domingo, 10 de abril de 2011

Plácido domingo



Olhos de ver. É tudo o que um fotógrafo precisa. Mesmo a máquina é dispensável.

The humbling


Não me cansarei de o repetir: lemos para nos ler.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Para quem escrevemos?

«S’il n’y a plus de Pére, à quoi bon raconter des histoires?», pergunta Roland Barthes, afirmando: «Tout récit ne se ramène-t-il pas à Oedipe?» Pelo contrário, acho que escrevemos para os nossos filhos, não para os nossos pais. Escrevemos contra os nossos pais, mas para os nossos filhos.

Da felicidade

O talento da felicidade (porque é um dom, sem dúvida) é o mais raro de todos. Tal como os outros talentos, exige uma inclinação natural, uma longa aprendizagem, muita humildade e um interminável aprofundamento. Só é feliz quem o merece.

Do romance

O romance que gostaria de escrever, está fora do meu alcance. Resta-me andar às voltas, sonhá-lo sem fim, perder-me na ideia de que nunca o escreverei.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Slavoj Žižek


O El País chama-lhe «o filósofo da anarquia». Numa interessante entrevista que concedeu ao diário espanhol, Slavoj Žižek defende o Twitter e o Facebook. Diz ele: «Muchos se quejan de que Twitter o Facebook son comunidades artificiales, sucedáneos de la interacción humana cara a cara. Yo celebro estas comunidades artificiales; te permiten escapar de tu lugar asignado en la sociedad. Imagina vivir en un país como Arabia Saudí. Yo me sentiría liberado usando Twitter.»
Mais interessante me parece esta outra opinião: «Hoy cualquiera con dinero puede viajar al espacio, cada mes anuncian descubrimientos contra algún tipo de cáncer, incluso se habla de avances para alcanzar la inmortalidad. Al mismo tiempo, en cada telediario, salen políticos y economistas explicando que no hay dinero para mantener la Seguridad Social. Vivimos una época que promueve los sueños tecnológicos más delirantes, pero no quiere mantener los servicios públicos más necesarios.»
Absolutamente verdade.
Também concordo com ele, quando afirma: «No estoy en contra del capitalismo en abstracto. Es el sistema más productivo en la historia. Me considero comunista, aunque el comunismo no sea ya el nombre de la solución, sino el del problema. Hablo de la lucha encarnizada por los bienes comunes. Las corporaciones intentan privatizar los recursos naturales, la biogenética o los conocimientos. El capitalismo actual se mueve hacia una lógica de apartheid, donde unos pocos tienen derecho a todo y la mayoría son excluidos. Los capitalistas actuales son fanáticos religiosos que defienden sus beneficios aunque traigan la ruina para millones de personas.»
Como Žižek, acho que «hay que ser más hedonistas. El problema es que no nos centramos en lo que realmente nos satisface. Estamos atrapados en una competición malsana, una red absurda de comparaciones con los demás. No prestamos suficiente atención a lo que nos hace sentir bien porque estamos obsesionados midiendo si tenemos más o menos placer que el resto.»
Porque é que os jornais portugueses não publicam entrevistas destas?

sexta-feira, 1 de abril de 2011

A caminho de casa









«A photograph is not created by a photographer. What they do is just to open a little window and capture it. The world then writes itself on the film. The act of the photographer is closer to reading than it is to writing. They are the readers of the world.» Ferdinando Scianna

Lucas


Nunca perdi a esperança e com toda a razão: o Lucas relançou a minha vida.

Da beleza

«A beleza mais emocionante é a mais evanescente», escreveu Susan Sontag, reforçando: «A permanência não é um dos atributos mais óbvios da beleza». Claro que não.
Paul Valery, por seu turno, afirmou: «A natureza da beleza é o não poder ser definida: a beleza é precisamente “o inefável”».
Muitos espíritos brilhantes escreveram sobre a beleza, mas o pensador francês tem razão: nunca ninguém a conseguiu explicar, apesar de toda a gente ser capaz de senti-la. Mesmo as pessoas mais horrorosas.
Por mim, tenho a beleza fácil. O que é uma maneira desajeitada de dizer que vejo beleza em quase tudo. Mas não em quase toda a gente, porque nas pessoas não consigo dissociar o físico da personalidade, a aparência dos actos e das palavras.
Como vejo beleza em quase todo o lado, posso ser, facilmente, um fotógrafo compulsivo (coisa que combato o mais possível, por razões que não são para aqui chamadas). Contudo, cada vez mais, a beleza que mais me comove é pouco evidente, discreta, ou mesmo secreta. Emociona-me especialmente aquela beleza em que pouca gente parece reparar.
Agora sim, estou a falar (também) de pessoas que, com frequência, são falsas feias ou falsas bonitas, pelo menos aos meus olhos.
Sim, a beleza é, antes de mais nada, uma questão de olhar. Sem olhos, pouca beleza haveria (razão pela qual a ideia da cegueira sempre me afligiu).

