terça-feira, 18 de outubro de 2016

Linha d'Água

Na claridade do lago
A pirueta de um pato
De súbito, cura-me
Da minha melancolia

 *

É meio-dia e no céu
Um castelo de nuvens desfaz-se.
Tudo o que vejo sonho?
Ou é exactamente o contrario?

 *

Um só sonho: não acordar.

 * 

Para escrever mergulho na maior escuridão.
Se o amor não iluminasse
Perder-me-ia sem remissão.

 *

Anjos minúsculos brincam nas árvores
O céu é um quadro por acabar

 *

Lugar de pureza
Terra absoluta
Em cada verso
O poema morre

 *

Quando estou muito tempo sem escrever
Os deuses inquietam-se.

 *

Se nunca me tivesse perdido nunca me teria encontrado

 *

No meio da folhagem
Um sobressalto!
Anda de ramo em ramo
Uma ideia que não consigo fixar.

 *

Ouço no vento a emoção do jardim.
Tudo à minha volta devora o meu olhar.

 *

Eis como vejo este momento:
Como um jardim que posso segurar na mão.

 *

Escrever como a brisa.
Sentir como o lago.

 *

Flores?
Ouvem-se com o nariz
Comem-se com os olhos
Saboreiam-se com um poema

 *

Soltam-se as palavras
E o poema acorre.
O segredo é enorme.

Sem comentários:

Arquivo do blogue