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sexta-feira, 7 de agosto de 2009

The Niagara experience







As cataratas do Niagara são, como se sabe, umas das atracções turísticas mais populares da América do Norte (fala-se de cerca de 14 milhões de visitantes anuais). Para mim era impensável estar ali tão perto e não dar lá um salto, apesar do Oscar Wilde ter escrito que «o Niagara é a segunda grande decepção da recém-casada».
A mim não me decepcionaram. As cataratas são bonitas e imponentes.
A primeira com que deparei foi logo a seguir à ponte que liga o Canadá e os Estados Unidos. Chamam-lhe «Véu de Casamento», fica do lado americano e tem 64 metros de altura por 340 de largura. A segunda catarata (dita da Ferradura) é menos alta (50 metros), mas mais larga (800 metros), debitando uma média de 170 mil metros cúbicos de água por minuto.
As cataratas podem ser vistas de frente, de cima (helicóptero), de baixo, de lado e até por detrás (contei pelo menos 15 agências que propõem diversos modos de gozar o espectáculo). Porém, para mim, a melhor maneira de as sentir é embarcar num dos vários «Maid of the Mist» (Noivas da Névoa), barcos que lembram os antigos cacilheiros e que levam as pessoas até muito perto do local onde toda aquela água cai com um ribombar colossal, elevando no ar uma verdadeira coluna de névoa.
O mínimo que posso dizer é que nunca esquecerei os momentos em que estive envolto em bruma, som e fúria, aos pés da Deusa, sentindo no rosto as suas lágrimas torrenciais. Ouvi com o corpo todo o pranto feliz que lhe dá existência, e aquela molha (apesar do impermeável que nos fornecem, ficamos completamente encharcados) lavou partes da minha alma que nem eu sabia existirem. Foi como se tivesse sido baptizado de novo, desta vez pela própria Natureza. Durante alguns momentos não havia barco, nem pessoas, só eu e aquele remoinho compulsivo dentro de mim, cobrindo-me de carícias molhadas. Foi um dos momentos mais eufóricos da minha vida e tinha que evocá-lo aqui de novo.

Nas Rochosas



No trilho que conduz ao glaciar, um esquilo, de repente, atravessa-se à nossa frente. É lindo e fofo e livre. O seu território é magnífico e imagino-me na sua pele enquanto o observo.
Será que tem predadores?
Uma hora mais tarde, são uns pássaros que chamam a minha atenção. Acho que são quebra-nozes, mas não tenho a certeza. Também eles são bonitos, mas não parecem muito simpáticos uns com os outros. Uma mulher atira-lhes pedaços de bolacha e assustam-se uns aos outros para apanhar os melhores bocados. Tal como os homens, têm que fazer prova de esperteza e mostrar-se mais fortes para conseguir alguma coisa.
Que vida!
Vêm-me à memória os menonitas que vi em Miette Hot Springs. Que gente tão estranha e fascinante. Eram várias famílias e todas tinham o mesmo ar rude e infeliz (impressão minha?).



Eles rosados, robustos, com aquele ar típico de lavradores, de gente que vive da terra e da leitura da Bíblia. Elas com uma touca ou um lenço na cabeça, envergando vestidos compridos muito simples. Pormenor engraçado: as filhas usam exactamente as mesmas roupas das mães, enquanto os rapazes são reproduções em miniatura dos pais.
Não posso deixar de reparar que a cada família corresponde um jipe ou uma carrinha com uma caravana atrelada. E que há caravanas e carros bem melhores do que outros. Por mais religiosos ou comunitários que sejam os homens, haverá sempre uns mais iguais do que outros. Os menonitas não parecem ser excepção.
Morrerei sem ter compreendido a estupidez humana. Não me parece que haja verdadeira inteligência no mundo e o significado da palavra consciência tem que ser muito relativizada.
Como seria o mundo se a proporção fosse completamente invertida e que as pessoas fossem, na sua maioria, sábias ou santas? Como seria um universo onde o bem e a solidariedade fossem a regra?
Será que num universo paralelo, Deus conduz experiências diferentes? Se existe, é bem provável que tenha criado uma infinidade de universos paralelos com realidades completamente diversas e que se entretenha a fazer comparações.
Estou a delirar! É sem dúvida por influência destas montanhas esmagadoras, destas florestas impressionantes que me rodeiam. A sua grandeza, a sua beleza estimula a minha imaginação. Na verdade, exaltam-me.



