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domingo, 15 de setembro de 2019

Da morte

O que evitamos
Não se desaparece
Nunca.

Escuta bem:
Sem paixão
A morte mata-nos.


terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Superstições



1

O homem foge da liberdade. Sem ter plenamente consciência disso, aprisiona-se a si mesmo indefinidamente.

O silêncio interior é um palco, mas para um único espectador.

Atenção: uma prisão pode ser um lugar de libertação. Quando a luz transborda, o inimaginável liberta-se.

A chave que abre as nossas cadeias está no fundo do lodo. É preciso mergulhar, uma e outra vez, até perder o fôlego, para ter alguma hipótese de a encontrar.

II

No muro da prisão, num buraco minúsculo, nasceu uma flor.

Certas ideias podem levar-nos muito longe. Sobretudo se optarmos pela obscuridade e a reclusão.

Não basta sofrer para escrever, é também preciso saber rir. Aprender a rir do nosso medo é, ou deveria saber, a nossa maior ambição.

III

Não há nada mais simples do que a ideia de beleza. Nem nada mais triste do que não encontrar beleza dentro de nós (os deuses são cruelmente semíticos, no que respeita à beleza dos seres humanos).

Como uma árvore refém dos seus pássaros, debato-me com os meus mortos. A vida é um exílio e a velhice um novo castigo.

IV

A velhice? Uma emboscada prevista. Uma esmola feita de agonia. Uma vingança cerzida numa acumulação de feridas.

A morte? Vai apanhar uma criança destruída, que não teve verdadeiramente tempo para crescer.

V

Viaja no vento um desejo de viagem maior que a vida.

No limiar de mais uma noite, uma árvore acolheu o meu olhar, com um estremecimento que me comoveu.

VI

Primeiro, a frase surpreendeu-me. A meio de um sonho, acordou-me. Atónito, decidi transformá-la num aforismo: "A morte não passa de uma superstição".

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Da morte

«A ideia da morte persegue o meu pensamento, como a sombra o meu corpo; e quanto mais forte a alegria, a luz, mais a sombra é negra.» André Gide, Diários, 1920

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Da morte

Ontem à noite, dei por mim a pensar que se é verdade que a ideia da morte é terrível, a morte em si talvez seja boa. Mais que não seja, é o repouso absoluto, o silêncio total, a eternidade enfim realizada.

domingo, 15 de abril de 2012

Da morte

Epicteto: «Se já está na hora de morrer, vou andando; se ainda não chegou o momento, vou almoçar, pois está na hora de o fazer. Depois morrerei. Como? Como convém a um homem que restitui o que não lhe pertence».

terça-feira, 8 de março de 2011

Da morte

Não tenhamos medo de desaparecer. O mundo inteiro não tardará a seguir-nos o exemplo.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Da morte

Na verdade não precisamos de pensar na morte: ela pensa por nós.

sábado, 20 de novembro de 2010

Derrida


«Não fiz as pazes com a inevitabilidade da minha morte e duvido que alguma vez venha a fazer. Nenhum dos meus pensamentos consegue libertar-se da consciência de que o meu fim se aproxima. É verdade que os acontecimentos terríveis que agitam o mundo ocupam um lugar no meu espírito, mas sempre ao lado deste medo da minha própria morte». Assim falava Jacques Derrida, em 2002, numa entrevista ao Los Angeles Weekly. Na mesma altura, ele afirmava que apenas meia dúzia de pessoas no mundo podiam entender a sua obra. Meia dúzia de pessoas já é muito bom, digo eu. Que uma só pessoa no mundo nos compreendesse verdadeiramente já seria genial.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Mergulho


A água está fria e hesito em mergulhar. «Só custa entrar», assegura a Raquel. É assim que imagino o momento da morte: só custa entrar.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Da morte


Durante muitos anos, Elias Canetti dedicou uma ou duas horas por dia a pensar e escrever sobre a sua pior inimiga: a morte. Como já aqui referi noutra ocasião, o Círculo de Leitores de Espanha editou recentemente um livro que reúne muitos dos seus apontamentos sobre o tema. A obra, intitulada, Libro de los muertos, reúne notas redigidas entre 1942 e 1988. Aproveitei a minha passagem por Maiorca para adquirir o livro, onde Canetti lembra que nem Deus tem o poder de salvar da morte um único homem. Por isso, na sua opinião, ela faz de nós escravos.
A certa altura, o escritor recorda, porém: «A maldição de ter que morrer deve ser transformada numa bênção: a de poder morrer quando viver se torna insuportável». Num outro momento, afirma que cada um de nós deveria poder ficar para sempre com a idade que escolhesse. É uma ideia que já me tinha atravessado a cabeça. Mas que idade escolheria eu? Já pensei muito no assunto para apenas concluir: a resposta não é fácil, cada idade tem as suas vantagens e inconvenientes. Por exemplo: sei que a maior parte das pessoas não compreenderá isto, mas prefiro ter 60 anos do que voltar a ter 20 e desaprender tudo o que aprendi entretanto.
O Libro de los muertos, que estou a ler muito devagarinho, suscita-me os mais diversos pensamentos e, claro, traz-me à memória muitos desaparecidos: nomeadamente os meus avós, o meu pai e o meu irmão que morreu prematuramente. Cheguei assim à conclusão que os «meus» mortos são-me preciosos, pois ajudam-me a viver. Não é por acaso que sonho tantas vezes com eles. Por isso, digo: as recordações são-nos tão necessárias como o oxigénio e a alimentação. Nenhum homem saberia o que fazer sem memória.

sábado, 10 de abril de 2010

Elias Canetti e a morte

«Sería bueno, a partir de cierta edad, volvernos cada vez más pequeños, año tras año, y recorrer hacia atrás los mismos peldaños que en otros tiempos fuimos escalando con orgullo». Sim, é verdade, era bom, a partir de uma certa idade, voltarmos a ser cada vez mais novos, ano após ano, até desaparecermos de vez. Há muito tempo que o penso, mas acabo de constatar que Elias Canetti também o pensava. A citação vinha no Babelia, o caderno cultural do El País, onde se dá conta da publicação, em Espanha, de um livro póstumo do Prémio Nobel de Literatura de 1981: Libro de los muertos. Apuntes 1942-1988. Como o título indica, trata-se de um conjunto de apontamentos que ele escreveu sobre o tema da morte. Tenho que ver se o arranjo.
E, para terminar, outra frase dele que subscrevo inteiramente: «Morre-se com demasiada facilidade; morrer devia ser muito mais difícil».

sábado, 12 de setembro de 2009

Da morte

Que nos espera depois da morte? É muito simples: ou tudo, ou nada!

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Da morte

A morte: um convite irrecusável.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Da morte

Pode não ser de todo assim,
Mas supõe que a morte vem
E é linda de morrer.

Imagina a surpresa.

Imagina que te ama
E te espera desde sempre,
Para te fazer feliz.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Da morte

Morrer é demasiado definitivo, não me convém. Já descansar eternamente é mais o meu género. Do mesmo modo, morrer não é suficientemente poético para mim. Prefiro simplesmente desaparecer.

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