quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Antequera


Das várias cidades que visitámos no nosso périplo andaluz, uma das que mais me marcou foi, sem dúvida, Antequera. É um local que vale definitivamente a pena visitar. Por todo o lado são visíveis os vestígios das colonizações romanas, godas e árabes, mas o mais impressionante é o incrível património arquitectónico renascentista e barroco. Os inúmeros palácios e mansões, espalhados por todo o centro histórico, testemunham da antiga grandeza da cidade.
Nos arredores de Antequera encontram-se também vários dolmens (talvez dos mais importantes da Europa), assim como o Torqual, uma zona na Serra que alberga milhões de rochas moldadas pela erosão, sobre as quais já falei noutra altura.
Há uma última razão para que nunca mais esqueça Antequera: a fascinante montanha em forma de perfil humano que via da janela do meu quarto de hotel.

Maomé

Ao ler um texto esquecido de Swift, deparo com esta história deliciosa, que resumo por palavras minhas:
quando Maomé foi para o céu, propuseram-lhe carroças de fogo, cavalos alados, liteiras carregadas por anjos. Ele recusou isso tudo, preferindo ir no seu burro.
O que me traz à memória, uma frase que o mesmo autor escreveu um dia, presumo que pensando em políticos muito semelhantes aos que temos hoje: «Não é preciso ser muito arguto, para descobrir sob a pele do leão, um burro amedrontado» (cito de memória).

Desabafo

Obstinadamente, procuro as palavras essenciais. Em vão. Tudo o que resta da velha inspiração, é esta respiração hesitante a que não ouso chamar poesia.

Pôr do sol (visto da minha janela)

Sonho andaluz

A família está toda reunida, num restaurante que não conheço. No meio da confusão, apercebo-me que um dos meus sobrinhos está a chorar. Chamo-o à parte, para conversarmos, e ele explica-me porque gosta de uns primos e de outros não. Nessa altura, chega uma miúda da idade dele para o desafiar a ir brincar e ele responde, muito sério: «Não vês que estou a falar com o meu tio?».
Algumas pessoas ouvem esta réplica e aplaudem, o que deixa o meu sobrinho envergonhado.
Decido, então, convidar os miúdos todos a ir a minha casa, para ver um DVD. Mal entramos, contudo, deparo com a Ana Soromenho (uma ex-colega do Expresso) a chorar. «O meu irmão morreu», diz ela apontando para a casa de banho e, com efeito, está um cadáver na minha banheira.
Em estado de choque, digo à Raquel: «Leva imediatamente as crianças daqui para fora». Mas antes que ela tenha tempo de reagir, acordo.
Algeciras, 4 de Setembro de 2010

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Matthew Dear


Confesso que não conhecia Matthew Dear e que foi graças à Pitchfork que descobri o seu mais recente álbum, Black City. «Honey», o primeiro tema do disco surpreendeu-me imediatamente, com a sua cadência quase soturna. A voz cavernosa, o crescendo muito bem ritmado, a sobreposição de sonoridades envolventes, tudo me cativou. Um pouco mais «luminoso», «I can’t feel», o tema seguinte, pôs-me a abanar o capacete e a bater o pé com um sorriso nos lábios. Fiquei impaciente para ouvir o resto e passei à frente. «Little People (Black City)» não me desiludiu. Uma vez mais a electrónica estava ao serviço de um som orgânico, dançante e circular, no qual adorei deixar-me enredar. Pensei: «É tecno mas com vocação pop; tem «groove», «soul», um «feeling» bestial». Estava conquistado.
«Slowdance», a quarta faixa» é mais surpreendente. De início não se percebe onde quer chegar, mas quando entra a voz, a música volta a correr nas nossas veias, deliciosamente sombria e hipnótica. «Soil to seed» tem uma batida e um ritmo que me trouxe à memória os saudosos Morphine, não sei porquê. Tudo o que sabia, por essa altura, é que este disco não ia sair tão cedo do meu MP3. E ainda não tinha ouvido «You put a smell on me», seguramente o tema mais forte do álbum, com um ritmo obcecado e obsessivo, onde uma voz arrancada ao inferno nos arrasta para uma pista de dança (não sei se dança será a palavra certa) que só existe nas nossas cabeças e entranhas. Para mim, pelo menos, foi como um mergulho numa qualquer cerimónia vudu, onde eu estivesse sozinho com os fantasmas do Matthew Dear (já agora, que nome extraordinário!).
As canções seguintes (cançõesnão é seguramente é a palavra certa), «Shortwave», «Monkey» e «More surgery» é mais do mesmo: ou seja, música espantosa, nocturnal, mas de uma forma luminosa, tão contrastante como exaltante. Tudo acaba em beleza com «Gem», uma espécie de «torch-song» que talvez os Pink Ployd não desdenhassem. Só vos digo: há já algum tempo que não ouvia um disco que me arrebatasse tanto.

domingo, 19 de setembro de 2010

Tarifa (Espanha)




Jerez de la Frontera (Espanha)

Écija (Espanha)

Carmona (Espanha)




Auto-retrato em Granada

Alcalá de Guadaira (espanha)

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Ronda

Para além das praias da Costa de la Luz e de Granada, um dos nossos objectivos principais era visitar Ronda que nenhum de nós conhecia. Em boa verdade, no nosso périplo, vimos cidades mais bonitas, mas não há em Espanha muitos lugares mais espectaculares do que a enorme falha que divide Ronda ao meio.
Como se sabe, a cidade está assente sobre uma meseta rochosa dividida em duas partes por um precipício conhecido como El Tajo de Ronda (penhasco de Ronda), por onde passa o rio Guadalevin. Lá de cima da ponte, a vista é brutal.
Principalmente na zona antiga, conhecida como La Ciudad, Ronda tem alguns monumentos dignos de uma visita, como, por exemplo, a Igreja Matriz, o Palácio de Mondragón, o Palácio do Marquês de Salvatierra, a Casa del Rey Moro e a casa do Gigante. Mas o mais interessante em Ronda é perder-se nas ruelas, onde nos aguardam gratas surpresas, e apreciar as vistas panorâmicas, nos seus vários miradores.
Diz-se que a praça de touros de Ronda é uma das maiores e mais antigas do mundo, sendo um dos locais onde nasceram as toradas. Mas era preciso pagar para a visitar e não estivemos para isso.
 




 

Torqual


Um dos sítios mais espectaculares omde estivemos, no nosso périplo andaluz, foi no Torqual, nos arredores de Antequera. Um local mágico, no meio da montanha, onde a lenta e prolongada erosão provocada pela água, o gelo e o vento talharam nas rochas formas caprichosas, «dramáticas», como se pode ver nas fotografias.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Ronda (Espanha)

Jerez de la Frontera (Espanha)

Granada (espanha)

Antequera (Espanha)

Gibraltar

Tarifa (Espanha)

Vejer de la Frontera (Espanha)

Cádiz (Espanha)

Aracena (Espanha)

Beja

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