domingo, 14 de novembro de 2010

A caminho de casa


Bertrand Py: «La photo c'est du vrai que personne ne voit avec les mêmes mots».


Careful


Maurice Merleau-Ponty: «Ce n'est pas l'oeil qui voit. Ce n'est pas l'âme. C'est le corps comme totalité ouverte.»

Self



Will Self: «O mundo em que vivemos é um mundo alternativo. Não existe um mundo real.»

Amoreiras


Campolide





Filipa


A Filipa, filha da minha sobrinha Sara, nasceu no dia de S. Martinho. Fica aqui a primeira foto que lhe tirei.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Manuel Cintra Ferreira

Ontem morreu, aos 68 anos, vítima de um tumor cerebral, o Manuel Cintra Ferreira. Quando li a notícia, numa nota de rodapé durante o telejornal, fiquei em estado de choque. Sabia que estava doente, mas a última vez que o vi parecia estar a recuperar bem. Durante 20 anos fui seu colega no Expresso e deixem-me que vos diga que foi das pessoas mais decentes que conheci naquele jornal. Nunca o ouvi dizer mal de ninguém e, na verdade, também nunca ouvi ninguém dizer mal dele, o que no meio dos jornais é absolutamente extraordinário.
Para além de crítico de cinema do Expresso e colaborador da SIC, o Manuel era o mais antigo programador da Cinemateca Portuguesa. A sua memória cinéfila era prodigiosa e proverbial. Toda a gente no Expresso o considerava era uma autêntica enciclopédia da história do cinema. Sabia tudo, tinha visto tudo, era um apaixonado que gastava todo o dinheiro que ganhava em livros, revistas e DVD. Vivia do e para o cinema.
Nas suas frequentes idas a Paris, nunca se esquecia de me trazer uma revista de música sem distribuição em Portugal. Recentemente, o Manuel doou à Cinemateca duas cópias, novinhas em folha, de dois inesquecíveis clássicos de que ele gostava particularmente: O Ladrão de Bagdade (1940), de Michael Powell, Ludwig Berger e Tim Whelan e A Desaparecida (1956), de John Ford. Pagou-as do seu bolso, num último gesto que diz bem o homem generoso que era.

sábado, 6 de novembro de 2010

Lou Reed


Lou Reed, que está em Portugal para apresentar uma exposição de fotogrias intitulada Romanticism, declarou a quem o quis ouvir: «fotografar é exactamente o mesmo que fazer música». Concordo absolutamente. Já o tinha escrito. Aliás, Patti Smith pensa o mesmo. Ainda ontem ouvi na TV5 uma entrevista com ela durante a qual declarou: «Não posso passar nem um dia sem escrever um texto, fazer um desenho ou tirar uma fotografia».
Segundo os jornais, a mostra de Lou Reed (que ainda não vi) reúne 23 fotografias, a maioria paisagens, nas quais surge apenas uma figura humana, a sua mulher Laurie Anderson.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Confissão

É forçoso que o reconheça: sou ateu e crente ao mesmo tempo. Com mesma convicção. Não acredito que a minha alma resista à morte, mas sei que Deus existe porque vejo a sua mão em todo o lado. Através de toda a beleza que existe no mundo, Ele lembra-me quem a criou. Quanto à fealdade e à maldade, sem dúvida, fazem parte do preço que temos que pagar por não sabermos ver para lá das aparências.

Dos sonhos

Acabo de ler no jornal as declarações de um cientista convencido de que, no futuro, se conseguirá gravar os sonhos. Por mim, o cinema acabava nesse dia. O meu inconsciente é o mais criativo, profundo e inesgotável cineasta que conheço.

Pura realidade

Quando, ontem, alguém me perguntou o que pensava da situação política, lembrei-me da resposta que Jean Genet deu um dia a André Malraux: «Não gosto suficientemente de si para lho dizer.»

Afrocubismo


Juntando cantores já desaparecidos como Ibrahim Ferrer e Compay Segundo, o Buena Vista Social Club foi na altura o mais bem sucedido disco world de sempre. No entanto, como se sabe, acabou por não ser o disco planeado pela editora World Circuit. A ideia incial era juntar músicos africanos com cubanos e ver o que dava. Na altura, houve um problema com os vistos dos músicos africanos e o disco acabou por fazer-se, em Havana, com o ouro da casa. Nick Gold, o produtor, não esqueceu, no entanto, o projecto e agora, muitos anos depois, realizou-o, juntando num mesmo estúdio alguns dos melhores músicos do Mali (como Toumani Diabaté ou Bassekou Koyaté, para apenas citar dois instrumentistas que adoro) com a banda do guitarrista Eliades Ochoa. O resultado está aí, chama-se AfroCubism e é, de longe o melhor disco do ano em matéria de músicas do mundo. Simplesmente obrigatório!