quinta-feira, 31 de março de 2011

Da paz e da liberdade


O que é a paz? E a liberdade? Talvez a liberdade seja a paz. Quem não tem paz não tem liberdade. Por outras palavras: se me deixassem em paz, talvez pudesse sentir-me livre.

Ao mesmo tempo


«Se a leitura me cativou como projecto, primeiro como leitora e depois como escritora, foi como uma extensão das minhas simpatias por outros eus, outros domínios, outros sonhos, outras palavras, outros territórios de interesse
A frase é de Susan Sontag e encontra-se no livro Ao Mesmo Tempo, recentemente editado pela Quetzal.
Mais à frente, ela afirma: «As palavras têm significado. As palavras apontam. São setas. Setas espetadas na pele dura da realidade. E quanto mais portentosas, mais gerais forem as palavras, mais se assemelham a salas ou túneis. Podem expandir-se ou desabar. Pode impregná-las o mau cheiro».
Há poucas experiências tão gratificantes como ler um grande livro. Ao Mesmo tempo é dessa ordem: tão admirável e envolvente que fiquei com imensa pena de chegar ao fim.
Editado postumamente, o livro reúne 16 conferências e curtos ensaios publicados nos últimos anos da sua vida. Nesse sentido, é um livro triste. Mas tão intenso que, frequentemente, senti a cabeça a arder.
Uma boa parte das páginas é dedicada a escritores que ela admirava: Pasternak, Rilke, Dostoievski e Coetzee, mas também autores menos conhecidos (Leonid Tsipkin, Anna Banti, Victor Serge e Halldor Laxness, nomeadamente). O seu amor por essas leituras é altamente contagiante e, claro, fiquei com vontade, ou melhor, com a necessidade imperiosa de ler todos os títulos que ela refere. A saber: Verão en Baden-Baden, de Leonid Tsipkin; Artemisia, de Anna Banti; O Mestre de Petersburgo, de Coetzee; L’Affaire Toulaev, de Victor Serge; Under the Glacier, de Halldor Laxness; Dom Casmurro, de Machado de Assis (quase tenho vergonha de confessar que ainda não li).
Noutros textos, Sontag reflecte sobre temas como a beleza, a liberdade, as traduções, a paz e a fotografia, com ideias tão penetrantes e convincentes que me fizeram sentir quão pequenino e limitado sou. De qualquer modo, as suas ideias mexem (profundamente) comigo. Por isso, este foi um daqueles livros que sublinhei abundantemente. E, como já disse noutra ocasião, sublinhar é a forma silenciosa que alguns leitores usam para aplaudir.
De resto, poucas vezes ouvi análises tão pertinentes e incisivas sobre a política norte-americana e acontecimentos como o 11 de Setembro ou a Guerra do Iraque. Para quem se interessa por política actual, estes ensaios deveriam ser, a meu ver, absolutamente obrigatórios.
Não restisto, aliás, a citar a passagem em que ela escreve: «Há algum tempo que deixou de existir qualquer diferença significativa entre democratas e republicanos; será melhor vê-los como dois ramos do mesmo partido.» Exactamente o mesmo que se poderia dizer do PS e do PSD!
Que falta (me) faz Susan Sontag!

