sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Lucas

Hermann Broch em La Mort de Virgile: «L’enfant inclut tout en lui, tout est musique pour lui, tout est immortel».

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Da morte

Hermann Broch em La Mort de Virgile: «… l’âme en est toujours à son début, sa grandeur est toujours celle de son premier éveil, et sa fin même a pour elle la dignité du commencement.»

Do amor

Uma vida só, não chega, para nada. E, no entanto… escravos da nossa ignorância, do nosso corpo, das nossas limitações, procuramos viver, amar, descobrir e saber, como se tudo fosse possível. Só o verdadeiro amor não tem limites, pois está sempre a ultrapassá-los. O horizonte do amor é o infinito.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Jardim das Amoreiras

Episódio

Olhou-me com uns olhos que pareciam dizer: "Salva-me, ou desaparece da minha vista". Mas o que realmente disse, foi: "Não fales do que ignoras e não ignores nada do que dizes". Encolhi os ombros e afastei-me, pensando: "O melhor é não dizeres nada, a quem nada te diz".

Jardim da Estrela

Jardim das Amoreiras

Jardim da Estrela

Jardim das Amoreiras

domingo, 18 de novembro de 2012

Saudades de Kyoto

Hitonari Tsuji: "À vista do amor, a técnica não tem a mínima importância. Nem o enquadramento."

Memórias

Certas coisas não precisam de ser verbalizadas. Nem conseguem sê-lo convenientemente, de resto. É uma das razões porque gosto tanto de fotografias.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Miguel Bombarda

O pretexto era visitar uma exposição que lá está (uma mostra colectiva de fotografias de hospitais), mas o principal objectivo era espreitar o famoso Pavilhão de Segurança do Hospital Miguel Bombarda, um espaço que vi pela primeira vez num filme do César Monteiro. Uma brochura gratuita explica que esta espécie de penitenciária para doentes mentais, foi construída em 1896 e funcionou até ao ano 2000. Da autoria do arquitecto José Maria Nepomuceno, o Pavilhão é um dos seis edifícios circulares panópticos existentes no mundo (vigilância a partir de uma torre central, sistema inventado por Jeremy Bentham em 1787). O mais espectacular é, em boa verdade, o pátio-praça central, uma zona ao ar livre onde os pacientes passavam o dia, quando não estavam de castigo. Hoje em dia, O Pavilhão de Segurança é o único espaço do Hospital que funciona, abrigando diversos núcleos de arte de doentes (cerca de 4000 obras, parece, embora só uma pequena parte esteja exposta). Algumas das «celas» abrigam restos do mobiliário e do equipamento médico e são uma razão suplementar para lá ir imaginar o que terá sido o quotidiano daquela gente.

Auto-retrato

Da poesia das coisas

Tudo tem a sua música própria, a sua poesia, o seu lugar no mundo. A mínima coisa pode iluminar-nos!

domingo, 11 de novembro de 2012

Dos tempos que vivemos

Ouçamos Jean Baudrillard: «Hoje vivemos uma eliminação lenta, endémica, viral. Melhor dizendo: vivemos numa sociedade de exclusão, em que fomos destituídos de certos direitos à morte. Um estado letal». E mais adiante: «Repare-se como nos batemos hoje por toda a parte em frentes apodrecidas: o sistema eleitoral, em que as pessoas são levadas a baterem-se por castas equivalentes; o emprego, em que todos são levados a baterem-se para encontrarem o seu lugar num sistema de exploração». Ou seja: «Em todo o lado somos prisioneiros de falsos problemas, de falsas alternativas, de falsas paradas em que somos perdedores em todos os casos possíveis».

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Caos

Homenagem a um «tuga» que não conheço.

Da poesia

Na poesia não há verdades no horizonte. Na verdade, nem sequer há horizontes. A poesia não tem limites, porque está para além da verdade.

Do pensamento

Baudrillard: «Se o pensamento é um desafio, é necessário que seja experimental».

Da poesia

Nunca procuro escrever poemas, mas, por vezes, impõe-se a mim. Deus me perdoe ter ainda, por vezes, a veleidade que querer escrever poemas. Sobretudo agora, que são, cada vez mais, uma luta terrível, contra o silêncio, contra as palavras, contra o mundo e contra mim mesmo. Não há vitórias em poesia; é preciso amar a derrota para escrever poemas.

Da estranheza

Jean Baudrillard: «... as coisas afastam-se cada vez mais do seu sentido e, indubitavelmente, mesmo umas das outras. E assim o mundo vai acentuando a sua fuga em direcção à estranheza e ao vazio».

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Da fotografia

As imagens estão todas aí; não é necessário inventá-las. A parte do fotógrafo numa fotografia é muito pequena.

Das igrejas

Deus não tem um tostão. Mas as igrejas estão cheias de outro.

Da poesia

A propósito de uma (re)leitura de Paul Celan apetece-me escrever o seguinte comentário: Ao contrário dos críticos, que parecem não ter dúvidas sobre o que escrevem, os poetas são as pessoas mais hesitantes deste mundo e nunca têm certezas, apenas intuições. Por isso, os primeiros avançam sempre por avenidas pejadas de admiradores, enquanto os segundos trilham carreiros solitários à beira do abismo. «Vivemos sob céus sombrios e... existem poucos seres humanos. Talvez por isso existam também tão poucos poemas», escreveu Celan. Noutra altura, afirmou: «A poesia já não se impõe, expõe-se». Isto antes de haver facebook! Por mim, acho que os verdadeiros poetas não andam a gritar aos quatro ventos que o são. Prefiro os que se isolam para ir «ao fundo da alma buscar os olhos para ver o mundo». Como dizia Celan: «Só mãos verdadeiras escrevem poemas verdadeiros».

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Puro fascínio

Jean Baudrillard: «Para mim, uma imagem fotográfica vale menos em termos de qualidade ou de conteúdo do que em termos de puro fascínio».

Saudades do Arizona

O Arizona tem uma variedade impressionante de paisagens. Na verdade, as mais extremas que se possam imaginar, entre as quais esses locais absolutamente surreais que são a Petrified Forest e o Painted Desert (que se podem observar nestas fotos). Dois universos geológicos espantosos, insólitos, onde não custa nada acreditar que estamos noutro planeta, numa galáxia bem longíqua. Vejam-se, por exemplo, as árvores fossilizadas, com as suas estrias loucas, com cores de pedras preciosas. Diz-se que têm 200 milhões de anos!

Joshua Tree

Transcrito do meu guia de viagem: «As árvores são mandiocas gigantes, que atingem 15 metros de altura, e foram baptizadas como Joshua Trees por viajantes mórmones do século XIX, que as relacionaram com uma passagem do Livro de Josué e acharam que as suas ramas lhes indicavam o caminho a seguir». A última fotografia mostra «A caveira».

Saudades do Arizona

Ainda lá estava e já sentia saudades. Saudades do calor e do silêncio, um dos silêncios mais musicais que jamais conheci. Saudades daqueles céus sem fim, onde há sempre núvens para acentuar o azul profundo do céu (um céu tão luminoso que a estrada parece pavimentada de prata). Saudades de poder conduzir interminavelmente, com a paisagem a desenrolar-se à minha frente como um filme apaixonante.

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