Don DeLillo em Ponto Ómega: «A verdadeira vida não é redutível a palavras, faladas ou escritas, seja por quem for, nunca. A verdadeira vida tem lugar quando estamos sozinhos, a meditar, a sentir, perdidos nas nossas memórias, a vasculhar sonhadoramente no nosso inconsciente...»
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sexta-feira, 4 de outubro de 2013
quarta-feira, 1 de junho de 2011
DeLillo
Mais uma frase de DeLillo que eu próprio poderia ter escrito: «Não faço ideia se o que estou a dizer faz sentido ou não. Tanto quanto sei, posso estar a falar uma língua estrangeira. Ou algo ainda mais maluco do que isso».
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Ratner's Star
quinta-feira, 26 de maio de 2011
Ratner's Star
Em Ratner’s Star, o mais louco (ou deveria dizer lunático?) dos romances de Don DeLillo, encontrei várias ideias que também me passam pela cabeça. Como esta de que há escritores que não gostam de ser lidos. Que escrevem exclusivamente para si próprios, pois a tua relação com a escrita muda se pensas nos leitores. Ou num qualquer leitor. Como poderia alguém entender o teu eu profundo se tu próprio estás à procura dele, tacteando no escuro, enfiado no teu buraco?
É outra teoria de DeLillo: só num buraco, longe de todos os olhares e tentações, te podes descobrir verdadeiramente. Como a toupeira de Kafka, somos todos animais assustados, a tentar sobreviver e perceber o que nos aconteceu. Escondemo-nos para nos ver melhor e porque sabemos que o perigo é grande.
Como DeLillo, sei que a inteligência não traz necessariamente clarividência, nem certezas de nenhuma espécie. Aliás, quanto mais sabemos menos certezas temos. A ignorância cresce na exacta medida do conhecimento. Já Sócrates o declarava (o grego, não o imbecil que nos governa): quanto mais avanças na senda do conhecimento, mais consciência tens do que desconheces.
Outra pista aberta pelo livro de DeLillo: a verdade humana não interessa porque não é a verdade. Verdade é coisa de políticos, patrões, polícias, padres, cientistas e de quem acredita neles. O homem livre não acredita na verdade. Infelizmente, não há homens livres, pois acontece com a liberdade o mesmo que acontece com o conhecimento...
É outra teoria de DeLillo: só num buraco, longe de todos os olhares e tentações, te podes descobrir verdadeiramente. Como a toupeira de Kafka, somos todos animais assustados, a tentar sobreviver e perceber o que nos aconteceu. Escondemo-nos para nos ver melhor e porque sabemos que o perigo é grande.Como DeLillo, sei que a inteligência não traz necessariamente clarividência, nem certezas de nenhuma espécie. Aliás, quanto mais sabemos menos certezas temos. A ignorância cresce na exacta medida do conhecimento. Já Sócrates o declarava (o grego, não o imbecil que nos governa): quanto mais avanças na senda do conhecimento, mais consciência tens do que desconheces.
Outra pista aberta pelo livro de DeLillo: a verdade humana não interessa porque não é a verdade. Verdade é coisa de políticos, patrões, polícias, padres, cientistas e de quem acredita neles. O homem livre não acredita na verdade. Infelizmente, não há homens livres, pois acontece com a liberdade o mesmo que acontece com o conhecimento...
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domingo, 15 de maio de 2011
Torres Novas
«I'm not just this but more. There is something else to me that I don't know how to reach. Just outside my reach there is something else that belong to the rest of me. I don't know what to call it or how to reach it. But it's there. I am more than you know.» Don DeLillo, Ratner's Star
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terça-feira, 15 de março de 2011
Don DeLillo

Ponto Ómega, o novo livro de Don DeLillo abre (e fecha) com reflexões suscitadas por uma instalação de Douglas Gordon intitulada 24 Hour Psycho. O escritor viu-a no Moma de Nova Iorque, no Verão de 2006, e descreve-a com minúcia.

Tal como o título indica, a performance consistia em projectar o famoso filme de Alfred Hitchcock em câmara lenta, por forma à projecção durar exactamente 24 horas.
Absolutamente fascinado pela ideia do artista plástico, e pelos pensamentos que ela lhe suscita, DeLillo escreve: «É preciso muita atenção para vermos o que se passa na nossa frente. É preciso trabalho, um esforço dedicado, para vermos aquilo que os nossos olhos vão captando». Uma reflexão que subscrevo inteiramente. Mas a melhor definição do trabalho do fotógrafo, tal como eu o entendo, encontra-se já no final deste romance soberbo, na frase que diz: «Ver a essência do que existe e depois prepararmo-nos para o ver desaparecer.»
Pelo meio, há a história de um cineasta que quer rodar um documentário sobre um velho intelectual que colaborou com o Pentágono. Tudo se passa algures no deserto, entre estes dois homens e uma mulher que desaparece misteriosamente.
O essencial aqui, porém, não é a história, mas assistir a um pensamento em acto. Ver como as palavras, pouco a pouco, se vão convertendo em estados de espírito. Porque, como diz DeLillo, «a verdadeira vida tem lugar quando estamos sozinhos, a meditar, a sentir, perdidos nas nossas memórias, a vasculhar sonhadoramente no nosso inconsciente, os momentos submicroscópios».
Se é bem verdade, que eu leio para me imaginar a escrever, nenhum outro autor me dá esta sensação de, em cada frase, procurar ideias tão radicais e profundas, expostas com palavras incandescentes como carvão em brasa. Adoro DeLillo porque, a meu ver, ele escreve para além dos habituais limites do pensamento, procurando ver e sentir coisas que passam despercebidas aos demais.
Lendo-o, sou mais intensamente aquilo que sou. E, como ele próprio diz, isso é ainda mais estranho do que sonhar.
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