domingo, 27 de março de 2011

As Cores da Infâmia


Quando o romance saiu, creio que em 1999, As Cores da Infâmia, foi objecto de salientes artigos na generalidade da imprensa francesa. Do «Le Monde» ao «Magazine Littéraire», passando pelo «Libération» e o «Nouvel Observateur», todos fizeram questão de entrevistar o autor e de lhe tecer os mais rasgados elogios. Uma consagração tardia para um escritor que lutava já contra o cancro na garganta que o mataria alguns anos mais tarde (faleceu em 2008).
Diz-se de alguns autores que ao longo da vida não fazem senão escrever o mesmo livro, uma e outra e outra vez ainda. É um pouco o caso de Albert Cossery, como sabem os leitores dos seus outros livros (todos publicados entre nós pela Antígona). Em As Cores da Infâmia voltamos a encontrar o cenário habitual dos seus romances (uma Cairo amorosamente ficcionada) e personalidades já familiares pois, para Cossery, as histórias não são senão belos pretextos para que as personagens exprimam ideias muito particulares sobre a nossa sociedade, que ele reputa de absolutamente patética e absurda, corrompida por falsos valores e opressões de toda a ordem.
É, pois, bastante fácil resumir a trama de As Cores da Infâmia. Ossama, a personagem principal é «um ladrão passavelmente fútil, mais preocupado com o lado divertido e incerto da aventura do que com os benefícios financeiros». Um dia, apropria-se de uma carteira bem recheada e fica assim, por acaso, na posse de uma carta altamente comprometedora para um empreiteiro sem escrúpulos (um dos seus edifícios ruiu, matando todos os seus moradores) e o irmão de um ministro, seu cúmplice na desonestidade. Sem saber o que fazer com tão «explosivo» documento, Ossama acaba por pedir ajuda a Nimr, o seu velho mestre na arte de aliviar o próximo, que por sua vez o leva ao cemitério, para conhecer Karamallah, um jornalista-filósofo que lá vive, recolhido do mundo, convencido de que «o único tempo precioso é o que o homem consagra à reflexão». O desfecho de tão burlesco enredo é tão divertido como inesperado.
A sucinta mas sumarenta narrativa lê-se de uma penada e com grande proveito, mais que não seja pelos sentenças que vamos colhendo pelo caminho. Por exemplo: «Não há nada de mais imoral do que roubar sem riscos. É o risco que nos diferencia dos banqueiros e dos seus émulos que praticam o roubo legalizado com a cobertura do governo». Ou esta outra: «O banditismo nas altas esferas é uma peripécia admitida em todas as nações do mundo. O povo já está habituado e até aplaude esse género de proezas». E finalmente: «A verdade não tem nenhum futuro, ao passo que a mentira é portadora de grandes esperanças».Quem, como Cossery, gosta de contemplar o caos em que vive o mundo, convencido que «neste mundo nada é trágico para um homem inteligente», encontrará neste livro bastos motivos de deleite.

sábado, 26 de março de 2011

CCB (ontem)




Auto-retrato com flores

Auto-retrato com a Raquel

Pura realidade


Quando era adolescente, tive um amigo com uma mania horrível. Sempre que passava por uma idosa, dizia-lhe: «Sabe o que ouvi dizer? Ouvi dizer que as velhinhas estão a morrer todas!».
Parece que ainda estou a ouvir a gargalhada alarve que soltava ao afastar-se. Eu ralhava com ele, mas ele não ligava nenhuma.
Agora que passaram mais de 40 anos, dou por mim a desejar que alguma rapariga atrevida lhe faça o mesmo que ele fazia às velhotas.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Das imagens


«As imagens são bonitas, não podemos passar sem elas, mas são também um tormento». Kafka numa carta para Felice

Improvável


Tomamos por improvável o que a nossa mente não entende. Mas também não entendemos a nossa mente…

Muros de Abrigo




No Centro de Arte Moderna da Fundação Gulbenkian, uma exposição retrospectiva de Ana Rocha, intitulada «Muros de Abrigo» evidencia uma clara obsessão por janelas, corredores e espelhos, assim como por mesas e cadeiras.
Em algumas obras parece sugerir que uma casa é, de alguma forma, composta por micro-paisagens e que o que se passa dentro de uma habitação é o espelho do que se passa fora dela. Se pensarmos bem, uma casa, ou uma propriedade, não é menos misteriosa do que uma floresta ou uma viagem de comboio, por exemplo. Até porque seja onde for que estivermos o que vemos condiciona o que sentimos e pensamos.
O que a exposição de Ana Rocha nos vem lembrar é que ser artista consiste, essencialmente, em reflectir o mundo, reflectindo sobre ele.
Do mesmo modo, através dos outros vemo-nos a nós próprios, pois no nosso rosto espreitam outros. Quando me vejo ao espelho, não vislumbro apenas os meus pais e avós, mas também os meus irmãos e os meus filhos. O que me leva a acrescentar: talvez o nosso rosto seja, de uma maneira misteriosa, uma «habitação» onde «residem» mais pessoas do que pensamos.
Tudo na obra de Ana Rocha remete para a memória, não somente de momentos passados, mas também de momentos futuros, pois como qualquer artista, ela deseja ardentemente que as suas «visões» se multipliquem em quem as vê. Mais do que sentimentos, estão aqui em jogo, pelo menos aos meus olhos, construções mentais. Não é à beleza que estas obras aspiram, mas à reflexão e disseminação.

