições, um pouco por todo o lado e o futuro não se adivinha brilhante. A não ser para alguns, cada vez menos, mas cada vez mais ricos, mais poderosos e triunfantes!
Olha a admiração! Que sentido faz votar em partidos socialistas que governam mais à direita do que a própria direita?
Em contrapartida, os partidos de direita no poder (França, Alemanha, Polónia, etc.) venceram, apesar da crise e da corrupção.
Porquê? Porque está tudo borrado de medo e há cada vez mais nostálgicos da autoridade.
As boas surpresas (não foram muitas) vieram dos partidos mais alternativos, como os ecologistas de Cohn-Bendit em França e o Partido Pirata na Suécia que obteve 7% dos votos. O Partido Pirata defende a abolição dos direitos de autor e a liberdade na Internet e será então representado por Christian Engstrom no Parlamento Europeu.
Não há, contudo, motivos para festejar o que quer que seja: a direita conservadora é a grande vencedora destas eleições, um pouco por todo o lado e o futuro não se adivinha brilhante. A não ser para alguns, cada vez menos, mas cada vez mais ricos, mais poderosos e triunfantes!
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Das europeias
Pedro Costa e o país
Num artigo publicado hoje pelo jornal «Público», Pedro Costa lamenta a situação actual do país. «Não estamos numa sociedade que tenda para a decência ou para a honestidade. Basta ler os jornais», afirma. O realizador considera que se está a tornar «muito difícil» viver aqui e acrescenta: «A pouco e pouco está a tornar-se muito desagradável viver em Portugal perante o espectáculo ultra-degradante nos media, nas televisões, na rua. Entre uma classe burguesa totalmente inculta e obscena na sua ostentação, no seu disparate».
Subscrevo inteiramente todas estas observações, que só pecam por ser ainda demasiado brandas.
Subscrevo inteiramente todas estas observações, que só pecam por ser ainda demasiado brandas.
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Pedro Costa,
Portugal
quinta-feira, 4 de junho de 2009
PHotoEspaña 2009

Arrancou ontem em Madrid a edição 2009 da PHotoEspaña, que este ano decorre sob o signo do «quotidiano». Até ao próximo dia 26 de Julho, 72 salas reúnem 248 autores de 40 países. Entre eles estão nomes consagrados como Dorothea Lange ou Annie Leibovitz, por exemplo, mas também Gerhard Richter, Zhao Liang, Ugo Mulas e Pedro Costa.
Em Lisboa, o Museu Colecção Berardo acolhe a PHE09 com duas exposições. Uma de Cristóbal Hara (ver foto), outra de Mabel Palacín.
Para saber mais sobre o PHotoEspaña clique aqui
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PHotoEspaña
Licença para gelar

O gelado na foto é suposto representar o James Bond. Ou seja, o actor Daniel Graig. Será que a Olá vai seguir a tendência e lançar Angelinas Jolies ou Georges Clooneys para nos refrescar?
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Gelado,
James Bond
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Aletria

Quem me conhece sabe que a aletria é uma das minhas sobremesas preferidas. Naturalmente, ninguém a faz melhor do que a minha mãe. Para que não se perca a receita, aqui fica, tal como ela me ditou: «Pouca água a ferver com casca de limão e uma pitada de sal. Quando a água ferver, põe a aletria. A água deve ficar rés-vés. Quando começar a querer secar, junta leite até meio do tacho e acrescenta açucar + um bocadinho de natas e 2 ovos inteiros batidos. Mexe tudo muito bem e deixa 5 minutos em lume brando. Depois, é só deixar arrefecer e pôr canela».
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Aletria
Dos leitores
«Para quem escrevo? Quem me lê?» Alguns escritores vivem angustiados com questões deste tipo. Eu não. Sei exactamente quem são os meus leitores. Só tenho meia-dúzia e estão perfeitamente identificados.
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Dos leitores
Off the record
A Flur lançou há pouco tempo um questionário que enviou a uma centena de pessoas ligadas, de algum modo, ao ramo da música. Eis as minhas respostas:

Um disco que tenha sido muito importante (e já não seja) + razão.
Quase todos os discos dos Beatles, mas também dos Rolling Stones, foram importantíssimos na adolescência, por razões óbvias. Mas a música evoluiu muito e eu com ela. Ouvi-os demasiado uns e outros, já raramente suporto ouvi-los. Dessa época (os famigerados anos 60), o único que continuo a ouvir com real prazer é Bob Dylan, mas não tudo. Jazz à parte, é claro, esse nunca cansa!
Um disco que seja muito importante agora + razão.
O disco mais importante do momento é sempre o que estou a ouvir repetidamente. Há três semanas era o disco da Alela Diane («To Be Still»), a semana passada o do Bonnie Prince Billy («Beware»), esta semana é o do Andrew Bird («Noble Beast»). Next week, quem sabe?
Um disco irresistível mas que o resto do mundo acha que é mau.
Os últimos discos da Françoise Hardy. «Tant de Belles Choses» (2006), por exemplo.
A capa de disco favorita.
