terça-feira, 9 de junho de 2026
sexta-feira, 17 de abril de 2020
Escrito na trincheira (V)
Enquanto espero
Que espero?
Espero esquecer
Tudo o que perdi.
Espero estar condenado
Ao percurso mais longo.
Espero a todo o momento
Encontrar o poema que procuro.
Escrito na trincheira (IV)
Senta-te por um momento
E contempla no espelho
A tua cegueira.
Saber esperar é uma arte
Sem outro mistério
Que o da sua simplicidade.
Escrito na trincheira (III)
Escreve um verso
Depois descalça o sapato.
Aprender a falar sozinho
Pode levar muito tempo.
Escrito na trincheira
Abri os estores
E a janela hesitou.
Nesse instante ouvi
Um som cavo
E senti algo
Muito estranho:
Parecia alguém
A quebrar-se
Dentro de mim.
Fui à janela e vi
Os meus vizinhos
Procurando no lixo
Uma réstia de fé
Enquanto outros
(Meras sombras)
Fugiam de tudo
O que ainda mexia.
domingo, 15 de setembro de 2019
Da fotografia
Para ver bem é preciso tempo. É preciso vagar. É preciso ver e rever. Voltar mais do que uma vez aos mesmos locais é, muitas vezes, essencial para um fotógrafo.
Dito isto, a essência da fotografia, para mim, é ser misteriosa, na medida em que o que quer que seja que procure manifestar, o seu 'objecto' permanece invariavelmente por revelar. O segredo de qualquer fotografia depende sempre mais de quem a vê do que de quem a tirou.
Enquanto fotógrafo, o que procuro está para além da fotografia. É algo que não pode ser registado e isso é, precisamente o que faz o seu valor aos meus olhos. Pois o que queremos e não conseguimos obter ou lograr - o poder que não temos - é, talvez, o que melhor nos define.
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Da fotografia
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