Árvores



Que seria de mim
Se parasse de sonhar?

sábado, 19 de março de 2011

Dia do pai


Algumas pessoas admiram-se de eu ter sido pai aos 60 anos (61, para ser mais exacto). A esses, limito-me a responder: «Nunca estive tão bem preparado».

quarta-feira, 16 de março de 2011

Pura realidade

Nunca tive uma luta comigo mesmo, da qual tenha saído vencedor.

Novo provérbio

Morrer não custa. Custa é não saber morrer.

Do passado e do futuro


Quando era miúdo adorava ficção científica. Sonhava com o futuro e imaginava-o maravilhoso. Hoje, o passado parece-me bem mais apaixonante. É com o passado que sonho agora. Não com o meu, mas com o dos meus avós e dos avós deles. Se me dessem a escolher preferia viajar pelo passado do que pelo futuro, porque sei agora que o futuro não será tão maravilhoso como eu imaginava. Infelizmente, o homem não tem emenda e a única solução é o seu desaparecimento.

Dan Bejar/Nicolas Jaar



O nome da banda (Destroyer) e o título do disco (Kaputt) dão a ideia de que vamos ouvir, no melhor dos casos, um rock abrasivo ou mesmo apocalíptico. Nada de mais errado. O disco dos Destroyer, ou melhor, de Dan Bejar (na foto de cima) é uma delícia pop, com grandes canções melódicas e luminosas, que foram procurar inspiração nos anos 80. É, em todos os casos, uma das minhas mais felizes descobertas dos dois últimos meses, a par de Space Is Only Noise, de Nicolas Jaar (na segunda foto). Com os seus ritmos «downtempo» e constantes surpresas sónicas, o álbum deste nova-iorquino de origem chilena (que confessa gostar de fado e morna cabo-verdiana), mergulha-nos numa atmosfera perturbadora e hipnótica propicia ao sonho e ao devaneio, a que apetece voltar amiúde. Custa a crer que o rapaz tem apenas vinte e um anos.

terça-feira, 15 de março de 2011

Don DeLillo


Ponto Ómega, o novo livro de Don DeLillo abre (e fecha) com reflexões suscitadas por uma instalação de Douglas Gordon intitulada 24 Hour Psycho. O escritor viu-a no Moma de Nova Iorque, no Verão de 2006, e descreve-a com minúcia.
Tal como o título indica, a performance consistia em projectar o famoso filme de Alfred Hitchcock em câmara lenta, por forma à projecção durar exactamente 24 horas.
Absolutamente fascinado pela ideia do artista plástico, e pelos pensamentos que ela lhe suscita, DeLillo escreve: «É preciso muita atenção para vermos o que se passa na nossa frente. É preciso trabalho, um esforço dedicado, para vermos aquilo que os nossos olhos vão captando». Uma reflexão que subscrevo inteiramente. Mas a melhor definição do trabalho do fotógrafo, tal como eu o entendo, encontra-se já no final deste romance soberbo, na frase que diz: «Ver a essência do que existe e depois prepararmo-nos para o ver desaparecer.»
Pelo meio, há a história de um cineasta que quer rodar um documentário sobre um velho intelectual que colaborou com o Pentágono. Tudo se passa algures no deserto, entre estes dois homens e uma mulher que desaparece misteriosamente.
O essencial aqui, porém, não é a história, mas assistir a um pensamento em acto. Ver como as palavras, pouco a pouco, se vão convertendo em estados de espírito. Porque, como diz DeLillo, «a verdadeira vida tem lugar quando estamos sozinhos, a meditar, a sentir, perdidos nas nossas memórias, a vasculhar sonhadoramente no nosso inconsciente, os momentos submicroscópios».
Se é bem verdade, que eu leio para me imaginar a escrever, nenhum outro autor me dá esta sensação de, em cada frase, procurar ideias tão radicais e profundas, expostas com palavras incandescentes como carvão em brasa. Adoro DeLillo porque, a meu ver, ele escreve para além dos habituais limites do pensamento, procurando ver e sentir coisas que passam despercebidas aos demais.
Lendo-o, sou mais intensamente aquilo que sou. E, como ele próprio diz, isso é ainda mais estranho do que sonhar.