São demasiadas, mas todas em edições vinil. Eis algumas: «Abbey Road» e «Revolver», dos Beatles, a famosa capa da banana dos Velvet Underground, «Horses» de Patti Smith e a generalidade das capas da Blue Note nos tempos áureos (anos 50 e 60).
Mais CD ou mais vinil? Porquê?
Mais vinil do que CD porque é mais simpático, mais bonito, mais fácil de arrumar, etc. Infelizmente chegam a Lisboa poucos bons discos em vinil, pelo menos para o meu gosto.

Qual o primeiro disco que se lembra de comprar e onde foi?
«Black Magic Woman» do Santana numa loja em Amesterdão, em 1971, quando estava sob o efeito de LSD. Estava a tocar quando entrei na loja de discos e o L.P. custou-me quase todo o dinheiro que tinha no bolso (na verdade, tive que pedir alguns trocos aos amigos).
Qual o último disco que comprou?
«Noble Beast», de Andrew Bird.
Qual o disco que irá comprar de certeza, em 2009?
Toumani Diabaté, se publicar algum disco este ano.
Qual é o artista mais representado na colecção?
Miles Davis, talvez, mas também Duke Elligton e Françoise Hardy (ver próxima resposta).

De que artista tenta comprar todos os discos, bons e maus?
Françoise Hardy, um fétiche que me acompanha desde a adolescência, quando estive perdidamente apaixonado por ela.
Que projectos tem em mãos actualmente?
Uma colectânea de contos («O Vestido de Judas e outras histórias») e um guião para cinema, ainda sem título definitivo

Um disco que tenha sido muito importante (e já não seja) + razão.
Quase todos os discos dos Beatles, mas também dos Rolling Stones, foram importantíssimos na adolescência, por razões óbvias. Mas a música evoluiu muito e eu com ela. Ouvi-os demasiado uns e outros, já raramente suporto ouvi-los. Dessa época (os famigerados anos 60), o único que continuo a ouvir com real prazer é Bob Dylan, mas não tudo. Jazz à parte, é claro, esse nunca cansa!
Um disco que seja muito importante agora + razão.
O disco mais importante do momento é sempre o que estou a ouvir repetidamente. Há três semanas era o disco da Alela Diane («To Be Still»), a semana passada o do Bonnie Prince Billy («Beware»), esta semana é o do Andrew Bird («Noble Beast»). Next week, quem sabe?
Um disco irresistível mas que o resto do mundo acha que é mau.
Os últimos discos da Françoise Hardy. «Tant de Belles Choses» (2006), por exemplo.
A capa de disco favorita.
São demasiadas, mas todas em edições vinil. Eis algumas: «Abbey Road» e «Revolver», dos Beatles, a famosa capa da banana dos Velvet Underground, «Horses» de Patti Smith e a generalidade das capas da Blue Note nos tempos áureos (anos 50 e 60).
Mais CD ou mais vinil? Porquê?
Mais vinil do que CD porque é mais simpático, mais bonito, mais fácil de arrumar, etc. Infelizmente chegam a Lisboa poucos bons discos em vinil, pelo menos para o meu gosto.

Qual o primeiro disco que se lembra de comprar e onde foi?
«Black Magic Woman» do Santana numa loja em Amesterdão, em 1971, quando estava sob o efeito de LSD. Estava a tocar quando entrei na loja de discos e o L.P. custou-me quase todo o dinheiro que tinha no bolso (na verdade, tive que pedir alguns trocos aos amigos).
Qual o último disco que comprou?
«Noble Beast», de Andrew Bird.
Qual o disco que irá comprar de certeza, em 2009?
Toumani Diabaté, se publicar algum disco este ano.
Qual é o artista mais representado na colecção?
Miles Davis, talvez, mas também Duke Elligton e Françoise Hardy (ver próxima resposta).
De que artista tenta comprar todos os discos, bons e maus?
Françoise Hardy, um fétiche que me acompanha desde a adolescência, quando estive perdidamente apaixonado por ela.
Que projectos tem em mãos actualmente?
Uma colectânea de contos («O Vestido de Judas e outras histórias») e um guião para cinema, ainda sem título definitivo
Homenagem a Arrabal

Já ninguém se lembra dele, mas ao ver este grafitti numa parede, lembrei-me de quanto Fernando Arrabal foi importante para mim e para a minha geração. A minha peça «Cerimonial Para Um Massacre» deve-lhe bastante.
quinta-feira, 28 de maio de 2009
Ficção rápida
Um homem ia devagar, rua abaixo, quando, de repente, viu uma folha de papel voar até ao meio da rua. Veio um carro e passou-lhe por cima. Percebendo que tinha alguma coisa escrita, o homem foi apanhá-la para a ler. Dizia: “A poesia está obsoleta: o que move as pessoas já não me comove”. Com um encolher de ombros, o homem largou o papel com uma careta de repulsa.
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Ficção rápida
quarta-feira, 27 de maio de 2009
quinta-feira, 21 de maio de 2009
Outra história de Marrocos
Uma noite, em Marraquexe, um velho beduino aproximou-se de mim com um grande punhal (o cabo era forrado a pele, assim como a bainha) para me dizer que tinha vindo da montanha à procura de trabalho para alimentar a família. Desanimado, queria agora voltar para casa, mas não tinha um tostão. Tudo o que tinha era aquele punhal que me queria vender pelo dinheiro que eu quisesse dar.
