terça-feira, 29 de novembro de 2011

Pôr do sol

Era assim que eu gostaria de me dissolver na eternidade: com esta suavidade em tons pastel.

C'est ainsi que j'aimerais me dissoudre dans l'éternité: doucement enveloppé par des tons pastel.

domingo, 27 de novembro de 2011

Pôr do sol




A poesia é vaidade.
Já não preciso dela
Para sustentar a minha tristeza.

Prazeres




Dorme-se melhor morto?
Ou a insónia é eterna?

sábado, 26 de novembro de 2011

Prazeres (ontem)






Fotos são (também) actos mentais.

domingo, 20 de novembro de 2011

Torres Novas (hoje)



Torres Novas (hoje)





quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Baixa





Auto-retrato

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Annie Leibovitz



Foto do mês de setembro do calendário Lavazza. Não sou o único a gostar da Fuji X100.

Photo du mois de septembre du nouveau calendrier Lavazza. Je ne suis pas le seul à aimer le Fuji X100.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Graciela Iturbide





De repente, nas estantes da Fnac, encontrei um novo livro da colecção Photo Poche, dedicado a uma fotógrafa mexicana que não conhecia de todo: Graciela Iturbide.
Que bela descoberta. Nas suas fotos, encontrei o México por detrás do México. Um país que não vi, feito de interioridade visceral, que ela «ilumina» realçando o que de mais obscuro e profundo existe naquele país que tanto me impressionou.
Os animais, as mulheres e as crianças (os homens estão quase ausentes) que Graciela tão bem fotografa não se deixam verdadeiramente ver, pois guardam ciosamente os seus segredos. De resto, quando nos interpelam, o que acontece frequentemente, dir-se-iam que nos vêem melhor a nós do que nós os vemos a eles.
Aos meus olhos, o que Graciela Iturbide procura é revelar (no sentido fotográfico, mas também no sentido religioso do termo) a desolação e a marginalidade em que vivem aqueles a quem Deus e a sociedade viraram as costas. Por isso, a «mulher anjo» pode ser a sua imagem mais emblemática, mas eu prefiro as suas fotos dos pássaros, das cabras, ou mesmo das galinhas mortas, porque, na sua nudez absoluta e total, são mais reveladoras deste abandono.
Na verdade, antes de conhecer Graciela Iturbide, já o seu imaginário me perturbava.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Claire Denis

A revista francesa Inrockuptibles está a comemorar 25 anos de existência. Por isso, perguntou a 25 individualidades como imaginam o mundo daqui a 25 anos. Eis excertos da resposta de Claire Denis, que publico sem comentar.

«Como muitas pessoas, neste momento temo o futuro. Porque envelheço? Tenho a sensação de que sobrevivemos em vez de viver. Fala-se muito na Grécia como o calcanhar de Aquiles da Europa, mas eu penso em Portugal, a ponta do sapato europeu. Os portugueses forem descobridores, viajantes, Portugal faz parte do meu sentimento do mundo. Este povo sofreu, ainda sofre, mas não está na sua maneira de ser, indignar-se e revoltar-se como os Gregos. Penso no filme de Manoel de Oliveira, Non, ou a Vã Glória de Mandar. Os portugueses resistem sem fazer barulho. Aquele título do Oliveira permanece presente todos os dias. A ideia de ganhar, de mandar, é vã. E dizer «não», por vezes é uma forma de coragem. «Não», quer dizer nada de fingimentos, de gloriazitas, nem esta ilusão de mandar, ou de dominar. Eis como me imagino no futuro. (…) Neste meu imaginário de Portugal, existe um ideal sem o qual os portugueses não teriam ido explorar o mundo a bordo de cascas de noz. Por isso, espero que o futuro seja um pouco português.»

*

Les Inrocks, qui sont en train de fêter leur 25 ème anniversaire, on demandé à plusieurs individualités comment ils imaginaient le monde dans 25 ans. Voici des extraits de la réponde de Claire Denis :

«Comme beaucoup de gens, j’ai en ce moment peur du futur. Parce que je vieillis ? J’ai le sentiment qu’on surnage plutôt qu’on ne vit. On parle beaucoup de la Grèce comme du talon d’Achille de l’Europe, et moi, je pense au Portugal, la pointe de la chaussure européenne. Les Portugais ont été des découvreurs, des voyageurs, le Portugal fait partie de mon sentiment du monde. Ce peuple a enduré, endure, mais ce n’est pas dans sa manière de s’indigner, de se révolter comme les Grecs. Je pense au film de Manoel de Oliveira, Non, ou la Vaine Gloire de Commander. Les Portugais résistent sourdement, sans fracas. Ce titre d’Oliveira est pour moi présent chaque jour. L’idée de gagner, de commander, est vaine. Et dire “non”, c’est parfois une forme de courage. “Non”, cela veut dire pas de faux-semblants, de gloriole, pas de cette illusion de commander, pas de ce mensonge de dominer. Voilà comment j’imagine demain. (…) «Dans cet imaginaire que j’ai du Portugal, il existe un idéal sans lequel les Portugais ne seraient pas partis explorer le monde sur une coquille de noix. Voilà, j’espère que l’avenir sera un peu portugais.»

Arquivo do blogue