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sábado, 9 de junho de 2012

Fotografia e poesia

Encontro num blogue (Arquivo de Cabeceira), esta tradução, que reproduzo com a devida vénia à autora, de umas declarações de Jean Cocteau (Le Secret Professionnel, 1922): «Eis o papel da poesia. Ela desvela, no sentido pleno do termo. Ela mostra nuas, sob uma luz que afasta o torpor, as coisas surpreendentes que nos rodeiam e que os nossos sentidos registavam maquinalmente. É inútil ir muito longe à procura de objectos e sentimentos bizarros para surpreender o sonhador acordado. É esse o sistema do mau poeta e o que nos acontece com o exotismo. Trata-se, sim, de lhe mostrar aquilo sobre o qual o seu coração e os seus olhos deslizam todos os dias, mas sob um ângulo e a uma tal velocidade que lhe pareça vê-lo e comover-se com isso pela primeira vez. Eis a única criação permitida à criatura. Pois, se é verdade que a multiplicidade de olhares deixa sobre as estátuas uma pátina, os lugares comuns, obras-primas eternas, estão cobertos por uma espessa camada que os torna invisíveis e que esconde a sua beleza. Se pegarem num lugar-comum, o limparem, o esfregarem, o iluminarem de maneira a que ele recupere a força da juventude e da frescura que tinha na origem, farão o ofício de poeta.» Reparem como tudo o que é dito é absolutamente válido se substituirmos as palavras poesia e poeta por fotografia e fotógrafo.

domingo, 18 de julho de 2010

Sesimbra (ontem)

domingo, 6 de junho de 2010

Costa da Caparica (ontem)


Foto tirada com uma Canon Ixus 100 IS

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Lisboa hoje

Lisboa hoje


A fotografia só tem um tema: a descoberta do mundo.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Ao pé de casa

Porque se diz «tirar uma foto»? As fotos não se tiram, impõem-se a nós.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Homenagem a Robert Longo




















«O que me interessa é a colisão. A colisão de estilos, de matérias e de imagens», afirmou Robert Longo. Faço minhas as suas palavras.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Fernando Lemos


Auto-retrato de Fernando Lemos

Fernando Lemos nasceu em Lisboa, em 1926. Actualmente, reside em São Paulo, no Brasil. A sua ligação à fotografia vem da altura em que desenvolveu a sua actividade artística junto do Grupo Surrealista de Lisboa (anos 40 e 50).
A pretexto de uma exposição que a Fundação Cupertino de Miranda apresenta em Vila Nova de Famalicão, Sérgio B. Gomes entrevistou-o para o Público. É uma das melhores entrevistas a um fotógrafo que jamais li e não resito a transcrever algumas frases que dão bem a medida da sua inteligência e sensibilidade:

«Considero a fotografia já em mim. Já me perguntaram também se eu era fotógrafo. Respondo: “Não. Eu sou a fotografia”. Em tudo o que vejo, é como se fosse a fotografia a ver essas coisas. Tenho a fotografia na minha cultura visual.»

«Quando comecei a ver que toda a gente tinha uma camarazinha e andava fotografando primeiro achei que era um disparate. Depois pensei outra vez e disse para comigo: afinal, uma das coisas boas da fotografia é que ela ensina a ver.»

«A gente já sabe que a fotografia foi mais uma vitória industrial do que artística. Não importa se vai sair dela mais ou menos arte. O que é mais importante é que a magia fica ao alcance de toda a gente. No Japão, percebi que as crianças aprendem primeiro a fotografar e só depois a escrever e a desenhar. Elas registam imagens e só depois aprendem a escrita e o desenho.»

«O que queria preparar na composição era um pensamento mais pictórico e gráfico. No fundo, considero-me gráfico em tudo o que faço.»

«A fotografia para mim também é a transparência. A transparência é uma forma de espionagem. Apanhamos certas coisas e nem sabemos que as apanhámos. Como um furto. O olhar fotográfico pode furtar da realidade coisas de que nem nos apercebemos.»

«Entrei na fotografia por acaso. Eu sou o acaso, sou um primitivo.»

«Entendo a fotografia mais como uma ferramenta do resultado, o último gesto de uma criação. É uma arte final. É por isso que eu considero a fotografia já em mim e digo “eu sou a fotografia”. É porque eu já sou um produto acabado, deixei de ser um “layout” para ser mais uma arte final.»


«Procuro mostrar que somos vários. Quando aparecemos em qualquer situação, não temos uma cara fixa, não somos uma máscara. Quis captar os retratos desta forma para se perceber que temos na nossa cara um mundo de coisas para explodir, para esconder.»