Expliquei-lhe que não queria o punhal para nada, mas à boa maneira marroquina ele foi-me seguindo, sempre com a mesma lamúria, evocando os filhos e a fome que deviam ter. Por fim, lá lhe dei algum dinheiro pelo facalhão, que guardei na mochila.
Mais tarde nessa noite, quando regressava ao hotel, vi o mesmo velho a assediar outro casal de europeus, mostrando-lhes uma faca em tudo igual à que me tinha vendido. Quando me viu, com um sorriso maroto, piscou-me o olho e, virando-me as costas, colocou-se entre mim e os turistas que procurava enganar.
Expliquei-lhe que não queria o punhal para nada, mas à boa maneira marroquina ele foi-me seguindo, sempre com a mesma lamúria, evocando os filhos e a fome que deviam ter. Por fim, lá lhe dei algum dinheiro pelo facalhão, que guardei na mochila.
Mais tarde nessa noite, quando regressava ao hotel, vi o mesmo velho a assediar outro casal de europeus, mostrando-lhes uma faca em tudo igual à que me tinha vendido. Quando me viu, com um sorriso maroto, piscou-me o olho e, virando-me as costas, colocou-se entre mim e os turistas que procurava enganar.
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Marrocos
quarta-feira, 20 de maio de 2009
Pura realidade
Foi durante a minha primeira viagem a Marrocos, em 1976. Tinha decidido regressar de vez a Portugal, mas só depois de umas férias no Norte de África.
Uma das cidades que queria absolutamente conhecer era Fez, porque tinha trabalhado em França, durante dois anos, com um rapaz de lá, chamado Mustapha Hammouch (Muss, para os amigos). Na verdade, pertencíamos ambos a uma equipa de quatro pessoas que percorria a França de lés a lés em acções de formação para uma empresa que vendia enciclopédias de porta em porta.
Ele falara-me tantas vezes da sua terra, e da sua família, que me pareceu natural, estando em Marrocos, passar por lá.
Adorei Fez, é claro, e muito particularmente o seu cemitério, fora dos muros da cidade, e a incrível Medina onde, a toda a hora, passam por nós burros carregados com toda a espécie de mercadorias. A primeira coisa que aprendemos na Medina de Fez é a afastar-nos desses burros, conduzidos por loucos que gritam «Balek! Balek!» (que suponho queira dizer: «saiam do caminho!»).
A esses burros, chamavam na altura (e suponho que ainda hoje) os «táxis da Medina». Com efeito, as suas ruas são tão estreitas que nenhum veículo ali conseguiria entrar.
Abreviando: uma das primeiras coisas que fiz em Fez foi ir visitar o irmão mais velho do meu amigo Muss, que sabia ser empregado dos Correios. Como seria de esperar, ele ficou encantado por me conhecer (o irmão, obviamente, tinha-lhe falado de mim) e convidou-me para ir jantar em sua casa nessa noite.
Aceitei com agrado e à hora aprazada lá me apresentei, levando uma caixa de chocolates para oferecer à senhora Hammouch. Porém, quando o anfitrião me abriu a porta tive um choque: ele tinha vestido uma camisa que me pertencera (de que eu gostava muito, na verdade) e que julgava ter perdido.
Claro que não disse nada, e que apreciei devidamente o delicioso cuscus que me serviram (e que tive de comer com as mãos á boa maneira marroquina), mas fiquei a saber onde tinham ido parar as roupas que de vez em quando me desapareciam.
Uma das cidades que queria absolutamente conhecer era Fez, porque tinha trabalhado em França, durante dois anos, com um rapaz de lá, chamado Mustapha Hammouch (Muss, para os amigos). Na verdade, pertencíamos ambos a uma equipa de quatro pessoas que percorria a França de lés a lés em acções de formação para uma empresa que vendia enciclopédias de porta em porta.
Ele falara-me tantas vezes da sua terra, e da sua família, que me pareceu natural, estando em Marrocos, passar por lá.
Adorei Fez, é claro, e muito particularmente o seu cemitério, fora dos muros da cidade, e a incrível Medina onde, a toda a hora, passam por nós burros carregados com toda a espécie de mercadorias. A primeira coisa que aprendemos na Medina de Fez é a afastar-nos desses burros, conduzidos por loucos que gritam «Balek! Balek!» (que suponho queira dizer: «saiam do caminho!»).
A esses burros, chamavam na altura (e suponho que ainda hoje) os «táxis da Medina». Com efeito, as suas ruas são tão estreitas que nenhum veículo ali conseguiria entrar.
Abreviando: uma das primeiras coisas que fiz em Fez foi ir visitar o irmão mais velho do meu amigo Muss, que sabia ser empregado dos Correios. Como seria de esperar, ele ficou encantado por me conhecer (o irmão, obviamente, tinha-lhe falado de mim) e convidou-me para ir jantar em sua casa nessa noite.
