terça-feira, 16 de outubro de 2018
Da leitura
Como autor, acho que o mais fascinante de um livro é, talvez, aquilo que ele me esconde. Por outro lado, o que procuro nos livros dos outros é, muitas vezes, aquilo que só eu poderia lá encontrar. Revelações sobre mim próprio, vislumbres do que eu poderia ter sido, restos do que fui e tinha esquecido. Os livros que mais gozo me dão são, naturalmente, aqueles que eu gostaria de ter escrito. Aqueles que “escrevo” à medida que os vou lendo.
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Cartazes
terça-feira, 7 de novembro de 2017
Arte poética
1
A solidão é um livro.
Compete-te fazê-la falar.
2
Abre o livro.
Fecha a porta.
Abre-te.
3
Pensa.
Lê-te.
Arde.
4
Procura o incêndio.
Encontrarás o que te queima.
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Da poesia
Migalhas
Estou a reler os aforismos de Kafka. É como estar debaixo da mesa onde ele está a petiscar, para me alimentar das migalhas que deixa cair no chão.
quinta-feira, 28 de setembro de 2017
Autumn leaves
Listening to the music
Of the autumn leaves
Gone with the wind
I see you seeing me
Getting old and sad
Ancient song
Sometimes I go
On top of a tree
To tell my story
To the birds
In these lost moments
I take the elevator
Of my memory
And go down
As deep as I can
Questioning my hopes
And fears to find out
What is all about
And when it's time
To come to my senses
I walk in the timeless
Streets of my mind
In a shadow of an angel
With no desires or tears
Hoping to disappear for good
In one of my poems
On top of a tree
To tell my story
To the birds
In these lost moments
I take the elevator
Of my memory
And go down
As deep as I can
Questioning my hopes
And fears to find out
What is all about
And when it's time
To come to my senses
I walk in the timeless
Streets of my mind
In a shadow of an angel
With no desires or tears
Hoping to disappear for good
In one of my poems
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Song
quarta-feira, 27 de setembro de 2017
As etapas da morte
As etapas da morte, segundo um artigo que li num jornal inglês: "First hunger and then thirst are lost. Speech is lost next, followed by vision. The last senses to go are usually hearing and touch"
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As etapas da morte
Para Sandro Penna
Nada e, no entanto, ouço uma canção. Vejo as janelas que fugiram e penso: lágrimas são sementes perdidas para sempre. Contra um muro, algo estremece, sem acordar. A beleza do mundo não me deixa mentir.
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Poema,
Sandro Penna
Da fotografia
"Não é o fotógrafo que faz a fotografia, mas a pessoa que está a ser fotografada", terá dito o Sebastião Salgado. Já a Mary Ellen Mark afirmava: "Fotografa o mundo tal como ele existe. Nada é mais interessante do que a realidade".
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Da fotografia
Corpo a corpo
não consigo dizer corpo a corpo
sem pensar em nós
no intervalo entre nós
no intervalo entre as palavras também
e no abismo onde caímos
quando não nos damos bem
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Poema
Tudo o que sou
estou na cidade como noutra idade
com esta ausência lenta que aqui se vê
percorro ruas e cadernos
à procura das mesmas coisas
tudo o que vejo sonho
tudo o que sonho sou
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Poema
Do futuro
quanto mais envelheço
menos sei fazê-lo
o meu corpo não me perdoa
nada do que lhe fiz
quanto ao futuro só deus sabe
o sarilho em que me meti
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