sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Sabedoria popular






As ruas estão cheias de bons conselhos, para quem repara nisso. Infelizmente, a maior parte das pessoas estão demasiado alienada para olhar à sua volta.
Para além de grafitis inteligentes, a crise tem outros efeitos «simpáticos», que pude aproveitar hoje: livros a €2, dossiers a €1 e refeições por €3,60 (sem bebida).

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Sem palavras

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Não há volta a dar

Segunda, 9

Escrevo como penso e penso como escrevo: de maneira fragmentada, imperfeita, aos repelões. Muita merda e, de repente, um raio de luz. Um trovão silencioso. Como este pensamento que me abalou dos pés à cabeça: «Nem crente, nem ateu, que sou eu?»

Mais tarde

A minha prosa é como eu: pele e osso. Só me interessa o essencial. Detesto a palha, o ornamento e até o estilo. O único estilo aceitável para mim é a clareza.

Terça, 10

De manhã

Todas as manhãs, às cinco e meia, o despertador. Todas as manhãs é preciso voltar a aprender a viver.

Despertador. Desperta dor. Que nome tão certo. Mal despertas, começas a sofrer.

Quando cheguei à cozinha, já a Raquel estava a tomar o pequeno-almoço. Quando me viu, desabafou: «O meu cérebro ainda está a fazer restart».

À tarde

Carta da Segurança Social. Afinal o subsídio de desemprego é só por dois anos. O que quer que façamos da nossa vida, vamo-nos sempre arrepender de não ter feito outra coisa.

Quarta, 11

Mora ida e volta com Zé Solano. Almoço em Cabeção. Fotos na estrada. Sol radioso. Um dia bem passado.

A agência da Caixa Geral de Depósitos de Mora é agora uma loja chinesa. O padeiro é um ucraniano, enorme, de olhos azuis, que não fala português. É, sem dúvida, isto a globalização.

Mais tarde

Cioran: «Desconfia dos que te imitam». Acrescento: «Dos que te copiam também».

Quinta, 12

Depois de mais uma noite de insónia

Não vale a pena pensar na morte. É mesmo a última coisa em que se deve pensar. Há tempo para isso. Mas devemos ter sempre presente que a vida é um presente que vamos ter que devolver.

Há imensas vantagens em estar morto. Tenho que me lembrar disto mais vezes.

Mais tarde

Quando o mundo desaparecer, ninguém vai dar por nada.

Sexta-feira, 13

Por vezes ando, ando, ando, percorro quilómetros a pé para me provar que estou vivo. Para que o mundo faça dos meus olhos o que quiser.

Se quero ver tudo é porque me quero sentir por inteiro.

Pensamentos avulso. Ocasionais. A minha especialidade. A minha sina?

À noite

Para aproveitar o melhor possível a vida, não se pode pensar na morte (que de resto é impensável). Nem sequer no tempo que passa. De resto, o tempo não passa: nós é que passamos por ele. Tão depressa e tão devagar...

Cioran via na angústia uma «memória» do futuro. Na angústia «vemos», «sentimos» o que nos espera. Ou o que nos poderá acontecer. Na verdade, temos sempre razão de esperar o pior. Ele acabará inevitavelmente por acontecer.

Sábado, 14

Três exposições num dia, tal como no sábado passado.
Na Cordoaria: «O Surrealismo na coleção da Fundação Cupertino de Miranda» onde estão cerca de 230 obras de nomes tão diversos como Teixeira de Pascoaes, Risques Pereira, Eurico da Costa, Cruzeiro Seixas, Cesariny, António Maria Lisboa e Mário Henrique Leiria, entre outros. Como tudo aquilo parece tão «naïf» hoje em dia!
No CCB: «Não te posso ver nem pintado», uma exposição que propõe um percurso por alguma pintura figurativa dos últimos 50 anos; e «A Intuição e a Estrutura» que põe em confronto (ou em diálogo) obras de Maria Helena Vieira da Silva e Joaquín Torres-Garcia. Numa como noutra, noventa por cento não vale nada, ou quase nada. Mas os restantes dez por cento valem bem a visita.

Sempre que saio de uma exposição, apetece-me pintar. Sempre que saio de um concerto, mortifico-me por não ter aprendido música. Sou um eterno frustrado.

Domingo, 15

Ninguém me convence do contrário: quando sonho descubro segredos e desvendo mistérios dos quais me esqueço invariavelmente ao acordar.

Toda a gente tem uma ideia errada de mim. É inevitável. É uma das razões pelas quais gostaríamos que Deus existisse: para repor a verdade sobre nós. Sobretudo junto das pessoas que amamos.

Quanto a mim, amo os meus defeitos e detesto as minhas virtudes. Entendam-no como quiserem.

