"... o termo de todas as nossas explorações será chegar ao local de onde partimos. E conhecê-lo pela primeira vez".
terça-feira, 16 de dezembro de 2014
quinta-feira, 4 de dezembro de 2014
Confissões e anatemas
Cioran, uma vez mais, numa tradução muito livre (como deviam ser todas):
"Há assuntos que filósofos deviam evitar. Desarticular um poema como se desarticula um sistema é um crime, para não dizer um sacrilégio."
(…)
"Tratando-se de pêsames, tudo o que não é lugar-comum raia a inconveniência ou a aberração."
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"Há um pouco de charlatão em todo aquele que tem sucesso, seja em que área for."
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"O seu destino foi realizar-se pela metade. Tudo estava truncado nele: tanto na sua maneira de ser como de pensar. Um homem de fragmentos, fragmento ele próprio."
(…)
"É imensa a distância entre um destino e uma profissão."
(…)
"Uma palavra dissecada já não significa nada. Não é nada. Como um corpo que, depois de autopsiado é menos do que um cadáver."
(…)
"A idade simplifica tudo. Na biblioteca peço quatro livros: dois têm a letra demasiado pequena, abandono-os sem sequer os examinar; o terceiro, demasiado… sério, parece-me ilegível. Trago o quarto, sem grande convicção."
(…)
"O homem encontra-se algures entre o ser e o não-ser. Entre duas ficções."
(…)
"Passar do desprezo ao desprendimento parece fácil. No entanto, mais do que uma transição é uma façanha, um triunfo. O desprezo é a primeira vitória sobre o mundo; o desapego a última, a suprema. O intervalo que as separa é similar ao caminho que vai da liberdade à libertação."
(…)
"O homem vai desaparecer: era até agora a minha firme convicção. Entretanto mudei de opinião: o homem deve desaparecer."
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Cioran
Cioran
De uma entrevista com Cioran:
Aceitei, logo à partida, o princípio da contradição. Nunca tentei ser consequente comigo mesmo.
(…)
Para mim, o importante sempre foi a sensação. Uma ideia que não seja uma sensação é uma ideia sem vida. Por isso, renunciei muito cedo aos filósofos e aproximei-me dos escritores.
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Toda a minha vida fugi das responsabilidades. Fui um irresponsável em tudo. Nunca tive uma visão de futuro.
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Cioran,
Jardim da Estrela
Les renards pâles
“Car le travail, que son discours nous présentait comme une «obligation républicaine», comme une «valeur» susceptible, disait-il, de «sauver le pays», n’existait tout simplement plus : on nous encourageait à travailler alors même qu’il n’y avait plus de travail. Les gens que je croisais avaient tous été licenciés, tous ils avaient été poussés dehors, ils végétaient parce qu’on les avait exclus du travail. Si bien que lorsque le «nouvel élu» répétait le mot «travail» en feignant d’y voir la solution à tous les problèmes, il nous rappelait surtout que nous étions, les uns et les autres, dans une impasse, et combien il était facile de nous contrôler. Je me disais : il y a ceux qui se tuent au travail, et les autres qui se tuent pour en trouver un — existe-t‐il une autre voie ?”
(...)
“...où ceux dont l’existence est récusée par l’économie trouveront une parole, alors la politique existera de nouveaux."
(...)
“Le monde n’est pas complètement asservi. Nous ne sommes pas encore vaincus. Il reste un intervalle, et, depuis cet intervalle, tout est possible.”
(...)
“Le sens de la révolution consiste toujours à sortir de l’esclavage.”
Excertos de: Yannick, Haenel. “Les renards pâles.” Editions Gallimard, 2013
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“...où ceux dont l’existence est récusée par l’économie trouveront une parole, alors la politique existera de nouveaux."
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“Le monde n’est pas complètement asservi. Nous ne sommes pas encore vaincus. Il reste un intervalle, et, depuis cet intervalle, tout est possible.”
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“Le sens de la révolution consiste toujours à sortir de l’esclavage.”
Excertos de: Yannick, Haenel. “Les renards pâles.” Editions Gallimard, 2013
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Yannick Haenel
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