sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Pobre Portugal

O Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza assinala-se amanhã. Segundo o jornal Público, 18 por cento dos portugueses são pobres. E tende a piorar. Mas o melhor é citar:

«Segundo a Assistência Médica Internacional (AMI), os seus centros Porta Amiga apoiaram no primeiro semestre deste ano mais 10 por cento de pessoas do que no mesmo período do ano anterior.

"Estes valores demonstram uma nítida tendência para um crescente número de casos de pobreza persistente. A grande maioria destas pessoas encontra-se em plena idade activa, entre os 21 e os 59 anos de idade", pode ler-se num comunicado daquela organização.

Além disso, a AMI destaca que há cada vez mais novos casos de pobreza. No primeiro semestre deste ano "foram 1836 as pessoas que recorreram pela primeira vez ao apoio social da AMI, mais 24 por cento do que no mesmo período no ano anterior"».

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Herta Müller



É este o rosto da senhora que, este ano, recebeu o Premio Nobel da literatura. Nunca li, nunca tinha ouvido falar dela, mas a Academia Sueca afirma que a recompensou porque ela soube, «com a concentração da poesia e a objectividade da prosa, desenhar as paisagens do abandono».
Nascida em 1953 na Roménia, vive na Alemanha desde 1987. Um dos seus romances mais famosos intitula-se O Homem É um Grande Faisão Sobre a Terra (Cotovia, 1993). Inútil ir a correr procurá-lo, ninguém estava à espera desta distinção, e o livro não vai chegar tão cedo às livrarias nacionais.
Antes de Müller, o último alemão a vencer o Nobel de Literatura foi Günter Grass, em 1999. Herta é a 12ª mulher a conquistar o prêmio.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

A máquina de contar histórias (5)









Estado de Guerra



O argumento baseia-se nas reportagens que um tal Mark Boal escreveu no Iraque. O mínimo que se pode dizer é que The Hurt Locker, é um filme de guerra que dá luta. Que nos pega pelas entranhas e nos mergulha num inferno absolutamente contemporâneo (que, com a ajuda do nosso «amigo» Durão Barroso, nós portugueses, ajudámos a criar).
Kathryn Bigelow, a realizadora, da qual sou fã incondicional, põe-nos a desmontar armadilhas durante duas horas e saímos do cinema com os nervos em franja, desesperadamente habitados por aquele estranho personagem que quotidianamente desafia a morte, sem dúvida para superar o seu medo de viver.
Em Lisboa, neste momento, não há nenhum outro filme que eu recomende tão vivamente.

Alain Finkielkraut e a literatura



Alain Finkielkraut, filósofo francês de origem polaca, actualmente com 60 anos, concedeu uma (magnífica) entrevista à revista Lire, a propósito do seu mais recente ensaio Le Coeur Intelligent. Aqui ficam alguns excertos:

Dieu garde le silence, mais, pour nous doter peut-être (il faut rester modeste) d'un coeur intelligent, nous avons la littérature.

(…)

Je récuse (avec un certain nombre de philosophes, d'ailleurs) le partage communément admis qui voudrait que la philosophie pense et que la littérature raconte. La philosophie n'a pas le monopole de la pensée. La littérature pense aussi, mais cette pensée possède quelque chose de miraculeusement affectif.

(…)

«Aucune philosophie, aucune analyse, aucun aphorisme, quelque profonds soient-ils, ne peuvent se comparer en plénitude et en intensité à une histoire bien racontée», écrit ainsi Hannah Arendt.

(…)

La langue anglaise possède deux mots pour l'imagination: fancy et imagination. Le fantasme, c'est la littérature spontanée en chacun de nous. Nous fantasmons tout le temps. Il y a les fantasmes individuels, les fantasmes collectifs, et, pour faire appel de ces fantasmes, il y a l'imagination. La littérature est du côté de l'imagination. Le fantasme, nous dit Freud, est la réalisation d'un désir: dans le fantasme, je suis le héros, je suis au centre. L'imagination est, au contraire, cette forme de pensée qui me permettra de sortir de moi-même, de m'identifier à d'autres points de vue que les miens. Et le coeur intelligent, c'est cela: la mise en déroute du fantasme par l'imagination.

(…)

Se quitter, s'oublier: c'est peut-être la meilleure part de la littérature. La littérature est un élargissement, à tous les sens du terme.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Mafalda e as eleições

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

A máquina de contar histórias (4)











Todos os dias cruzo muitas centenas de histórias, das quais apenas tenho um brevíssimo vislumbre. Algumas apelam mais do que outras à minha imaginação, mesmo se todas me fascinam. Em todo o caso, tudo (ou quase) o que os outros vivem, eu sinto-o também. Ou já senti, ou virei a sentir. É terrível e magnífico ao mesmo tempo.

Desabafo

Liberdade, igualdade, fraternidade... uma ova! A França adoptou definitivamente a Lei Hadopi que criminaliza quem, na Internet, troca ficheiros protegidos por copyright. O suposto país da liberdade, igualdade, fraternidade, assume-se assim como o contrário disto tudo. A partir do ano que vem (pois alei só começará a vigorar em 2010), só quem pode pagar é que terá acesso a certos bens culturais. «Quem não tem dinheiro não tem vícios», dizem os fascistas e os alienados. Ora a cultura é um vício, como toda a gente sabe. Os desempregados, os velhotes com reformas miseráveis, os estudantes pobres... só têm o que merecem. Que grande país é a França e que belos exemplos dá ao mundo!

sábado, 19 de setembro de 2009

A máquina de contar histórias (3)







A paixão do pormenor não é uma paixão pequena. Nem todos conseguem ver a força das mínimas coisas.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

A máquina de contar histórias (2)





Um caderno e uma caneta. Uma máquina fotográfica e uma cidade. Certos dias, não é preciso mais.

A máquina de contar histórias





















Susan Sontag: «Nenhum momento é mais importante do que outro, ninguém é mais interessante que os demais».

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Willy Ronis



O autor desta fotografia morreu ontem em Paris aos 99 anos! Mas esta criança vai continuar a correr até ao fim do mundo, para levar o seu pão a todos os que o merecem.

sábado, 12 de setembro de 2009

Da morte

Que nos espera depois da morte? É muito simples: ou tudo, ou nada!

Alfama







sábado, 5 de setembro de 2009

Auto-retrato

Auto-retrato

Desabafo

Seria necessário escrever sem fim…

Dos filósofos

Há dois tipos de filósofos: os poetas e os professores.

Do céu



Um céu sem nuvens é como uma página em branco: não diz nada. Só quando há nuvens conseguimos olhar para o céu e sonhar. No entanto, temos que concordar: a cor do céu foi bem escolhida.

Da política

Na política como no meu bairro: basta um cão ladrar furiosamente para logo os outros todos o imitarem.

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