terça-feira, 16 de junho de 2009

Da política

Um amigo enviou-me este forward:

ANTES DA POSSE
O nosso partido cumpre o que promete..
Só os tolos podem crer que
não lutaremos contra a corrupção..
Porque, se há algo certo para nós, é que
a honestidade e a transparência são fundamentais.
para alcançar os nossos ideais
Mostraremos que é uma grande estupidez crer que
as máfias continuarão no governo, como sempre.
Asseguramos sem dúvida que
a justiça social será o alvo da nossa acção.
Apesar disso, há idiotas que imaginam que
se possa governar com as manchas da velha política.
Quando assumirmos o poder, faremos tudo para que
se termine com os marajás e as negociatas.
Não permitiremos de nenhum modo que
as crianças e os velhos morram de fome.
Cumpriremos os nossos propósitos mesmo que
os recursos económicos do país se esgotem.
Exerceremos o poder até que
Compreendam que
Somos a nova política.

DEPOIS DA POSSE
Basta ler o mesmo texto acima, DE BAIXO PARA CIMA

Recessão

As palavras que procuro, não encontro, e as que encontro, desiludem-me. Não passo de um sonhador que todos os dias se esconde de quem não o quer ver. Guerreiro vencido, na prisão de uma liberdade sem limites - que no entanto esta cidade não concede a ninguém - sou um artesão das palavras mais banais, perdido nas margens da memória. Digo-o sem mágoa, quase com orgulho: sou uma sombra do que fui e um eco do que serei. Sou uma estátua errante. E mortal. Contemplem a minha nudez: a minha armadura é feita de ossos, sangue e ocasiões perdidas.

Marianne, a anti-vedeta


Numa entrevista à Inrockuptibles, confrontada com o facto de ser um ícone pop, Marianne Faithfull afirma: «Je pense que c’est un peu ridicule de croire en sa propre légende. Je préfère ne pas m’étendre là-dessus en général, même si je sais que ça existe. Madonna croit dans sa propre légende, par exemple. Cela ne me correspond pas. Elle en fait trop. Elle doit penser qu’elle vaut mieux que tout le monde, qu’elle incarne une sorte d’être sacré. Certaines grandes stars se laissent emporter par la religion : « Vous êtes l’élu, vous avez été choisi pour faire ce travail ». Quelle horreur ! Je préfère rester à ma place.»

o deus da máquina

odeusdamaquina disse (e eu repito, com a devida vénia): «... é difícil encontrarmos na nossa sociedade civil alguma vontade de criar. No entanto, acredito que alguma coisa possa mudar, com algumas franjas mais novas e alternativas que vão aparecendo. Pelo menos, em algumas áreas, como a música, têm aparecido alguns projectos interessantes, com poucos meios. Falo de uma editora, a Flor Caveira. A descobrir. Não conheço ninguém, pelo que não estou a fazer publicidade. Apenas tenho lido algumas coisas. Mas termos um Movimento "Facas em Sangue" (por exemplo, contra as touradas), ou "Bola de Naftalina ao Poder" (contra as traças que roem a política nacional), "Movimento Sou-Du-Ku" (a favor de todas as escolhas sexuais); "Brigada Victor do Jarro" (Contra a ASAE e a favor dos tascos, tabernas e todas as formas ancestrais de restauração e Comércio tradicionais");"Movimento Azul e Branco" (a favor do Sabão ancentral, produzido pela ex-CUF, para lavar de alto a baixo todos aqueles Infantes com Sangue dito Monárquico); "Movimento Bolas de Sabão" (a favor das brincadeiras ao ar livre, sejam elas de cariz sexual ou não).Enfim, podemos estimular vários movimentos. A ver se a Sociedade Civil nos escuta e toma estes exemplos como seus! Eu cedo os direitos de autor à vontade. Só Têm é de pagar-me um copo na Tasca (como fazia o saudoso Luíz Pacheco).»
Inútil acrescentar que faço minhas as suas palavras!

Os piratas unidos jamais...

