segunda-feira, 31 de agosto de 2009

The Fiery Furnaces



Os Fiery Furnaces que são, para mim, uma das mais estimulantes bandas pop da actualidade, acabam de lançar um novo álbum. Intitulado I'm Going Away, o novo opus é, como toda a gente não se cansa de repetir, o mais convencional (na estrutura e na instrumentação) dos que publicaram até à data os irmãos Friedberger. Criado num apartamento de Nova Iorque com a ajuda de um laptop, o disco propõe uma dúzia de canções acessíveis, quase «fáceis», que parecem uma homenagem ao folk-rock dos anos 60 (Bob Dylan surge como uma das influências maiores). Alguns fãs já consideraram este trabalho um passo atrás na carreira dos irmãos Matthew e Eleanor. É um perfeito disparate. Mas se for essa a receita para fazer mais discos tão bonitos e agradáveis como este, que comecem a andar às arrecuas. Por muito que goste dos seis (ou sete) álbuns anteriores, não me importo nada.

Albert Cossery



Albert Cossery faleceu o ano passado, aos 94 anos. Deixou um romance inacabado, do qual só se conhecem as primeiras dez páginas. Aqui ficam dois excertos:

«Mokhtar ignorava totalmente todos os governos, fossem eles eleitos ou impostos pela força das armas, pois todos saíam dos mesmos moldes e eram compostos pelos mesmos facínoras. Era, pois, estúpido querer substituir um governo, para acabar com outro pior que o precedente. E na necessidade de recomeçar sem fim esta comédia grotesca. Para Mokhtar, a única forma de combater um regime político só se podia conceber pelo humor e na derrisão, longe de qualquer disciplina e das fadigas que implicam geralmente qualquer revolução.»

(…)

«Esmagadas e fragilizadas, as massas humanas ainda sobreviventes no Globo tendiam a acreditar em tudo o que lhes impingia uma propaganda que ofende permanentemente a verdade. Ele percebera claramente que o drama da injustiça social só desaparecerá no dia em que os pobres deixarem de acreditar nos eternos valores da civilização, um palmarés de mentiras deliberadas, programada para os manter eternamente na escravatura.»

Admirável Cossery, que se manteve até ao fim lúcido e insubmisso.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Do futuro da Comunicação Social



As notícias online vão começar a ser pagas? O multibilionário dos jornais e televisões Rupert Murdoch (na foto) acha que sim e já anunciou que vai optar por esse sistema em todos os seus órgãos de comunicação social. Quase todos os outros tubarões que nadam nas mesmas águas (em Portugal como no estrangeiro) batem palmas de excitação e preparam-se para fazer o mesmo. As suas receitas estão em queda, na imprensa escrita como na rádio e televisão e a galinha dos ovos de oiro está cada vez mais raquítica.
No entanto, não creio que a gratuidade na Internet vá acabar. Nem eu, nem Chris Anderson, chefe de redacção da revista «Wired», que declarou recentemente que o jornalismo tal como o conhecemos hoje tem os dias contados. Para ele, num futuro já não muito distante, ser jornalista será um hobby e não uma profissão, pois só a informação gratuita encontrará consumidores.

Pura realidade

O piropo mais giro que ouvi nos últimos tempos: «Ó filha, se fosses minha namorada, punha-te alarme!»

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Desabafo

Esta eterna sensação de não ter os papéis em ordem. De estar ilegal, até aos olhos de Deus…

Da preguiça

Ironia das ironias: aos olhos de alguns, os homens que passam a vida a meditar passam por preguiçosos.

!

Ideia de negócio: ajudar as pessoas a mudar de vida.

Poema

Dizem que as borboletas
Se suicidam
Lançando-se sobre uma chama.

Da vida

A vida é um empréstimo. Quanto mais tempo viver, mais juros terei que pagar.

Da felicidade

Os que correm atrás da felicidade, dificilmente descobrirão que ela corre atrás deles. E o mesmo se poderia dizer da verdade.

Da maquilhagem

A melhor maquilhagem de todas é a felicidade.

Da fatalidade

Tudo o que fazemos na vida se vira, mais cedo ou mais tarde, contra nós. E tudo o que não fazemos, também.

Da vida eterna

Para não desejar a vida eterna, basta-me imaginar que ela será uma insónia sem fim.

Desabafo

Certos dias, o meu coração é o local menos acessível do mundo.

Das ideias

Alguns dos comentários que suscita este blogue comprovam-no: há ideias minhas que vingam e outras que se vingam de mim.

Erros meus...

Erros em cadeia. A nossa cadeia é feita dos nossos erros.

Da música

De todas as músicas, prefiro as que me transportam.

Projecto

As revistas «cor-de-rosa» têm razão: no fundo, não passamos de puro espectáculo, uns para os outros.
Um dos meus projectos inviáveis é o de publicar, um dia, uma revista que fosse exactamente o contrário de uma revista «cor-de-rosa»: uma revista negra, para espíritos fortes. Uma revista que pusesse a nu o que realmente somos; capaz de fazer Deus corar de vergonha.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Morte e Internet

O jornal i de hoje propõe um artigo intitulado «Agora já pode viver para sempre. Só precisa de se tornar virtual». Assinado por Diana Garrido, o texto afirma que «cada vez mais as redes sociais apostam na perpetuação da memória de quem já morreu e na protecção do legado digital». Vale a pena ler
aqui.

Ferdinando Scianna



«Mon métier consiste à regarder en espérant voir», afirma o fotógrafo siciliano Ferdinando Scianna, que este ano celebra 40 anos de carreira.
Nascido em 1943, em Bagheria, não muito longe de Palermo, Ferdinando estudou literatura e filosofia antes de se dedicar de corpo e alma ao seu ofício.
Uma importante retrospectiva da sua obra pode ser vista actualmente na Maison Européenne de la Photographie em Paris.

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