sábado, 30 de outubro de 2010

Pensamento do dia

Todo o artista se alimenta maios dos seus aspectos negativos do que dos positivos.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Pensamento do dia

Devíamos viver o nosso pensamento como os surfistas desfrutam o mar. Dito isto, por vezes, consigo “surfar” nas minhas inquietações. E é verdade que, ocasionalmente, isso pode ser assustador, mas também terrivelmente excitante. Como um surfista, passo a vida a voltar atrás, sempre na esperança de apanhar uma onda sem fim.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Lembranças



Memórias de um espectáculo ao ar livre que vi este fim de semana em Cascais. Seis curtos textos, de seis actores diferentes, insólitos e divertidos.

Desabafo

Os cristais líquidos do meu computador deterioraram-se e derramaram. Agora a HP diz que a garantia não cobre este defeito. E a FNAC, onde comprei o PC há pouco mais de seis meses, diz que não pode fazer nada. Em Portugal, os consumidores não têm direitos. Por favor, façam como eu: coloquem a HP e a FNAC na vossa lista negra.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Mario Giacomelli







Adoro!

Lovematic


Continuo à procura da máquina fotográfica que conseguisse ler o meu pensamento.


Auto-retrato


Em cada desconhecido que cruzo na rua me reconheço. Na verdade, só faço auto-retratos.

John Wayne


A foto que aqui vês não é a foto que eu vejo. E a foto que agora vejo não é a foto que vi no momento em que a tirei. E assim, como nunca conseguimos ver a mesma foto duas vezes, as histórias multiplicam-se e a realidade ganha novos sentidos.

Sagesse

A Joana escreveu e eu subscrevo, rendido à sabedoria da minha filha: «... people can grow both ways. trees do it all the time».

domingo, 10 de outubro de 2010

Cartazes





sábado, 9 de outubro de 2010

Aloe Blacc


A primeira vez que li o nome dele (numa revista francesa), pensei tratar-se de um músico de Madagascar ou da Martinica. Afinal, Aloe Blacc, cujo verdadeiro nome é Egbert Nathaniel Dawkins III, é norte-americano e Good Things, o álbum que acabo de ouvir é já o segundo da sua carreira.
Good Things faz jus ao nome, sendo uma colecção de canções extremamente bem cantadas e produzidas, que quase deixam acreditar que Marvin Gaye está de regresso. É soul da melhor, como há muito tempo não se ouvia, com uma canção («I need a dollar») que dá voz aos milhões de desempregados que vão surgindo todos os dias por esse mundo fora.
Mais um disco para a minha lista dos dez melhores discos de 2010!

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

100 anos de república portuguesa




Sobre as celebrações dos 100 anos da república, só me apetece dizer duas coisas. A primeira é que, num momento em que me vão aos bolsos todos os dias, para me fazer pagar o que outros embolsaram sem vergonha, acho simplesmente obsceno o que o Cavaco Silva gastou em exposições, livros e eventos que só serviram para enriquecer ainda mais os beneficiados do costume. A segunda é para evocar, uma vez mais, Elias Canetti, segundo o qual já passámos há muito para lá do bem e do mal, do verdadeiro e do falso, sem possibilidade de voltar atrás. A crise não terá fim e só vejo uma resposta: subversão, subversão, subversão.

Pensamento crepuscular


Há coisas que nunca conseguiremos ver, coisas que nunca conseguiremos pensar. São essas que me perseguem, são essas que devo procurar.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Garden party






Há cobras e lagartos, gatos e lobos, rãs, peixes, lagostas, abelhas e sei lá que mais. Todos têm assinatura de Rafael Bordallo Pinheiro e encontram-se nos jardins do Museu da Cidade, graças a um projecto de Joana Vasconcelos. O local já era bonito e mágico, com árvores espantosas, pavões espectaculares e flores por todo o lado, mas esta exposição temporária (infelizmente não vai lá ficar para sempre, pelo que me disseram) dá vontade de regressar depressa, especialmente na companhia de crianças.

Imagens de África



No Museu da Cidade, no chamado Pavilhão Preto, está uma exposição intitulada África: See You, See Me! que propõe uma importante selecção de fotos de artistas africanos, mas também de outros continentes. O curador, Awam Ampka, da New York University, afirma: «... esta exposição utiliza as práticas fotográficas africanas com o objectivo de chamar a atenção para a forma como os africanos se representam a si próprios, e a influência crescente destas auto-representações na moldagem da forma contemporânea como se fotografa África». Estão representados fotógrafos incontornáveis como Seydou Keita ou Malick Sidibe, mas, para mim, a surpresa veio de nomes menos conhecidos, como Daniele Tamagni (foto de cima) ou Lyle Ashton Harris (foto de baixo)
África: See You, See Me!, que permanecerá naquele espaço até 28 de Novembro, é uma iniciativa do África.cont, projecto da Câmara Municipal de Lisboa para criar um centro de arte contemporânea africana em Lisboa.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Troubadour


Comprei, finalmente, o novo disco da Lula Pena, Troubadour. Há anos que estava à espera dele. Na verdade, desde que ouvi Phados, já lá vai uma década. Esta obra de estreia tinha-me encantado. Finalmente alguém abordava o fado sem complexos de nenhum tipo, com a naturalidade de quem não corre atrás da fama ou do dinheiro, mas apenas de uma exigência interior.
Anti-vedeta por natureza, Lula Pena sabe que a única tarefa verdadeiramente urgente é amar, e fazer-se amar. A música para ela não é uma profissão, antes uma respiração ontológica, um veneno criativo que se alimenta de melodias e palavras. Digam o que disserem, considero-a a mais lírica e livre das portuguesas, a mais improvável e legítima herdeira de Amália Rodrigues (com quem, de resto, se parece fisicamente). Não da Amália diva, nem da Amália depressiva, mas da Amália habitada pela coragem e melancolia do povo que criou a palavra saudade.
As canções de Troubadour não têm título e prolongam-se livremente por sete actos (como no teatro), pois o disco é uma espécie de narrativa confessional, encantada e encantadora. Gravado em solo absoluto, é também um álbum visceral e intimista. Umbilical.
Sim, adoro a sua guitarra lânguida e a sua voz nocturna e hermafrodita, que ouço como me ouço pensar. Obrigado Lula Pena, valeu a pena esperar.

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