PS - Pode ler a totalidade da entrevista aqui

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Michael Ackerman



Michael Ackerman acaba de receber o Prémio Scam Roger Pic 2009. O galardão pode não vos dizer nada, tal como o nome do premiado, mas deixem que vos diga: Ackerman é um dos fotógrafos mais interessantes que conheço. Apreciem os exemplos que aqui coloquei e digam lá que não tenho razão. Mal enquadradas, desfocadas ou pouco nítidas, as suas fotos conseguem ser mais do que simples imagens, histórias e ideias com a capacidade de nos assombrar. Como já alguém disse, «ele consegue tornar visível o que há de mais imaterial: a memória».
Conheci-o através do seu livro End Time City, dedicado a Benáres publicado em 1999. Foram essas imagens que me decidiram ir à Índia no ano seguinte.
O portfolio com que venceu o Prémio Scam Roger Pic intitula-se Departure Poland e é, de certo modo, uma homenagem aos seus antepassados, alguns dos quais morreram nos campos de concentração nazis.




segunda-feira, 15 de junho de 2009

Ícones


sábado, 25 de abril de 2009

The Lost Girl



«[Lawrence was] a writer with an extraordinary sense of the physical world, of the colour and texture and shape of things, for whom the body was alive and the problems of the body insistent and important.» Virginia Woolf dixit

terça-feira, 31 de março de 2009

Avedon em Amesterdão







Adorei a exposição Richard Avedon que está na Foam em Amesterdão. Uma coisa é conhecer as fotografias pelas revistas e os livros, outra muito diferente é vê-las penduradas numa parede, numa impressão controlada pelo seu autor, no formato que ele escolheu. O que mais impressiona neste impressionante conjunto de cerca de 200 imagens realizadas entre 1964 e 2004 (é a primeira grande retrospectiva da sua obra que se faz depois da sua morte) é o despojamento: as fotos são todas a preto e branco, com um fundo branco, ou voluntariamente neutro, para que o retratado se destaque ao nosso olhar. Tudo está aqui no rosto e na pose. Nos olhos, mas também nas mãos, nas rugas, nas sardas ou no penteado e, muitas vezes, na postura. Avedon citava como principais influências estéticas pintores como Rembrandt e Egon Schiele e percorrer a mostra é perceber porquê.
Retratista sui generis, o fotógrafo norte-americano (nascido a 15 de Maio de 1923 em Nova Iorque, no seio de uma família de pequenos comerciantes judeus) dizia que com os seus retratos não procurava a semelhança, mas uma espécie de ficção. Para ele, um retrato não passava de uma opinião. Ou seja, não correspondia à ideia que a pessoa tinha de si, mas à ideia que Avedon se fazia dessa pessoa que «lia» através da lente. Por isso, afirmava que uma foto é sempre exacta, pois todas as fotografias são rigorosas, embora nenhuma delas revele a verdade.
Na verdade, também eu creio que a verdade não existe e muito menos em fotografia; apenas existem visões, ou opiniões. Ou seja, ficções. Um fotógrafo utiliza um aparelho de precisão que, paradoxalmente, trabalha com ilusões (ideias preconcebidas ou miragens). O que eu vejo não é nunca o mundo, mas sim o meu mundo. O mundo (ou a realidade, se preferirem) é o que vai desfilando aos meus olhos, ou nos meus sonhos. Dos sonhos, contudo, que são uma importante parte da nossa realidade, não podemos trazer retratos. O que é pena, porque nos sonhos, frequentemente, uma pessoa são várias pessoas e nós mesmos somos nós e outros e seria fascinante poder traduzir isso em fotografias. Quem sabe desenhar tem, assim, uma imensa vantagem, pois pode procurar fazê-lo, o que muito invejo.
Como eu, talvez Avedon procurasse ver-se nos olhos das pessoas que fotografava, não tal como é, mas como os outros o viam, já que somos todos reflexos deformados uns dos outros.
Desse ponto de vista, talvez a série mais impressionante de toda a exposição é a que retrata o pai pouco tempo antes de morrer. Esse pai que ele fotografou até à morte, a partir do momento que soube que ele estava condenado por um cancro. Desse pai que, de alguma maneira, ele «suicidou» com as suas fotografias, sabendo que ele próprio estava condenado (é sempre uma questão de tempo) e imaginando, porventura, como seria quando chegasse a sua hora.
A sua hora chegou em 2004, aos 81 anos. Foi um AVC que o tramou, enquanto estava a cobrir as eleições americanas para a revista «New Yorker». Como diria Roberto Calasso, cujas palavras estou deliberadamente a deturpar: «a elegância do seu olhar estético mantém viva uma necessidade básica do homem: evitar que os espelhos se partam».

PS - A exposição da Foam reúne retratos tirados entre 1946 e 2004 e ficará em Amesterdão até ao próximo dia 13 de Maio.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Ronaldo

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

A sabedoria de Confúcio


Não procures a amizade daqueles que não te merecem.

Não é nenhuma infelicidade ser desconhecido pelos homens, mas é uma infelicidade não os conhecer.

Estudar sem refletir é vão, mas refletir sem estudar é perigoso.

Os vossos defeitos, definem-vos. É através deles que se podem conhecer as vossas virtudes.

A virtude não é solitária; ela suscita invariavelmente companhia.

Estudar é como correr atrás do que nos escapa, temendo perder o que já possuímos.

Não se preocupem de não ser notados, preocupem-se é em fazer algo de notável.

sábado, 24 de janeiro de 2009

Verde, que te quero verde


Um momento são muitos momentos. Toda a fotografia é infinita.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Avião


Estou de regresso: o avião aterrou ontem no Campo dos Mártires da Pátria!

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