quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Auto-retrato em Mora

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Reflexos


quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Antoine D'Agata

Antoine D'Agata não é um fotógrafo como os outros. Fotografar, para ele, parece ser um acto tão desesperado como cortar os pulsos. Discípulo assumido de Larry Clark e Nan Goldin, ele leva mais longe do que eles a necessidade de fazer parte integrante do que fotografa, ao ponto de arriscar a sua saúde mental e a própria vida.
Para vos aguçar ainda mais a curiosidade, deixo aqui, com a devida vénia, dois dos seus retratos que parecem arrancados a pesadelos inconfessáveis e que, aos meus olhos, lembram os quadros mais «torturados» de Francis Bacon..


A melhor música

As revistas de música, em Inglaterra e em França nomeadamente, começaram já a publicar as suas listas dos melhores discos do ano. Não resisto a colocar aqui a minha. Não dos melhores discos, mas dos que mais gostei de ouvir em 2011.
Destroyer: Kaputt
Metronomy: The English Riviera
Feist: Metals
Fleet Foxes: Helplessness Blues
Bon Iver: Bon Iver

Anna Calvi: Anna Calvi
Wilco: The Whole Love
St. Vincent: Strange Mercy
Jonathan Wilson: Gentle Spirit
Joan as a Police Woman: The Deep Field

domingo, 11 de dezembro de 2011

Da poesia


Ler é traduzir, tal como fotografar. No fundo, estamos limitados aos nossos próprios poemas.

Habibti (ontem)

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Cemitério dos Prazeres (ontem)






Adoro deambular pelos cemitérios. Poucos sítios me proporcionam uma tal sensação de paz, de comunhão comigo mesmo. E a máquina fotográfica ajuda-me a estabelecer com o que vejo, e com o que sinto, uma relação bem íntima. No que vejo, revejo-me, pressinto-me, e a tristeza que, então, aflora, é quase uma bênção.

J’adore flâner dans les cimetières. Peu d’endroits me procurent une telle sensation de paix, de communion avec moi-même. Et l’appareil photo m’aide à établir avec ce que je vois un rapport d'une grande intimité. Je me revois dans ce que je vois et la tristesse qui m’assaillit alors, je la ressens comme une bénédiction.

Praça da Figueira


A cidade que fotografo só existe para mim. Nunca estou no mesmo sítio que os outros.

La ville que je prends en photo n’existe que pour moi. Je ne suis jamais là où sont les autres.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Natureza morta


A Natureza Morta está de regresso ao Museu Gulbenkian, com uma nova exposição consagrada à produção artística da segunda metade do séc. XIX e primeira metade do séc. XX. A mostra não está organizada cronologicamente, o que permite uma visita errática como gosto de fazer.
Estão representados praticamente todos os grandes pintores europeus do referido período, incluindo alguns portugueses. Claro que ajuda, e muito, ter conhecimentos da história da pintura, mas não é preciso perceber muito de arte para nos extasiarmos perante algumas das obras expostas. Estou a pensar particularmente em Van Gogh, Matisse, René Magritte ou Douanier Rousseau, cujos quadros me apeteceu trazer para casa.
Em quase todos os casos, adorei verificar como cada artista abordou o tema, ora confrontando-se com artistas que os antecederam, ora homenageando-os mais ou menos subtilmente (sendo que a confrontação pode ser uma forma extremada de homenagem).

Auto-retratos



Je me cherche partout, dans l'éspoir de te retrouver.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Pôr do sol

Era assim que eu gostaria de me dissolver na eternidade: com esta suavidade em tons pastel.

C'est ainsi que j'aimerais me dissoudre dans l'éternité: doucement enveloppé par des tons pastel.

domingo, 27 de novembro de 2011

Pôr do sol




A poesia é vaidade.
Já não preciso dela
Para sustentar a minha tristeza.

Prazeres




Dorme-se melhor morto?
Ou a insónia é eterna?

sábado, 26 de novembro de 2011

Prazeres (ontem)






Fotos são (também) actos mentais.

domingo, 20 de novembro de 2011

Torres Novas (hoje)



Torres Novas (hoje)





quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Baixa





Auto-retrato

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Annie Leibovitz



Foto do mês de setembro do calendário Lavazza. Não sou o único a gostar da Fuji X100.

Photo du mois de septembre du nouveau calendrier Lavazza. Je ne suis pas le seul à aimer le Fuji X100.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Graciela Iturbide





De repente, nas estantes da Fnac, encontrei um novo livro da colecção Photo Poche, dedicado a uma fotógrafa mexicana que não conhecia de todo: Graciela Iturbide.
Que bela descoberta. Nas suas fotos, encontrei o México por detrás do México. Um país que não vi, feito de interioridade visceral, que ela «ilumina» realçando o que de mais obscuro e profundo existe naquele país que tanto me impressionou.
Os animais, as mulheres e as crianças (os homens estão quase ausentes) que Graciela tão bem fotografa não se deixam verdadeiramente ver, pois guardam ciosamente os seus segredos. De resto, quando nos interpelam, o que acontece frequentemente, dir-se-iam que nos vêem melhor a nós do que nós os vemos a eles.
Aos meus olhos, o que Graciela Iturbide procura é revelar (no sentido fotográfico, mas também no sentido religioso do termo) a desolação e a marginalidade em que vivem aqueles a quem Deus e a sociedade viraram as costas. Por isso, a «mulher anjo» pode ser a sua imagem mais emblemática, mas eu prefiro as suas fotos dos pássaros, das cabras, ou mesmo das galinhas mortas, porque, na sua nudez absoluta e total, são mais reveladoras deste abandono.
Na verdade, antes de conhecer Graciela Iturbide, já o seu imaginário me perturbava.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Claire Denis