Aceitei com agrado e à hora aprazada lá me apresentei, levando uma caixa de chocolates para oferecer à senhora Hammouch. Porém, quando o anfitrião me abriu a porta tive um choque: ele tinha vestido uma camisa que me pertencera (de que eu gostava muito, na verdade) e que julgava ter perdido.
Claro que não disse nada, e que apreciei devidamente o delicioso cuscus que me serviram (e que tive de comer com as mãos á boa maneira marroquina), mas fiquei a saber onde tinham ido parar as roupas que de vez em quando me desapareciam.
Sonho
Estou num teatro ao ar livre, com a Raquel, ali para os lados de Torres Novas. Ela vai encontrando pessoas que conhece e distrai-se a conversar com elas, esquecendo-se de mim. Um bocado chateado com a situação, vejo que há um lugar vazio na primeira fila do anfiteatro e vou ocupá-lo.
Está um carro na zona do palco. Quando a peça começa, um actor vem buscar-me pela mão, a mim e mais duas pessoas e leva-nos para dentro do automóvel, arrancando de seguida.
Para meu grande espanto, saímos do espaço do teatro e dirigimo-nos à cidade. De repente, o actor pára o carro e sem dizer nada, com a ajuda de umas pessoas que estão por ali, vira o carro de pernas para o ar connosco lá dentro.
Quando conseguimos sair cá para fora, o actor e os seus companheiros desapareceram. Uma das pessoas que está comigo vai para o lugar do condutor e propõe-se levar-nos de volta para o teatro. Vai, porém, bastante depressa e acaba por bater nas traseiras de um outro veículo que segue à nossa frente. O condutor parece não ter dado por nada e continua o seu caminho, mas eu vejo óleo a cair e algum fumo.
Num ápice, estamos do lado de fora do muro que cerca o teatro e temos que o escalar. Do outro lado, penetro num edifício que não conheço e procuro o caminho que me leve até à Raquel.
Sempre à procura de uma saída, abro uma porta que dá para um quarto onde está alguém a dormir. A pessoa acorda e quando me vê exclama: «Estes gajos do Expresso têm cá uma lata!».
É um jornalista que conheço e indica-me o caminho para o anfiteatro. Quando lá chego, porém, está vazio. Já não há nem actores, nem espectadores. Fico tão desconsolado que acordo, angustiado.
Post-scriptum: Como dizia Valéry, «Estás cheio de segredos a que chamas EU. És voz do teu desconhecido». Valéry dizia também: «Encontrar nada é. Difícil é acrescentar a nós próprios o que encontramos».
Está um carro na zona do palco. Quando a peça começa, um actor vem buscar-me pela mão, a mim e mais duas pessoas e leva-nos para dentro do automóvel, arrancando de seguida.
Para meu grande espanto, saímos do espaço do teatro e dirigimo-nos à cidade. De repente, o actor pára o carro e sem dizer nada, com a ajuda de umas pessoas que estão por ali, vira o carro de pernas para o ar connosco lá dentro.
Quando conseguimos sair cá para fora, o actor e os seus companheiros desapareceram. Uma das pessoas que está comigo vai para o lugar do condutor e propõe-se levar-nos de volta para o teatro. Vai, porém, bastante depressa e acaba por bater nas traseiras de um outro veículo que segue à nossa frente. O condutor parece não ter dado por nada e continua o seu caminho, mas eu vejo óleo a cair e algum fumo.
Num ápice, estamos do lado de fora do muro que cerca o teatro e temos que o escalar. Do outro lado, penetro num edifício que não conheço e procuro o caminho que me leve até à Raquel.
Sempre à procura de uma saída, abro uma porta que dá para um quarto onde está alguém a dormir. A pessoa acorda e quando me vê exclama: «Estes gajos do Expresso têm cá uma lata!».
É um jornalista que conheço e indica-me o caminho para o anfiteatro. Quando lá chego, porém, está vazio. Já não há nem actores, nem espectadores. Fico tão desconsolado que acordo, angustiado.
Post-scriptum: Como dizia Valéry, «Estás cheio de segredos a que chamas EU. És voz do teu desconhecido». Valéry dizia também: «Encontrar nada é. Difícil é acrescentar a nós próprios o que encontramos».
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Dos sonhos,
Valéry
sexta-feira, 15 de maio de 2009
Deleuze, de novo
Já que estou a citar Deleuze, graças a um livro que comprei ontem na Feira do Livro por cinco euros, deixem-me transcrever mais duas passagens com as quais concordo absolutamente, e que toda a gente deveria ter em conta: «Os poderes estabelecidos precisam das nossas tristezas para fazer de nós escravos. O tirano, o padre, os ladrões de almas, necessitam de nos persuadir de que a vida é dura e pesada», pois os poderes «precisam menos de nos reprimir do que nos angustiar».
No mesmo parágrafo, pode ler-se: «Os doentes, tanto da alma como do corpo, são vampiros; não nos darão descanso, enquanto não nos tiverem comunicado a sua neurose e a sua angústia, a sua querida castração, o ressentimento contra a vida, o seu imundo contágio. Não é fácil ser um homem livre: fugir da peste, organizar os encontros, aumentar a potência de agir, afectar-se de alegria, multiplicar os afectos que exprimem ou encerram um máximo de afirmação».