De súbito, dou por mim a pensar que gostaria de ser uma árvore no meio das outras. Ter esquilos a trepar por mim acima, sentir os pássaros a esvoaçar dentro de mim, balançar ao sabor do vento e meditar sem fim. Mas até para ser árvore é preciso ter sorte. Não gostaria de ser uma árvore numa rua de Lisboa, por exemplo. A ser árvore, que fosse aqui nas Rochosas, neste vale aos pés do Monte Edith Cavell, onde o ar é puro e os visitantes se mostram civilizados.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Recordações de uma viagem








Um rei chinês, citado por Thoreau, tinha escrito na sua banheira: «Renovai-vos completamente em cada dia». Em verdade vos digo: é mais fácil fazê-lo quando estamos longe de casa.

Winnipeg






Os comboios que atravessam o Canadá páram sempre em Winnipeg, para reabasteimento e, eventualmente, mudar a tripulação. É que a cidade fica mais ou menos no centro do país. Colonizada por ucranianos, russos, menonitas, italianos, gregos e polacos, Winnipeg chegou a ser considerada, no início do século XX, a Chicago canadiana.
Como a estação de comboios fica mesmo no centro, aproveitámos (a Raquel, o Luis Maio e eu) uma paragem de três horas para ir tirar uns bonecos! Como as ruas estavam desertas (era fim de tarde), fotografámos essencialmente edifícios.

Cowboys







Quando se deixam as Montanhas Rochosas canadianas em direcção a Leste chegamos à zona das pradarias e começamos a ver ranchos, cowboys e índios. No entanto, mal entramos em Edmonton (capital da província de Alberta) percebemos que o tempo afinal não parou e que estamos mesmo em pleno século XXI.
Já aqui falei do maior centro comercial do mundo, que se encontra precisamente nesta cidade, mas vejam a fotografia do Art Gallery of Alberta (AGA): parece que um avião se esborrachou contra a fachada. Mas não: é só estilo! O novo edifício (no Winston Churchill Square), desenhado pelo arquitecto Randall Stout, vai permitir duplicar a superfície para exposições, devendo ser inaugurado no princípio de 2010.

Praias botânicas







Encontram-se na Ilha de Vancouver muitas árvores com 400 ou mesmo 500 anos. Algumas já existiam quando a Europa estava a sair da Idade Média. É impressionante pensar nisso, enquanto se percorrem os trilhos abertos à beira-mar.

Ilhas no céu







A ilha de Vancouver tem, mais ou menos, o tamanho da Holanda e perto de 800 mil habitantes. Para lá ir apanha-se um ferry que ziguezagueia no meio de várias ilhas menores, todas arborizadas, onde alguns sortudos têm casas magníficas. A travessia é um espectáculo e para que todos possam beneficiar dele, o barco possui janelas imensas, como se pode ver nas fotografias.

Canadá by train







São quatro noites de Vancouver a Toronto de comboio. As couchettes são a um preço proibitivo (pelo menos para mim), pelo que tivemos que dormir sentados. Não é muito confortável, nem há a possibilidade de tomar duche (em económica), mas a paisagem que vai desfilando pelas janelas vale todos os sacrifícios. Há, de resto, carruagens panorâmicas, com o tecto envidraçado, para se ver melhor a paisagem. As refeições a bordo também são bastante boas e relativamente baratas (12 dólares canadianos). Na zona do bar, há filmes e concertos, de vez em quando.
Para os ricos, há um outro comboio que liga Vancouver a Jasper, atravessando as Rochosas. Chama-se precisamente Rocky Mountanaieer e só circula entre Maio e Outubro. Como este comboio especial só viaja de dia, para não se perder nada do espectáculo oferecido pelas montanhas (picos de neve, cascatas, canyons, glaciares, florestas a perder de vista, ursos á solta, etc), a viagem inclui uma noite de hotel em Kamloops.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Reflexos



Niagara








Cabelos

Vermelho vivo




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