A revista francesa Inrockuptibles está a comemorar 25 anos de existência. Por isso, perguntou a 25 individualidades como imaginam o mundo daqui a 25 anos. Eis excertos da resposta de Claire Denis, que publico sem comentar.

«Como muitas pessoas, neste momento temo o futuro. Porque envelheço? Tenho a sensação de que sobrevivemos em vez de viver. Fala-se muito na Grécia como o calcanhar de Aquiles da Europa, mas eu penso em Portugal, a ponta do sapato europeu. Os portugueses forem descobridores, viajantes, Portugal faz parte do meu sentimento do mundo. Este povo sofreu, ainda sofre, mas não está na sua maneira de ser, indignar-se e revoltar-se como os Gregos. Penso no filme de Manoel de Oliveira, Non, ou a Vã Glória de Mandar. Os portugueses resistem sem fazer barulho. Aquele título do Oliveira permanece presente todos os dias. A ideia de ganhar, de mandar, é vã. E dizer «não», por vezes é uma forma de coragem. «Não», quer dizer nada de fingimentos, de gloriazitas, nem esta ilusão de mandar, ou de dominar. Eis como me imagino no futuro. (…) Neste meu imaginário de Portugal, existe um ideal sem o qual os portugueses não teriam ido explorar o mundo a bordo de cascas de noz. Por isso, espero que o futuro seja um pouco português.»

*

Les Inrocks, qui sont en train de fêter leur 25 ème anniversaire, on demandé à plusieurs individualités comment ils imaginaient le monde dans 25 ans. Voici des extraits de la réponde de Claire Denis :

«Comme beaucoup de gens, j’ai en ce moment peur du futur. Parce que je vieillis ? J’ai le sentiment qu’on surnage plutôt qu’on ne vit. On parle beaucoup de la Grèce comme du talon d’Achille de l’Europe, et moi, je pense au Portugal, la pointe de la chaussure européenne. Les Portugais ont été des découvreurs, des voyageurs, le Portugal fait partie de mon sentiment du monde. Ce peuple a enduré, endure, mais ce n’est pas dans sa manière de s’indigner, de se révolter comme les Grecs. Je pense au film de Manoel de Oliveira, Non, ou la Vaine Gloire de Commander. Les Portugais résistent sourdement, sans fracas. Ce titre d’Oliveira est pour moi présent chaque jour. L’idée de gagner, de commander, est vaine. Et dire “non”, c’est parfois une forme de courage. “Non”, cela veut dire pas de faux-semblants, de gloriole, pas de cette illusion de commander, pas de ce mensonge de dominer. Voilà comment j’imagine demain. (…) «Dans cet imaginaire que j’ai du Portugal, il existe un idéal sans lequel les Portugais ne seraient pas partis explorer le monde sur une coquille de noix. Voilà, j’espère que l’avenir sera un peu portugais.»

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Pensamento do dia


Wittgenstein: «O que é eterno e importante, está frequentemente oculto por um véu impenetrável. As pessoas percebem que há ali qualquer coisa, mas não a vêem. O véu reflete a luz do dia.»

Wittgenstein: «Ce qui est éternel, important, est souvent caché aux yeux des hommes par un voile impénétrable. Ils savent qu’il y a là-dessous quelque chose, mais ils ne le voient pas. Le voile réfléchit la lumière du jour.»

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Dos trapezistas

Alguns preferem os palhaços, outros os domadores de leões ou os ilusionistas. A mim, o que mais me fascina são os trapezistas. Adoraria voar como eles, desafiar a lei da gravidade e, no final, cair na rede como numa nuvem, com o sentimento de ter escrito um poema invisível no ar.

Certains préfèrent les clowns, d’autres les dresseurs d’animaux et d’autres encore les magiciens. Moi, c’est les trapézistes qui me fascinent le plus. J’adorerais voler comme eux, défier la loi de la gravité e, à la fin de mon numéro, tomber sur la toile comme sur un nuage, avec le sentiment d’avoir écrit un poème dans l’air.

Dos palhaços

O que os melhores palhaços nos ensinam, é que rir não é o contrário de chorar.

Ce que les meilleurs clowns nos apprennent, c’est que rire n’est pas le contraire de pleurer.

Pensamento do dia


Milan Kundera: «Na euforia da sua vida uniforme, as pessoas já não vêem o uniforme que vestem».

Milan Kundera: «Dans l'euphorie de leur vie uniforme,les gens ne voient plus l'uniforme qu'ils portent.»

Lisboa (ontem)


O fotógrafo aplica uma lupa a tudo o que vê.


Le photographe voit le monde à travers une loupe.

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