terça-feira, 31 de agosto de 2010

Webcam snapshot

Canino


Fui, finalmente, ao King ver Canino e não me arrependi. É muito raro ver filmes gregos e fui cheio de curiosidade. O filme surpreendeu-me, é claro, não apenas pela sua violência e crueldade, mas também pela crueza com que foi filmado (há inclusivamente cenas de sexo puro e duro).
A história pode ser assim resumida: Um casal isolou os seus filhos do mundo. Em volta da casa onde vivem, longe de tudo e todos, erigiu um muro alto e faz-lhes crer que lá fora correriam perigo de vida. De resto, mentem-lhes constantemente e a única pessoa do exterior que tem acesso à casa, trabalha para o pai e vai lá uma vez por semana (de olhos vendados) para o filho dar uma queca.
Estamos aqui num universo absolutamente delirante, onde um simples gatinho é visto como um animal feroz e onde os aviões que passam no céu se transformam em brinquedos que caem no quintal, para já não falar das cenas de pesca submarina dentro da piscina.
Estou certo de que alguns considerarão esta obra do realizador Yorgos Lanthimos uma fascinante tese sobre o autoritarismo e a educação. Outros preferirão considerá-la uma espécie de estudo sociológico e psicológico sobre uma família completamente alienada. Para mim, o filme propõe, sobretudo, uma experiência voyeurista, pondo em cena um pai supremamente sádico que, com a complacência e cumplicidade da mulher, educa os filhos na mentira e no terror, não tanto para os proteger do mundo mas para tornar a sua insípida vida mais interessante.
Apesar das cenas terríveis, de uma crueldade e violência por vezes quase insuportável, retive sobretudo os momentos em que me ri a bandeiras despregadas do absurdo das situações ou dos diálogos. Resumindo, diria que Canino é um filme generoso, na medida em que quer chocar e fazer reflectir, mas piscando-nos o olho constantemente. Levá-lo demasiado a sério não lhe faz justiça, na minha opinião, e a sua malícia é mesmo a sua faceta mais simpática.
Uma coisa é certa: tão depressa não tereis oportunidade de ver um objecto fílmico tão singular como este. É o anti-Toy Story por excelência.



domingo, 29 de agosto de 2010

Plácido domingo


Do casamento

«Num bom casamento, cada um se torna o guardião amoroso da solidão do outro». A frase é de Rilke e não podia concordar mais.

Baixa (ontem)

sábado, 28 de agosto de 2010

Haiku visual


Quase um poema
quase sem palavras.

Gulbenkian (ontem)

A good advice

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

La Danse



Parque das Nações (hoje).

Campolide (hoje)


A primeira foto foi tirada da janela da sala.
A segunda, da varanda do escritório.

Quando olho para as minhas fotos, com olhos de ver, não vejo a realidade, mas o ponto de partida para uma «microficção». Por isso, nunca vejo a mesma foto duas vezes.
De cada vez que a vejo, o mundo mudou, eu mudei, e nada jamais será como dantes.
Com o tempo, todas as imagens ganham novos significados. Mesmo, ou sobretudo, as mais banais.
De resto, o que é a banalidade senão aquilo que não vemos realmente?

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Che

Tomar (ontem)



Auto-retrato com candeeiro


Nos meus auto-retratos não me exponho. Escondo-me. É o meu reflexo, a minha sombra ou o meu fantasma que procuro desmascarar. O que o meu olhar procura é, sempre, o que não conseguirei ver.

Totens


terça-feira, 17 de agosto de 2010

Mergulho


A água está fria e hesito em mergulhar. «Só custa entrar», assegura a Raquel. É assim que imagino o momento da morte: só custa entrar.