O recente sucesso do Partido Pirata sueco, que conseguiu eleger uma eurodeputada (a mais jovem que estará em Bruxelas), está a levar à criação de movimentos semelhantes em mais de 20 países.
Recorde-se que em apenas três anos, o Partido Pirata sueco tornou-se na terceira força política mais votada nas recentes eleições europeias e já tem mais de 50 mil militantes, segundo o jornal «Público».
Em Portugal parece haver já um espaço anónimo que se intitula Partido Pirata Português, mas não acredito que ganhe alguma expressão num país tão alienado e manso como o nosso. De resto, na minha opinião, os objectivos políticos de um tal partido deviam ir muito para além da reivindicação de maior liberdade e privacidade para os cidadãos e de uma nova legislação sobre os direitos de autor na Internet.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Arriscar o real


«Arriscar o real» é mais uma exposição a partir das obras da Colecção Berardo, no CCB. O catálogo fala de «imitação da realidade – contra ela própria, através de operações de afastamento, literalidade e diferenciação». Por mim, neste tipo de exposições, gosto de deambular de sala em sala, sem rumo definido, nem preconceitos, indiferente ao que acha o senhor curador ou os críticos encartados. Vejo o que vejo, sinto o que sinto, arrisco ter as minhas próprias interpretações.

Ícones


A família Flor Neto

Yes we can (à portuguesa)


Em nome da liberdade


Em nome da liberdade é proibido fotografar dentro do Mude - Museu do Design e da Moda (Colecção Francisco Capelo) que está na baixa de Lisboa, na antiga sede do Banco Nacional Ultramarino, na Rua Augusta. Mesmo assim, aqui fica uma fotografia do interior (só para chatear).



Outro museu onde é proibido tirar fotografias (em Portugal, onde Maio de 68 nunca chegou, adora-se proibir) é o Museu do Fado. Os mais observadores reperarão no segurança, no primeiro piso, a gritar comigo, porque cometi o crime de tirar uma foto no hall de entrada.



Os atrasados mentais que estão à frente destes museus (e da Cinemateca, onde nem cá fora se podem tirar fotografias, pasme-se!) não percebem que se deixassem estes seguranças à solta no mundo, nem sequer tinham matéria para encher os museus.
Felizmente, ainda não há seguranças a guardar as montras das lojas chinesas, pelo que ainda é permitido fotografá-las. Aqui fica uma, para recordação.

sábado, 13 de junho de 2009

Marcha rica, marcha pobre




Até no céu e no inferno deve haver uma zona para os ricos e outra para os pobres.

Santo António





Lisboa no seu melhor!

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Da fotografia



Dos fotógrafos representados na extensão lisboeta da PhotoEspaña (Museu Berardo), só um reteve verdadeiramente a minha atenção: Cristóbal Hara. A outra, Mabel Palacín pareceu-me demasiado cerebral (para não dizer pretenciosa). De resto, o mais interessante do seu trabalho remete para o vídeo e não para a imagem parada. Hara, pelo contrário: é unicamente pela fotografia que se exprime e o que quer dizer está, por assim dizer, à flor da imagem (como se pode ver na foto que escolhi para ilustrar este post).
No CCB, as suas fotografias estão expostas por séries. Cada sala está dedicada a um tema. Há o tema das ruas desertas, da festa popular, dos cavalos, da religião e por aí adiante.
Em quase todas as salas, encontrei fotos que me inspiraram. Mas se algumas séries são magníficas, outras nem tanto. Impossível gostar de tudo (mesmo Cartier Bresson tirou fotos inúteis).
O que me leva a dizer: na fotografia procuro respostas, para perguntas que ainda não formulei.

Da insónia

De vez em quando, a Insónia vem visitar-me. Sabe que não é desejada, mas instala-se na minha cama, dentro de mim, com a desfaçatez de uma puta fina.
Como aprendi à minha custa, não serve para nada procurar ignorá-la. Procurar fazê-lo, só agrava a situação.
Por isso, agora, procuro dar uso às minhas insónias. Ponho-as a render, deixo que tudo o que me vem à cabeça se desenvolva, seguindo os meus devaneios como um cachorrinho à espera de uma qualquer recompensa. E, por vezes, acontece: tenho direito a um doce, vem-me à cabeça uma ideia com pernas para andar.
A insónia desta noite, por exemplo, não sei se foi ela que me deu a volta ou eu a ela. Uma coisa é certa: nem todas as insónias te querem mal. Se não fossem certas insónias, há ideias que nunca teria tido, histórias que não teria escrito.