Resumindo: «Há muitos neuróticos e doidos no mundo que não nos deixam enquanto não nos tiverem reduzido ao seu estado e nos tiverem passado o seu veneno».
No mesmo parágrafo, pode ler-se: «Os doentes, tanto da alma como do corpo, são vampiros; não nos darão descanso, enquanto não nos tiverem comunicado a sua neurose e a sua angústia, a sua querida castração, o ressentimento contra a vida, o seu imundo contágio. Não é fácil ser um homem livre: fugir da peste, organizar os encontros, aumentar a potência de agir, afectar-se de alegria, multiplicar os afectos que exprimem ou encerram um máximo de afirmação».
Resumindo: «Há muitos neuróticos e doidos no mundo que não nos deixam enquanto não nos tiverem reduzido ao seu estado e nos tiverem passado o seu veneno».
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Deleuze
Da crise
Já em meados dos anos 90, o filósofo francês Gilles Deleuze afirmava: «O Estado mais centralizado não é de forma alguma senhor dos seus planos, pois ele também é experimentador, faz injecções não conseguindo prever o que quer que seja: os economistas do Estado declaram-se incapazes de prever o aumento de uma massa monetária». A política americana, por exemplo, «é inteiramente forçada a proceder por injecções empíricas, e nunca por programas infalíveis.» Na mesma altura, explicava também que o que carateriza a nossa situação está simultaneamente aquém e além do Estado, pois estão para além dos Estados nacionais, «o desenvolvimento do mercado mundial, a potência das multinacionais, o esboço de uma organização planetária e a extensão do capitalismo a todo o corpo social», que «formam uma grande máquina abstracta que sobrecodifica os fluxos monetários, industriais e tecnológicos». E dizia ainda: «Ao mesmo tempo, os meios de exploração, de controlo e de vigilância, tornam-se cada vez mais subtis e difusos», pelo que «o Estado já não dispõe dos meios políticos, institucionais ou mesmo financeiros que lhe permitiriam enfrentar os contragolpes sociais da máquina».
Ou seja, a menos de sermos capazes de inventar rapidamente «um novo tipo de revolução», estamos fodidos!
Ou seja, a menos de sermos capazes de inventar rapidamente «um novo tipo de revolução», estamos fodidos!
quarta-feira, 13 de maio de 2009
A próxima história
– Por onde queres que comece?
– Começa por onde quiseres, tanto faz.
– O difícil é começar...
– Tabucchi aconselha a começar por um facto.
– Quem é esse?
– É um escritor italiano. Viveu em Portugal, até escreveu um livro em português.
– Então está bem, comecemos por um facto. A morte do meu pai, por exemplo. Não só é um facto, como ainda por cima é um facto consumado.
– Isso não, bolas. Não quero que isto degenere numa sessão de psicanálise. Não era o que eu tinha em mente.
– Se é assim, calo-me já.
– Não sejas chata Sílvia. Faz uma nova tentativa, vá lá. Procura pensar em coisas engraçadas. De certeza que te já te aconteceram histórias giras.
– Histórias giras? Estás a gozar comigo? Foi para isto que vieste cá a casa? Se é assim, se é isso que tu queres, o melhor é ires já embora. Não penses que vou em todas as tuas conversas, não estou assim tão desesperada.
– Que se passa contigo? Não me ajudas em nada, não dizes nada de jeito...
– Já te disse Mário que não gosto desta sensação de te estares a aproveitar de mim para as tuas historietas. Sinto-me como se tivesse embarcado numa aventura que não me diz respeito.
– Tem calma e ouve o que te digo. Temos umas horas pela frente, não vais querer estragá-las, pois não? Lá fora está um calor horrível, aposto que te ias sentir mal sabendo-me por aí a caminhar aí pelas ruas, zangado contigo.
– Que propões então?
– Vamos esquecer que o tempo existe. Vamos fazer como se estivéssemos a sonhar. Vamos dizer tudo o que nos passe pela cabeça.
– O que é que tu queres exactamente? Onde é que queres chegar?
– O que eu quero é perceber se podemos chegar a algum lado.
– Aqui sentados?
– Aqui sentados, sim.
– Dispara.
– A vida somos nós que a fazemos. A responsabilidade é nossa. A história é nossa. Tudo o que dissermos pode virar-se contra nós.
– Que queres dizer com isso?
– Não é caso para teres medo.
– Eu não tenho medo.
– Ai isso é que tens. Basta olhar para os teus olhos.
– Detesto esta sensação de saber menos do que tu.
– A ignorância tem um lado bom. Aliás, tem vários lados bons.
– Sim? Quais?
– Se não percebes isto, tenho pena de ti.
– Eu, pelo contrário, vejo a ignorância como uma ameaça muito grande. Faz-me medo saber que há tantas coisas que não sei.
– A isso não se chama ignorância, mas sim paranóia.
– Vivemos num mundo em que quanto mais informação possuímos, mais fortes somos.
– Ilusão. Pura ilusão.
– Então partilha comigo o que sabes.
– Mas eu não sei nada...
