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quarta-feira, 1 de junho de 2011
DeLillo
Mais uma frase de DeLillo que eu próprio poderia ter escrito: «Não faço ideia se o que estou a dizer faz sentido ou não. Tanto quanto sei, posso estar a falar uma língua estrangeira. Ou algo ainda mais maluco do que isso».
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Don DeLillo,
Ratner's Star
quinta-feira, 26 de maio de 2011
Ratner's Star
Em Ratner’s Star, o mais louco (ou deveria dizer lunático?) dos romances de Don DeLillo, encontrei várias ideias que também me passam pela cabeça. Como esta de que há escritores que não gostam de ser lidos. Que escrevem exclusivamente para si próprios, pois a tua relação com a escrita muda se pensas nos leitores. Ou num qualquer leitor. Como poderia alguém entender o teu eu profundo se tu próprio estás à procura dele, tacteando no escuro, enfiado no teu buraco?
É outra teoria de DeLillo: só num buraco, longe de todos os olhares e tentações, te podes descobrir verdadeiramente. Como a toupeira de Kafka, somos todos animais assustados, a tentar sobreviver e perceber o que nos aconteceu. Escondemo-nos para nos ver melhor e porque sabemos que o perigo é grande.
Como DeLillo, sei que a inteligência não traz necessariamente clarividência, nem certezas de nenhuma espécie. Aliás, quanto mais sabemos menos certezas temos. A ignorância cresce na exacta medida do conhecimento. Já Sócrates o declarava (o grego, não o imbecil que nos governa): quanto mais avanças na senda do conhecimento, mais consciência tens do que desconheces.
Outra pista aberta pelo livro de DeLillo: a verdade humana não interessa porque não é a verdade. Verdade é coisa de políticos, patrões, polícias, padres, cientistas e de quem acredita neles. O homem livre não acredita na verdade. Infelizmente, não há homens livres, pois acontece com a liberdade o mesmo que acontece com o conhecimento...
É outra teoria de DeLillo: só num buraco, longe de todos os olhares e tentações, te podes descobrir verdadeiramente. Como a toupeira de Kafka, somos todos animais assustados, a tentar sobreviver e perceber o que nos aconteceu. Escondemo-nos para nos ver melhor e porque sabemos que o perigo é grande.Como DeLillo, sei que a inteligência não traz necessariamente clarividência, nem certezas de nenhuma espécie. Aliás, quanto mais sabemos menos certezas temos. A ignorância cresce na exacta medida do conhecimento. Já Sócrates o declarava (o grego, não o imbecil que nos governa): quanto mais avanças na senda do conhecimento, mais consciência tens do que desconheces.
Outra pista aberta pelo livro de DeLillo: a verdade humana não interessa porque não é a verdade. Verdade é coisa de políticos, patrões, polícias, padres, cientistas e de quem acredita neles. O homem livre não acredita na verdade. Infelizmente, não há homens livres, pois acontece com a liberdade o mesmo que acontece com o conhecimento...
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