Das histórias

É fascinante como as histórias crescem dentro de nós. Por vezes ao longo de anos.
Tens uma ideia e, um belo dia, essa ideia leva a outra que não tem forçosamente que ver com a primeira.
É uma evidência: a história transforma-se sem fim e mesmo quando julgas que está concluída uma nova ideia pode vir pô-la em causa.
Não há regras: algumas histórias nunca se concluirão e outras que julgavas terem chegado a um beco sem saída, de repente ganham outra dimensão.
Falo por experiência própria: algumas histórias levam anos a amadurecer.
Provavelmente, as melhores de todas irão comigo para a cova.

***

Uma história não tem que ser verosímil. Tem que ser esclarecedora. Sobretudo para quem a escreve.
Muitas vezes, a história que acabo por escrever não é a que queria, mas a que me cria.
Repito: a história que me queria, cria-me.

Desabafo

Está tudo muito chocado com os 93 milhões de euros que o Real Madrid pagou, ou vai pagar, pelo Cristiano Ronaldo. Que hipocrisia. Esse, pelo menos, vai render bom dinheiro ao clube que o comprou. Bastante mais chocante são os dez milhões que levou o Miguel Cadilhe por seis meses de trabalho no BPN (que ajudou a afundar). Pois nós é que tivemos que os pagar.
Tantos milhões mal gastos e mal pagos todos os dias, em todo o lado… Quero lá saber do Cristiano Ronaldo, quando há entre nós tanta gente (como, por exemplo, o governador do Banco de Portugal) a encher os bolsos, enquanto mais de um milhão de velhinhos passam mal.
A hipocrisia é tão grande que vem agora o Vasco Pulido Valente (hoje, no Público), a propósito do escândalo das sondagens, dizer que «os portugueses gostam dos portugueses».
Escândalo? As sondagens?
Na política à portuguesa tudo é tão escandaloso, porque seriam as empresas de sondagens uma excepção?
Que desilusão senhor cronista! Dizer que «os portugueses gostam dos portugueses» é um disparate. Basta andar na rua para perceber que os portugueses não gostam uns dos outros, como afirmou um dia o músico brasileiro Egberto Gismonti. O senhor devia ter escrito: «os corruptos gostam dos corruptos». Isso sim. Ou, pelo menos, protegem-se uns aos outros. Quem tem telhados de vidro hesita em atirar a primeira pedra. Em Portugal como em toda a parte.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Exército de terracota



Estive lá e nunca o esquecerei. Entra-se naqueles pavilhões e é como se mergulhássemos noutra dimensão. A nossos pés, muitas centenas de guerreiros aguardam não se sabe bem o quê? O momento de voltar à vida? A nossa chegada? Que o seu imperador ressuscite?
Há, pelo menos, um filme, que eu não vi, onde eles voltam a viver e a lutar. Quando os vemos, ali, nas suas covas, imponentes e plácidos, chegamos a desejar que isso aconteça.
Por todo o lado há cartazes a dizer que não se podem tirar fotografias, mas ninguém consegue resistir: os flashes disparam a toda a hora e os guardas vivos que por ali andam não têm coragem de impedir os turistas de o fazer. De resto, os chineses são ainda mais obcecados pela fotografia do que os japoneses.
Leio agora que o governo de Pequim tenciona desenterrar um novo conjunto de guerreiros, para juntar às mais de mil estátuas que já se podem ver em Xian. Ninguém sabe ao certo, mas calcula-se que ainda estejam enterrados perto de sete mil soldados no túmulo do imperador Qin (que faleceu em 210 A.C., aos 50 anos, depois de ter unificado a China).
Os guerreiros têm quase dois metros de altura e pesam cerca de 180 quilos cada um. Não há dois iguais e pensa-se que representam fielmente os guardas do imperador, assim como os seus 700 cavalos.
O principal problema para os arqueólogos chineses não é desenterrá-los, mas sim reconstituir os que estão partidos e impedir que a pintura se perca ao contacto com o ar, pois as estátuas são coloridas.

Hadopi contestada

Depois da «vitória» do Partido Pirata na Suécia, outra boa notícia para os partidários da liberdade na Web: em França, no passado dia 10, um conselho de sábios reconheceu a Internet como uma liberdade fundamental e decidiu que a Lei Hadopi (Criação e Internet) não é constitucional, considerando que um cidadão não pode ser privado da sua conexão, sem decisão judicial. Para que o fornecimento seja cortado, tem que ser o artista que se julga prejudicado, ou um seu representante, a provar isso mesmo em tribunal.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Da ficção

Platão não via com bons olhos a ficção, pois aos seus olhos o escritor corria o perigo de se encantar pelos caminhos do mundo, afastando-se assim do mundo das ideias. Se bem entendi, para Platão, a ficção (tal como a poesia) não passava da cópia de uma cópia. Mas se a própria vida é uma imitação, o valor da ficção é precisamente não ter preço. Escrever é tão inútil como viver e a vida... terá o destino dos meus escritos.