– Mesmo esse nada eu gostaria de saber. Tudo o que esqueci me angustia. Tudo se esvai e não está certo. Devíamos ser um repositório de tudo o que vivemos, aprendemos, ouvimos, dizemos...
– Nós somos isso tudo. Está tudo dentro de nós.
– Sim, mas oculto por coisas sem importância nenhuma. Escondido atrás de preocupações tão risíveis como saber o que vamos fazer para o jantar ou o que vestir amanhã. A minha imperfeição dá cabo de mim. Detesto-me, se queres saber.
– Não quero saber.
– Não percebes nada do que estou para aqui a dizer, pois não?
– Acho que apenas que te estás a fazer interessante. Que te queres sentir uma personagem de romance... ou a actriz de um filme que não existe.
– E tu?
– E eu o quê?
– Estás-te nas tintas para o que eu estou a sentir.
– Que estás a sentir?
– Queres histórias giras? Então vou-te contar uma que ainda não aconteceu.
– Uma que ainda não aconteceu? Óptimo. Sabia que acabarias por me surpreender.
– Vai ser assim tal e qual, quase que aposto. Um dia vais acordar e quando estiveres a fazer a barba na casa de banho, eu vou querer entrar porque estou aflita para fazer chichi. Nessa altura, vais olhar-me pelo canto do olho, ali sentada na sanita a teu lado e, de repente... vais perceber que já não me amas.
– Que estás para aí a querer dizer?...
– Deixa-me falar, não me interrompas. Querias que eu falasse, agora aguenta. Não era para dizer tudo o que nos passasse pela cabeça?... Vais olhar para mim, para o meu corpo nu... e vais pensar: «Que vi eu nesta gaja? Que estou eu a fazer aqui?» Assim, de um dia para o outro, vais perceber que já não gostas de mim, que se calhar nunca gostaste e vais querer partir para outra.
– ...
– Não dizes nada? Perdeste o pio?... Em que estás a pensar?
– Estou a pensar que estás a contar o filme todo ao contrário. É a ti que vai acontecer isso, não a mim, se é que não aconteceu já. Provavelmente até foi esta manhã, quando estavas a tomar duche e eu entrei na casa de banho para fazer a barba. Através das cortinas do chuveiro, viste-me urinar e pensaste: «Que está este gajo a fazer em minha casa? Porque se comporta ele deste modo? Fui eu que lhe dei autorização para isso? Onde tinha eu a cabeça? Como pude eu alguma vez pensar que gostava dele?»
– Querias uma história meu querido? Pois aí a tens... A menos que prefiras a da mulher que vai fazer um aborto amanhã de manhã?
– Começa por onde quiseres, tanto faz.
– O difícil é começar...
– Tabucchi aconselha a começar por um facto.
– Quem é esse?
– É um escritor italiano. Viveu em Portugal, até escreveu um livro em português.
– Então está bem, comecemos por um facto. A morte do meu pai, por exemplo. Não só é um facto, como ainda por cima é um facto consumado.
– Isso não, bolas. Não quero que isto degenere numa sessão de psicanálise. Não era o que eu tinha em mente.
– Se é assim, calo-me já.
– Não sejas chata Sílvia. Faz uma nova tentativa, vá lá. Procura pensar em coisas engraçadas. De certeza que te já te aconteceram histórias giras.
– Histórias giras? Estás a gozar comigo? Foi para isto que vieste cá a casa? Se é assim, se é isso que tu queres, o melhor é ires já embora. Não penses que vou em todas as tuas conversas, não estou assim tão desesperada.
– Que se passa contigo? Não me ajudas em nada, não dizes nada de jeito...
– Já te disse Mário que não gosto desta sensação de te estares a aproveitar de mim para as tuas historietas. Sinto-me como se tivesse embarcado numa aventura que não me diz respeito.
– Tem calma e ouve o que te digo. Temos umas horas pela frente, não vais querer estragá-las, pois não? Lá fora está um calor horrível, aposto que te ias sentir mal sabendo-me por aí a caminhar aí pelas ruas, zangado contigo.
– Que propões então?
– Vamos esquecer que o tempo existe. Vamos fazer como se estivéssemos a sonhar. Vamos dizer tudo o que nos passe pela cabeça.
– O que é que tu queres exactamente? Onde é que queres chegar?
– O que eu quero é perceber se podemos chegar a algum lado.
– Aqui sentados?
– Aqui sentados, sim.
– Dispara.
– A vida somos nós que a fazemos. A responsabilidade é nossa. A história é nossa. Tudo o que dissermos pode virar-se contra nós.
– Que queres dizer com isso?
– Não é caso para teres medo.
– Eu não tenho medo.
– Ai isso é que tens. Basta olhar para os teus olhos.
– Detesto esta sensação de saber menos do que tu.
– A ignorância tem um lado bom. Aliás, tem vários lados bons.
– Sim? Quais?
– Se não percebes isto, tenho pena de ti.
– Eu, pelo contrário, vejo a ignorância como uma ameaça muito grande. Faz-me medo saber que há tantas coisas que não sei.
– A isso não se chama ignorância, mas sim paranóia.