Japão

Assisto à catástrofe japonesa com uma tristeza infinita. As imagens que vejo na televisão trazem-me à memória um pensamento de Jacques Derrida: «Le monde après la fin du monde. Car chaque fois, et chaque fois singulièrement, chaque fois irremplaçablement, chaque fois infiniment, la mort n'est rien de moins qu'une fin du monde.»

domingo, 13 de março de 2011

Habibti

Um país à rasca









Inspirados numa canção dos Deolinda, e no exemplo da Tunísia e do Egipto, quatro jovens apelaram no Facebook a manifestações contra a política do governo. O movimento designado «Geração à rasca» reuniu pelo país todo mais de 300 mil manifestantes. Não apareceram só jovens, vi gente de todas as idades e também monárquicos, nacionalistas de extrema-direita, anarcas e os oportunistas do costume. Muito polícia à paisana também e muitos jornalistas, que são cada vez mais uma espécie de cães de guarda do sistema.
Foi, em todo o caso, a primeira grande manifestação espontânea que se organizou em Portugal e deve ter dado que pensar a alguns políticos profissionais. Toda a gente espera agora que esta onda de protesto não se fique por aqui, mas não estou nada optimista. Já ninguém parece lembrar-se do que são verdadeiramente os ideais da democracia, nem à direita nem à esquerda. Quanto aos jovens, estão completamente baralhados, só sabem que estão fodidos e não entendem porque não hão-de ter, pelo menos, as mesmas oportunidades que os seus pais.

terça-feira, 8 de março de 2011

Natacha Atlas


Nascida em Bruxelas, filha de uma inglesa (convertida ao islamismo) e de um egípcio (nascido em Jerusalém), Natacha Atlas é, há já alguns anos, uma das grandes divas da «world music». Sendo há muito seu fã, só agora tive ocasião de ouvir Mounqaliba, o disco que lançou o ano passado. Gravado em Londres com a colaboração de um número generoso de músicos árabes e ocidentais, com destaque para o violinista Samy Bishai e a pianista Zoe Rhaman, Mounqaliba (que quer dizer qualquer coisa como «estar do avesso, ou de pernas para o ar») é, infelizmente, desigual. Há temas que adoro, ao lado de outros que, francamente, só «empatam». Entre as canções cuja audição recomendo estão duas «covers»: «Riverman», de Nick Drake e «La nuit est sur la ville», de Françoise Hardy, ambos deliciosamente jazzy. Mas as composições mais conseguidas, aos meus ouvidos, pelo menos, são mais classizantes e orientalizadas. Refiro-me, nomeadamente a «Makaan» e «Taalet», que quase me fazem levitar.

Da morte

Não tenhamos medo de desaparecer. O mundo inteiro não tardará a seguir-nos o exemplo.

domingo, 6 de março de 2011

Praça do Comércio (ontem)



Auto-retrato com eléctrico



quarta-feira, 2 de março de 2011

Da morte

Na verdade não precisamos de pensar na morte: ela pensa por nós.

A sombra da morte


«Ninguém tem mais dificuldade em escrever que o escritor», dizia Antoine Blondin. Lionel Duroy, outro escrevinhador, afirmava: «Não escrever mergulha-me num estado de culpabilidade, como se perdesse o direito de respirar». Em contrapartida, Salinger afirmava: «Não ter que publicar, traz uma paz incrível. Adoro escrever, mas só para mim, para o meu próprio prazer».
Também eu adoro escrever para mim próprio. No fundo, escrevo para duas pessoas: para mim, claro, e para esse leitor ideal capaz de me ler melhor do que me leio a mim próprio.

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