Natal fora de época



Mal conheço Arnaud Desplechin, que passa por ser um dos mais pretenciosos cineastas franceses da actualidade. O único filme dele que já vira foi Ester Kahn, de que gostei bastante.
Um Conto de Natal, («drama recheado de estrelas», como escreveu a Time Out), que só agora vi, é mais um filme sobre uma família dispersa e disfuncional (um tema inesgotável e cada vez mais na moda), mas aqui essa família está marcada por uma leucemia que começa por levar um dos filhos e ameaça agora levar também a mãe.
Não é a única tragédia desta família fragmentada. Para além da mãe (Catherine Deneuve) assumir publicamente que não gosta de um dos seus filhos, há uma irmã (Anne Consigny) que não quer falar com o irmão (Mathieu Almaric) e que tem um filho esquizofrénico.
É melhor não contar a história; basta dizer que, na minha opinião, é o filme de um cineasta-cirurgião que tem obviamente contas para ajustar com a sua própria família e que cria aqui personagens complexos e devorados por dentro, para dissecar ao bisturi os seus próprios sentimentos e contradições.
Para mim, que me senti envolvido, por razões que prefiro não referir, se o filme tem algum defeito é sobretudo a excessiva ênfase que coloca no amor-ódio que parece ser o cimento que (n)os une a todos, numa sobrecarga dramática tão avassaladora que saí da sala com dores de cabeça.
É verdade que o filme é longo, pesado e cruel, mas não é menos certo que representa um verdadeiro tour-de-force» ficcional, levado a cabo com grande maestria cinematográfica. Alguém afirmou que se tratava de um «exercício no vazio», ora, por definição, o vazio que vemos nos outros está afinal sempre dentro de nós.

PS - Dito isto, devo acrescentar: pouca gente gosta do filme, a começar pelos críticos de cinema nacionais, quase todos génios perdidos num país que não os merece.
Já o disse várias vezes: um crítico nunca deveria escrever «não presta», mas sim «não gosto».
É tão bom quando gostamos de um filme (ou do que quer que seja). Perante esse prazer, que interessa o que os outros pensam? Há quem se julgue mais esperto, mais esclarecido, mais lúcido ou mais culto que os demais.
Quanto mais convencidos, mais estúpidos, como diz o ditado.
A humildade é, a par da tolerância e da generosidade, uma das virtudes que mais desvalorizadas nos sombrios tempos que correm.

Platão e a Internet

Platão não gostava da escrita. O filósofo temia que as pessoas a vissem como um substituto do conhecimento. Para ele, com a multiplicação dos escritos, as pessoas tornar-se-iam preguiçosas pois deixariam de procurar o que estava acessível com facilidade. Para além disso, visto que poderiam obter informações e conhecimentos que não estavam verdadeiramente preparados para compreender, isso dar-lhes-ia uma ilusão de conhecimento que só os tornaria ainda mais ignorantes.
Se já pensava assim dos escritos (muito antes de Gutemberg) que diria Platão da Internet?
Na verdade, como já alguém disse, deixámos de «mergulhar no mar do conhecimento, para deslizarmos sobre ele como surfistas».

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Das europeias

Tal como se esperava, a maioria dos europeus esteve-se nas tintas para as eleições e os partidos socialistas no poder (Grã-Bretanha, Espanha e Portugal) levaram porrada.
Olha a admiração! Que sentido faz votar em partidos socialistas que governam mais à direita do que a própria direita?
Em contrapartida, os partidos de direita no poder (França, Alemanha, Polónia, etc.) venceram, apesar da crise e da corrupção.
Porquê? Porque está tudo borrado de medo e há cada vez mais nostálgicos da autoridade.
As boas surpresas (não foram muitas) vieram dos partidos mais alternativos, como os ecologistas de Cohn-Bendit em França e o Partido Pirata na Suécia que obteve 7% dos votos. O Partido Pirata defende a abolição dos direitos de autor e a liberdade na Internet e será então representado por Christian Engstrom no Parlamento Europeu.
Não há, contudo, motivos para festejar o que quer que seja: a direita conservadora é a grande vencedora destas eleições, um pouco por todo o lado e o futuro não se adivinha brilhante. A não ser para alguns, cada vez menos, mas cada vez mais ricos, mais poderosos e triunfantes!