– Vivemos num mundo em que quanto mais informação possuímos, mais fortes somos.
– Ilusão. Pura ilusão.
– Então partilha comigo o que sabes.
– Mas eu não sei nada...
– Mesmo esse nada eu gostaria de saber. Tudo o que esqueci me angustia. Tudo se esvai e não está certo. Devíamos ser um repositório de tudo o que vivemos, aprendemos, ouvimos, dizemos...
– Nós somos isso tudo. Está tudo dentro de nós.
– Sim, mas oculto por coisas sem importância nenhuma. Escondido atrás de preocupações tão risíveis como saber o que vamos fazer para o jantar ou o que vestir amanhã. A minha imperfeição dá cabo de mim. Detesto-me, se queres saber.
– Não quero saber.
– Não percebes nada do que estou para aqui a dizer, pois não?
– Acho que apenas que te estás a fazer interessante. Que te queres sentir uma personagem de romance... ou a actriz de um filme que não existe.
– E tu?
– E eu o quê?
– Estás-te nas tintas para o que eu estou a sentir.
– Que estás a sentir?
– Queres histórias giras? Então vou-te contar uma que ainda não aconteceu.
– Uma que ainda não aconteceu? Óptimo. Sabia que acabarias por me surpreender.
– Vai ser assim tal e qual, quase que aposto. Um dia vais acordar e quando estiveres a fazer a barba na casa de banho, eu vou querer entrar porque estou aflita para fazer chichi. Nessa altura, vais olhar-me pelo canto do olho, ali sentada na sanita a teu lado e, de repente... vais perceber que já não me amas.
– Que estás para aí a querer dizer?...
– Deixa-me falar, não me interrompas. Querias que eu falasse, agora aguenta. Não era para dizer tudo o que nos passasse pela cabeça?... Vais olhar para mim, para o meu corpo nu... e vais pensar: «Que vi eu nesta gaja? Que estou eu a fazer aqui?» Assim, de um dia para o outro, vais perceber que já não gostas de mim, que se calhar nunca gostaste e vais querer partir para outra.
– ...
– Não dizes nada? Perdeste o pio?... Em que estás a pensar?
– Estou a pensar que estás a contar o filme todo ao contrário. É a ti que vai acontecer isso, não a mim, se é que não aconteceu já. Provavelmente até foi esta manhã, quando estavas a tomar duche e eu entrei na casa de banho para fazer a barba. Através das cortinas do chuveiro, viste-me urinar e pensaste: «Que está este gajo a fazer em minha casa? Porque se comporta ele deste modo? Fui eu que lhe dei autorização para isso? Onde tinha eu a cabeça? Como pude eu alguma vez pensar que gostava dele?»
– Querias uma história meu querido? Pois aí a tens... A menos que prefiras a da mulher que vai fazer um aborto amanhã de manhã?
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Ficção rápida
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Arthur Scnitzler
«Não há nada mais difícil do que ser jovem e velho ao mesmo tempo», dizia o escritor austríaco Arthur Scnitzler. Por outras palavras, era o que me dizia também o meu amigo Ricardo hoje ao almoço.
Schnitzler era um sábio, como os seus aforismos comprovam. Ora ouçam: «Nos combates da vida pública, tal como acontece na vida quotidiana, o poder está sempre do lado dos medíocres: medíocres de espírito por um lado, mediocres do coração por outro; porque aquele que leva a sério as coisas e os homens é sempre o mais fraco».
Já agora, que falamos de poder e de políticos, ouçam mais uma das suas pérolas: «Não existe pior desperdício do espírito e do coração do que procurar convencer adversários que não se preocupam absolutamente nada em estar de acordo com eles próprios».
Schnitzler era um sábio, como os seus aforismos comprovam. Ora ouçam: «Nos combates da vida pública, tal como acontece na vida quotidiana, o poder está sempre do lado dos medíocres: medíocres de espírito por um lado, mediocres do coração por outro; porque aquele que leva a sério as coisas e os homens é sempre o mais fraco».
Já agora, que falamos de poder e de políticos, ouçam mais uma das suas pérolas: «Não existe pior desperdício do espírito e do coração do que procurar convencer adversários que não se preocupam absolutamente nada em estar de acordo com eles próprios».
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Arthur Scnitzler
domingo, 10 de maio de 2009
Chavela Vargas


Isabela Vargas Lizano, que se tornou «imortal» sob o nome de Chavela Vargas, nasceu na Costa Rica, mas foi viver para o México aos 17 anos, onde se tornou num símbolo nacional, graças a canções como «La llorona», «Piensa en mí», «Volver, volver» ou «La Macorina». Aos 90 anos, a «raínha das rancheras» (como alguns lhe chamam) acaba de conceder uma entrevista bem reveladora ao diário espanhol «El País», que não resisto a transcrever, pelo menos parcialmente.