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

O peixinho vermelho

Um dia decidi comprar um peixinho vermelho para oferecer à minha filha. Evidentemente, tive que comprar também um aquário e optei por um globo de vidro. Para casa, levei ainda umas pedrinhas, para pôr no fundo do aquário, e uma pequena planta para o decorar, para já não falar da latinha com comida.
O aquário, com o seu respectivo ocupante, ficavam muito bem na estante que lhe destinei e, como previsto, a minha filhota divertiu-se bastante a ver o peixinho vermelho às voltas no seu confinadíssimo espaço. Naturalmente, quis ser ela a dar-lhe a primeira refeição, tendo despejado quase metade da latinha para dentro de água. Na manhã seguinte, o peixinho boiava inerte, de barriga para cima, e tive que o tirar antes que alguém o visse.
O senhor da loja onde fui comprar um novo peixe explicou-me que a morte se devera ao excesso de comida. «Os peixes», explicou ele, «não conseguem parar de comer. Comem até rebentar».
A minha filha nem deu pela troca. O novo peixe era idêntico ao anterior, provavelmente até eram irmãos.
Infelizmente, apesar de lhe dar apenas a quantidade aconselhada pelo vendedor, o segundo peixe também apareceu morto, uns dias mais tarde.
Quando lá fui reclamar, o senhor da loja explicou-me que «os peixinhos vermelhos são muito delicados e morrem com muita facilidade, sabe-se lá porquê». E rematou: «É por isso que são baratos».
Não me lembro de quanto tempo durou o terceiro peixinho, nem o seu sucessor, mas lembro-me que um belo dia, ou melhor, uma noite de má memória, me vi em sonhos na pele (é uma maneira de falar) do peixinho, flutuando no tempo, imerso num cenário de terror onde tudo parecia desmesurado e deformado. Sim, sonhei que era um peixe encerrado numa esfera de vidro e, de repente, percebi porque morriam tão facilmente os peixinhos vermelhos, pelo que nunca mais quis ter um em casa. À minha filha disse que, na minmha opinião, o peixinho desaparecido devia ter ido para o céu. Ao que ela retorquiu, naquele tom que têm as crianças quando nos querem dizer que não são tão ingénuas como julgamos: «Não sabia que os peixes também podiam voar».
Resumindo, desde essa altura abateu-se sobre mim uma maldição: sempre que tenho uma insónia sinto-me um peixinho encerrado dentro de um aquário minúsculo. Não imaginam como é exasperante; a única coisa a fazer é levantar-me e escrever até voltar a sentir-me humano.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Desabafo

Abro a carteira
Perdão o caderno
E percebo que não tenho palavras
Ou dinheiro
Para pagar a dívida que tenho
Para comigo mesmo.
Volto a pôr a viola no saco
e viro-me para Deus.
Em vão.
Já não sei rezar
Esqueci-me como se faz
Tudo o que recordo é:
Agora
E na hora da nossa morte
Amen

sábado, 30 de outubro de 2010

Pensamento do dia

Todo o artista se alimenta maios dos seus aspectos negativos do que dos positivos.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Lembranças



Memórias de um espectáculo ao ar livre que vi este fim de semana em Cascais. Seis curtos textos, de seis actores diferentes, insólitos e divertidos.

Desabafo

Os cristais líquidos do meu computador deterioraram-se e derramaram. Agora a HP diz que a garantia não cobre este defeito. E a FNAC, onde comprei o PC há pouco mais de seis meses, diz que não pode fazer nada. Em Portugal, os consumidores não têm direitos. Por favor, façam como eu: coloquem a HP e a FNAC na vossa lista negra.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Mario Giacomelli







Adoro!

Lovematic


Continuo à procura da máquina fotográfica que conseguisse ler o meu pensamento.


Auto-retrato


Em cada desconhecido que cruzo na rua me reconheço. Na verdade, só faço auto-retratos.

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