Pedro Costa e o país

Num artigo publicado hoje pelo jornal «Público», Pedro Costa lamenta a situação actual do país. «Não estamos numa sociedade que tenda para a decência ou para a honestidade. Basta ler os jornais», afirma. O realizador considera que se está a tornar «muito difícil» viver aqui e acrescenta: «A pouco e pouco está a tornar-se muito desagradável viver em Portugal perante o espectáculo ultra-degradante nos media, nas televisões, na rua. Entre uma classe burguesa totalmente inculta e obscena na sua ostentação, no seu disparate».
Subscrevo inteiramente todas estas observações, que só pecam por ser ainda demasiado brandas.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Tienanmen



Tienanmen foi há 20 anos e a China continua a ser uma ditadura desprezível. Uma entre muitas. O problema é que no Ocidente, em matéria de liberdades individuais, estamos mais perto de copiar os chineses do que eles a nós.

PHotoEspaña 2009



Arrancou ontem em Madrid a edição 2009 da PHotoEspaña, que este ano decorre sob o signo do «quotidiano». Até ao próximo dia 26 de Julho, 72 salas reúnem 248 autores de 40 países. Entre eles estão nomes consagrados como Dorothea Lange ou Annie Leibovitz, por exemplo, mas também Gerhard Richter, Zhao Liang, Ugo Mulas e Pedro Costa.
Em Lisboa, o Museu Colecção Berardo acolhe a PHE09 com duas exposições. Uma de Cristóbal Hara (ver foto), outra de Mabel Palacín.

Para saber mais sobre o PHotoEspaña clique aqui

Licença para gelar



O gelado na foto é suposto representar o James Bond. Ou seja, o actor Daniel Graig. Será que a Olá vai seguir a tendência e lançar Angelinas Jolies ou Georges Clooneys para nos refrescar?

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Trajecto (quase) diário




Da ficção

Esta cidade, os seus ruídos, os aviões que passam: tudo ficção. A única realidade é esta parede contra a qual escrevo. Se conseguisse abater esta parede à cabeçada, então sim, escreveria um grande livro.

Da apatia

Combater a apatia? A apatia não se combate, namora-se.

Frase do dia

Uma pessoa triste é como um jardim escondido.

Aletria



Quem me conhece sabe que a aletria é uma das minhas sobremesas preferidas. Naturalmente, ninguém a faz melhor do que a minha mãe. Para que não se perca a receita, aqui fica, tal como ela me ditou: «Pouca água a ferver com casca de limão e uma pitada de sal. Quando a água ferver, põe a aletria. A água deve ficar rés-vés. Quando começar a querer secar, junta leite até meio do tacho e acrescenta açucar + um bocadinho de natas e 2 ovos inteiros batidos. Mexe tudo muito bem e deixa 5 minutos em lume brando. Depois, é só deixar arrefecer e pôr canela».

Dos leitores

«Para quem escrevo? Quem me lê?» Alguns escritores vivem angustiados com questões deste tipo. Eu não. Sei exactamente quem são os meus leitores. Só tenho meia-dúzia e estão perfeitamente identificados.

Off the record

A Flur lançou há pouco tempo um questionário que enviou a uma centena de pessoas ligadas, de algum modo, ao ramo da música. Eis as minhas respostas:


Um disco que tenha sido muito importante (e já não seja) + razão.
Quase todos os discos dos Beatles, mas também dos Rolling Stones, foram importantíssimos na adolescência, por razões óbvias. Mas a música evoluiu muito e eu com ela. Ouvi-os demasiado uns e outros, já raramente suporto ouvi-los. Dessa época (os famigerados anos 60), o único que continuo a ouvir com real prazer é Bob Dylan, mas não tudo. Jazz à parte, é claro, esse nunca cansa!

Um disco que seja muito importante agora + razão.
O disco mais importante do momento é sempre o que estou a ouvir repetidamente. Há três semanas era o disco da Alela Diane («To Be Still»), a semana passada o do Bonnie Prince Billy («Beware»), esta semana é o do Andrew Bird («Noble Beast»). Next week, quem sabe?

