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De repente, nas estantes da Fnac, encontrei um novo livro da colecção Photo Poche, dedicado a uma fotógrafa mexicana que não conhecia de todo: Graciela Iturbide.
Que bela descoberta. Nas suas fotos, encontrei o México por detrás do México. Um país que não vi, feito de interioridade visceral, que ela «ilumina» realçando o que de mais obscuro e profundo existe naquele país que tanto me impressionou.
Os animais, as mulheres e as crianças (os homens estão quase ausentes) que Graciela tão bem fotografa não se deixam verdadeiramente ver, pois guardam ciosamente os seus segredos. De resto, quando nos interpelam, o que acontece frequentemente, dir-se-iam que nos vêem melhor a nós do que nós os vemos a eles.
Aos meus olhos, o que Graciela Iturbide procura é revelar (no sentido fotográfico, mas também no sentido religioso do termo) a desolação e a marginalidade em que vivem aqueles a quem Deus e a sociedade viraram as costas. Por isso, a «mulher anjo» pode ser a sua imagem mais emblemática, mas eu prefiro as suas fotos dos pássaros, das cabras, ou mesmo das galinhas mortas, porque, na sua nudez absoluta e total, são mais reveladoras deste abandono.
Na verdade, antes de conhecer Graciela Iturbide, já o seu imaginário me perturbava.
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