Minimal animal


Estou numa esplanada e vista daqui, da sombra, a cidade parece-me sobreexposta. A luz é tanta e tão crua que quase não consigo distinguir o que se passa no passeio em frente. No entanto, a esplanada está quase em cima da rua. Os carros passam mesmo ao nosso lado e o seu escape chega a confundir-se com o fumo dos cigarros das três raparigas que cacarejam na mesa ao lado da minha.
Uma delas, de vez em quando, observa-me de soslaio. Apetece-me dizer-lhe: «A imagem que vês, vê-te». Não sei rigorosamente nada dela, mas percebo que ainda não tem trinta anos e que se veste como se quisesse fazer crer que tem mais dinheiro do que na realidade tem. Curiosamente, as unhas, muito compridas, estão pintadas de azul-bebé, a mesma cor da t-shirt que traz vestida. Pergunto a mim próprio se tem muita roupa daquela cor ou se vai pintando constantemente as unhas conforme o que veste.
Nunca saberei o que ela pensa de mim, quando me observa. Por isso, digo a mim próprio: «Somos imagens sem conteúdo. Quem nos vê, empresta-nos algo que não temos. Só Deus sabe quem somos».
Um tal pensamento faz-me sorrir, mas é, muito provavelmente, um sorriso amarelo. Como eu gostava de ser mais inteligente, mais profundo, e ter pensamentos mais elaborados e originais!
Dito isto, concebo perfeitamente a ideia de passar a eternidade a relembrar a minha vida nos seus mais ínfimos detalhes. Concluo: «Só um tempo sem fim permitiria procurar esgotar completamente a soma de tudo o que vivi e pensei até hoje».

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Baixa, ontem à noite


sábado, 14 de agosto de 2010

Praça do Comércio


Adoro sentir-me um turista na própria cidade onde vivo. De facto, considero a vida uma viagem sem fim. Chegar ao destino é apenas partir para outra. Nem a morte me há-de parar.

Linha d'água


A minha esplanada preferida.

Praça do Comércio

Sombras

Robert Walser

Mais uma magnífica frase do escritor suiço: «Depuis que j’ai capitulé devant le temps, je sens vivre en moi quelque chose, une sérénité ardente et merveilleuse.»

Sabedoria popular

Cada dia é uma vida inteira, resumida.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Campolide





Lisboa, ontem e hoje





Primeiras fotos tiradas com a minha «nova» FM3A.

sábado, 7 de agosto de 2010

Cais do Sodré

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Albufeira

Descartes e o haxixe

«Penso, logo existo». Quem não conhece esta máxima de Descartes? Quanto a mim, li, evidentemente, há muitos anos, O Discurso do Método e também as Meditações Metafísicas, mas não retive grande coisa, para dizer a verdade. Sobre a sua vida sabia muito pouco, mas achava simpático que o homem gostasse tanto de dormir (dizia-se que dormia 10 horas por dia) e que preferisse sonhar a escrever. Publicou muito poucos livros se formos a ver e chegou a afirmar: «temo mais a fama do que a desejo».
Descartes deixou, com efeito, mais cartas do que livros e mais livros por terminar do que obras completas. Um dos seus biógrafos vai mesmo ao ponto de afirmar que ele sempre odiou a ideia de ter que publicar apara ser reconhecido como o grande pensador que efectivamente era.
Muito recentemente, quase sem querer, li um livrinho delicioso sobre o filósofo francês. Intitulado Descartes et le Cannabis, foi escrito por um tal Frédéric Pagés e está publicado na colecção «Mille et une nuits», uma colecção deliciosa de livrinhos minúsculos que se lêem em menos de meia-hora.
Em meia-dúzia de páginas, o autor conta a história de Descartes que viveu a maior parte da sua vida de adulto na Holanda e não em França como seria de esperar. Sem nunca o afirmar cabalmente, Pagès dá a entender que uma das razões para este facto curioso, que nunca ninguém conseguiu explicar convenientemente, pode ter sido o gosto de Descartes pelo tabaco, ou mais exactamente pelo haxixe, mas também pela liberdade. Já no tempo dele, a Holanda era um país muito mais tolerante e aberto que do que a França.
A tese é curiosa e se não é verdadeira, muitos dos argumentos avançados por Pagés dão que pensar. Uma coisa é certa: diverti-me a valer com este livrinho que me custou a módica quantia de dois euritos.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Restauradores

Praça do Comércio

Avenida da Liberdade


Camões


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