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terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Superstições



1

O homem foge da liberdade. Sem ter plenamente consciência disso, aprisiona-se a si mesmo indefinidamente.

O silêncio interior é um palco, mas para um único espectador.

Atenção: uma prisão pode ser um lugar de libertação. Quando a luz transborda, o inimaginável liberta-se.

A chave que abre as nossas cadeias está no fundo do lodo. É preciso mergulhar, uma e outra vez, até perder o fôlego, para ter alguma hipótese de a encontrar.

II

No muro da prisão, num buraco minúsculo, nasceu uma flor.

Certas ideias podem levar-nos muito longe. Sobretudo se optarmos pela obscuridade e a reclusão.

Não basta sofrer para escrever, é também preciso saber rir. Aprender a rir do nosso medo é, ou deveria saber, a nossa maior ambição.

III

Não há nada mais simples do que a ideia de beleza. Nem nada mais triste do que não encontrar beleza dentro de nós (os deuses são cruelmente semíticos, no que respeita à beleza dos seres humanos).

Como uma árvore refém dos seus pássaros, debato-me com os meus mortos. A vida é um exílio e a velhice um novo castigo.

IV

A velhice? Uma emboscada prevista. Uma esmola feita de agonia. Uma vingança cerzida numa acumulação de feridas.

A morte? Vai apanhar uma criança destruída, que não teve verdadeiramente tempo para crescer.

V

Viaja no vento um desejo de viagem maior que a vida.

No limiar de mais uma noite, uma árvore acolheu o meu olhar, com um estremecimento que me comoveu.

VI

Primeiro, a frase surpreendeu-me. A meio de um sonho, acordou-me. Atónito, decidi transformá-la num aforismo: "A morte não passa de uma superstição".

terça-feira, 24 de maio de 2011

Da beleza


Simone Weil: «Uma mulher muito bonita que olha a sua imagem ao espelho pode muito bem acreditar que é aquilo. Uma mulher feia sabe que não é aquilo.»

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Da beleza

«A beleza mais emocionante é a mais evanescente», escreveu Susan Sontag, reforçando: «A permanência não é um dos atributos mais óbvios da beleza». Claro que não.
Paul Valery, por seu turno, afirmou: «A natureza da beleza é o não poder ser definida: a beleza é precisamente “o inefável”».
Muitos espíritos brilhantes escreveram sobre a beleza, mas o pensador francês tem razão: nunca ninguém a conseguiu explicar, apesar de toda a gente ser capaz de senti-la. Mesmo as pessoas mais horrorosas.
Por mim, tenho a beleza fácil. O que é uma maneira desajeitada de dizer que vejo beleza em quase tudo. Mas não em quase toda a gente, porque nas pessoas não consigo dissociar o físico da personalidade, a aparência dos actos e das palavras.
Como vejo beleza em quase todo o lado, posso ser, facilmente, um fotógrafo compulsivo (coisa que combato o mais possível, por razões que não são para aqui chamadas). Contudo, cada vez mais, a beleza que mais me comove é pouco evidente, discreta, ou mesmo secreta. Emociona-me especialmente aquela beleza em que pouca gente parece reparar.
Agora sim, estou a falar (também) de pessoas que, com frequência, são falsas feias ou falsas bonitas, pelo menos aos meus olhos.
Sim, a beleza é, antes de mais nada, uma questão de olhar. Sem olhos, pouca beleza haveria (razão pela qual a ideia da cegueira sempre me afligiu).

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Da beleza

É fácil ser belo aos 20 anos, mas aos 70 já é outra conversa. Aos 70 pode ler-se no teu rosto o que foi a tua vida interior. É por isso que, para mim, não há beleza mais subtil e comovedora do que a dos anciãos.

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