Da sua adolescência, Chavela não parece guardar grata memória. E chega a dizer que, para ela, a Costa Rica é a negação do mundo. «Ali não poderia ter lido nem a lista telefónica, pois os padres ter-me-iam comido viva.» Da sua vida naquele país, limita-se a contar que o seu principal passatempo era disparar sobre as cobras com uma pistola. E, com efeito, era tida por uma exímia pistoleira, por exemplo, por Diego Rivera e Frida Khalo, de quem foi amiga íntima. Conta-se que Chavela - que assumiu a sua homossexualidade numa época em que isso era ainda impensável - chegou a ser amante da pintora, mas sobre isso, nem uma palavra. Sobra a sua amizade com Diego e Frida, diz somente: «A certa altura, convidaram-me para ir a sua casa e fiquei a viver com eles dois anos. Aprendi todos os segredos da sua pintura. Segredos muito interessantes que nunca revelarei a ninguém. Eramos todos felizes: vivíamos o dia a dia, sem dinheiro, às vezes sem comer, mas sempre mortos de riso. Um dia, Trotsky foi lá a casa e eu perguntei: "Quem é este velho cabeludo?" E Frida pediu-me: "Não fales tão alto"».
Sobre a fama, desabafa: «Nunca me senti importante. Vivo a vida como se fosse um ofício. Com coração, com sentimento, pois não sinto que seja algo imposto pelo destino. E sinto-me muito contente. Cumpri a minha missão, com muito gosto. Com amargura, por vezes, com dor sobretudo, mas tudo isso passou. Não deixou cicatrizes na minha vida. Não tenho más recordações, tudo foi óptimo».
Antes de se despedir, lança em jeito de testamento: «Agora já vou tendo vontade de descansar para sempre. Já não devo nada à vida, nem ela me deve nada. Tenho vontade de me deitar no regaço da morte, pois deve ser muito belo. Talvez por isso tenhamos tanto medo da morte: porque deve ser lindíssima».
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Chavela Vargas
quarta-feira, 6 de maio de 2009
Pura realidade
A caminho da baixa passo pela Rua Barata Salgueiro e que vejo? Pedro Mexia, o novo subdirector da Cinemateca, a entrar para um carro do estado. O chófer abre-lhe a porta e o cronista aninha-se lá dentro com um sorriso de nababo.
Extraordinário! Portugal é um grande país de facto, onde até os animadores culturais - desde que trabalhem para o Estado - têm direito a mordomias! Só é pena que o dinheiro que pagamos de impostos não seja investido em melhor educação e saúde para todos.
Extraordinário! Portugal é um grande país de facto, onde até os animadores culturais - desde que trabalhem para o Estado - têm direito a mordomias! Só é pena que o dinheiro que pagamos de impostos não seja investido em melhor educação e saúde para todos.
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Pura realidade
Aforismo
Para algumas pessoas, o facebook é um espelho mágico: vêem-se aí mais belas do que são na realidade.
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Dos blogues
A orelha de Van Gogh

Todos ouvimos a história de que um dia, Van Gogh, num ataque de loucura, cortou a sua própria orelha com uma navalha, tendo-a levado em seguida, embrulhada em papel de jornal, a uma sua amiga prostituta chamada Rachel. Foi na véspera do Natal de 1888, na sua casa de Arles, depois de uma violenta discussão com o seu amigo Gaugin.
Esta semana, porém, surgiu uma tese, assinada por dois universitários alemães, que levanta uma nova hipótese. Segundo Rita Wildegans e Hans Kaufman, que investigaram exaustivamente o assunto, terá sido Gaugin quem cortou a orelha do amigo com o seu famoso sabre. Van Gogh assumiu a culpa para não deteriorar ainda mais a conflituosa relação entre os dois.
Os autores defendem que terá sido Gaugin a sugerir esta solução, propondo um pacto de silêncio que ambos cumpriram até à morte. Em abono da sua teoria, lembram que Gaugin era um espadachim famoso e que «fugiu» para Paris imediatamente após o incidente.
A tese agora publicada na Alemanha afirma ainda que Van Gogh estaria intoxicado por chumbo, arsénio e cádmio contidos nas tintas que usava. O casal de investigadores vai ao ponto de afirmar que foi essa intoxicação que provocou a «loucura» do pintor.
Louis Van Tilborgh do Museu Van Gogh de Amesterdão não concorda com esta visão das coisas e afirma que não há certeza de Gaugin ter abandonado Arles imediatamente após o episódio da orelha. Defende a tese da auto-mutilação e lembra que Van Gogh perdia muitas vezes o controlo sobre si próprio. E a verdade é que o pintor se suicidou sete meses mais tarde.
Seja quem for que cortou a orelha, uma coisa é certa: há muita gente a viver hoje à conta de um pintor que nunca conseguiu vender um quadro na vida.
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Van Gogh
Outra história de Marraquexe
Estou a passear num jardim quando, de repente, no meio do caminho vejo um pacote de Marlboro vazio. Instintivamente, dou-lhe um pontapé para o tirar do caminho. Impulsionado como por uma mola, salta um marroquino que parecia dormitar na relva e começa a gritar comigo, gesticulando muito. Quando por fim se acalmou, conseguiu explicar-me que era vendedor de cigarros avulso e que aquele pacote vazio no meio do caminho era a sua forma de informar o mundo de que estava ali, à sombra de uma árvore, à espera de clientes.
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Marrocos
domingo, 3 de maio de 2009
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