Um disco irresistível mas que o resto do mundo acha que é mau.
Os últimos discos da Françoise Hardy. «Tant de Belles Choses» (2006), por exemplo.

A capa de disco favorita.
São demasiadas, mas todas em edições vinil. Eis algumas: «Abbey Road» e «Revolver», dos Beatles, a famosa capa da banana dos Velvet Underground, «Horses» de Patti Smith e a generalidade das capas da Blue Note nos tempos áureos (anos 50 e 60).

Mais CD ou mais vinil? Porquê?
Mais vinil do que CD porque é mais simpático, mais bonito, mais fácil de arrumar, etc. Infelizmente chegam a Lisboa poucos bons discos em vinil, pelo menos para o meu gosto.



Qual o primeiro disco que se lembra de comprar e onde foi?
«Black Magic Woman» do Santana numa loja em Amesterdão, em 1971, quando estava sob o efeito de LSD. Estava a tocar quando entrei na loja de discos e o L.P. custou-me quase todo o dinheiro que tinha no bolso (na verdade, tive que pedir alguns trocos aos amigos).

Qual o último disco que comprou?
«Noble Beast», de Andrew Bird.

Qual o disco que irá comprar de certeza, em 2009?
Toumani Diabaté, se publicar algum disco este ano.

Qual é o artista mais representado na colecção?
Miles Davis, talvez, mas também Duke Elligton e Françoise Hardy (ver próxima resposta).


De que artista tenta comprar todos os discos, bons e maus?
Françoise Hardy, um fétiche que me acompanha desde a adolescência, quando estive perdidamente apaixonado por ela.

Que projectos tem em mãos actualmente?
Uma colectânea de contos («O Vestido de Judas e outras histórias») e um guião para cinema, ainda sem título definitivo

Saudades do Dubai



Saudades do Dubai



Homenagem a Arrabal



Já ninguém se lembra dele, mas ao ver este grafitti numa parede, lembrei-me de quanto Fernando Arrabal foi importante para mim e para a minha geração. A minha peça «Cerimonial Para Um Massacre» deve-lhe bastante.

Pro bono

Bono, o vocalista dos U2 irrita-me um bocado (para não dizer bastante) e não é só por causa daqueles óculos escuros ridículos com que gosta de se apresentar em público. Embirro com aquela mania que tem de ser um grande benfeitor da humanidade, ele que é bilionário e vaidoso como poucos.
Tal como Bil Clinton e Bill Gates, outros dois grandes filantropos, Bono está sempre pronto para ajudar. Aung San Suu Kyi, a líder da oposição birmanesa, precisa de ajuda para se libertar da prisão? Lá aparece ele a dar o seu apoio. O México precisa de voltar a atrair os turistas assustados com a gripe A? Quem melhor do que Bono e os dois Bill(ionários) para vir pôr ordem nas coisas?
No entanto, tenho que o reconhecer, Bono é capaz de dizer coisas magníficas, como esta frase que não resisto a citar, até porque me reconheço inteiramente nela: «Estas melodias que ouço dentro de mim, são tão mais interessantes do que aquelas que consigo tocar.»
Diz também, como toda a razão: «Ser relevante é bem mais difícil do que ter sucesso.»

terça-feira, 2 de junho de 2009

Le grand frére vous regarde

Era de prever: adoptada que está a lei Hadopi, o governo francês prepara-se para lançar uma nova ofensiva contra a Web, relancando o projecto Loppsi (Lei de orientação e programação para a segurança interna) com o qual pretende reforçar o controlo sobre o uso das novas tecnologias.
Já apresentado (27 de Maio) no Conselho de Ministros, o novo conjunto de leis designado Loppsi, abrange questões que vão da segurança rodoviária à regulamentação da polícia, passando pelas diversas formas de vigilância por vídeo e vários tipos de crimes informáticos.
Evidentemente, este projecto de lei prevê que os computadores pessoais possam ser vigiados, por decisão judicial, tal como já acontece com os telemóveis.
No seu afã de controlo dos cidadãos, a pretexto de os proteger, o governo francês propõe-se nomeadamente bloquear o acesso à Net para quem visite ou alimente sites com pornografia infantil.
A lei prevê ainda o delito de usurpação de identidade na Internet, incluindo nos sites comunitários, mesmo se a vítima não sofreu danos financeiros.
Tudo boas intenções, dirão os incautos.
Quais serão os próximos passos? George Orwell respondeu a esta questão há muito!

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