Mais tarde

Cioran uma vez mais: «A avareza não é talvez senão uma forma de angústia.»

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Sabedoria popular



Não te preocupes por estar desempregado. Preocupa-te é em empregar bem o teu tempo.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Da angústia



Magnífica frase de Cioran (com quem sinto cada vez mais afinidades): «Poder-se-ia dizer da angústia tudo o que se diz do mar...»

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Dias de chuva

Segunda-feira

Acho piada aos peneirentos, aos convencidos. Mesmo os génios têm um lado charlatão. Todos os vaidosos sabem que, no fundo, não há razão para tanto. Quanto mais vaidoso, mais mentiroso.

Não sou perfeccionista. De resto, se procurasse a perfeição, não seria capaz de fazer nada, pois tenho demasiada consciência das minhas limitações. Talvez por isso, por ser como sou, tenho um fraquinho por tudo o que é incompleto e imperfeito. Adoro esboços, rascunhos, fragmentos. Fascinam-me as obras inacabadas, as vidas caóticas, desperdiçadas.

Terça

São sempre precisos dois poetas para cada poema.

Quarta

De repente, acordas e são três da manhã. No teu cérebro, pisca um sinal de alarme. Tens medo e não sabes porquê. E não queres saber. A noite envolve-te como um saco de plástico preto. Um saco do lixo gigante.

Quinta

Perante as confissões dos outros, perguntar: «Que escondem elas?». O que realmente nos define são os nossos segredos. Os segredos que levamos para a cova.

Sexta

Desaprender a escrever, a fotografar. Desaprender a viver. E depois, recomeçar de novo.

Sábado

Nostalgia e ansiedade. É assim que vivem os velhos. Entre dois abismos fatais.

Domingo

Um dia engolido pela chuva e o frio. Incapaz de viver, passei o dia a dissolver-me na televisão.

Espero sinceramente que Deus exista. Um deus qualquer serve. Preciso desesperadamente que, no final, alguém me diga o que fiz da minha vida, porque eu não sei.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

A sabedoria de Confúcio


Não procures a amizade daqueles que não te merecem.

Não é nenhuma infelicidade ser desconhecido pelos homens, mas é uma infelicidade não os conhecer.

Estudar sem refletir é vão, mas refletir sem estudar é perigoso.

Os vossos defeitos, definem-vos. É através deles que se podem conhecer as vossas virtudes.

A virtude não é solitária; ela suscita invariavelmente companhia.

Estudar é como correr atrás do que nos escapa, temendo perder o que já possuímos.

Não se preocupem de não ser notados, preocupem-se é em fazer algo de notável.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Não me canso de olhar o céu




Sinto que não pertenço, nem a esta cidade, nem a este país. Nem provavelmente a este mundo. Tudo em mim aspira a uma outra realidade, que não é deste mundo com certeza.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

A nuvem de Holderlin



Holderlin disse que o homem é um deus quando sonha e um mendigo quando pensa. É o que eu sinto.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

A lição de Tomlinson


«Vinte anos aqui passados ainda não
me ensinaram a ler com precisão
nem os sinais da terra nem os sinais do céu:
continuo com o olhar de um recém-chegado»

Tradução de Gualter Cunha (Cotovia, 1992)

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

A nuvem da Ana


Novalis, citado pela Ana (que foi hoje operada): «Quando morre um espírito, ele torna-se Homem. Quando morre um Homem, ele torna-se espírito. Livre morte do espírito, livre morte do Homem.»

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

A nuvem de Juarroz


Magnífica definição de Juarroz (poeta argentino que viveu entre 1925 e 1995): «A poesia é uma tentativa arriscada e visionária de aceder a um espaço que sempre preocupou e angustiou o homem: o espaço do impossível que, por vezes, parece ser também o espaço do indizível».

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

A nuvem de Llansol


Subscrevo inteiramente a afirmação de Maria Gabriela Llansol segundo a qual «... escrever só realiza uma parte do meu desejo de escrever». Sinto o mesmo.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

A nuvem de Claude Roy


«Mes cahiers, je voudrais qu'ils soient plutôt des chantiers...», dizia Claude Roy.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

A nuvem de Octavio Paz


«Penso que o fragmento é a forma que melhor reflete esta realidade em movimento que nós vivemos».

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

A pergunta de Guillevic


«Que reste-t-il à faire
A qui ne rêve pas?»

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

As nuvens de Baudelaire


«Eh! qu'aimes-tu donc, extraordinaire étranger?
J'aime les nuages... les nuages qui passent... là-bas... là-bas... les merveilleux nuages!»
Baudelaire: Petits poèmes en prose, I (1869)

sábado, 24 de janeiro de 2009

Verde, que te quero verde


Um momento são muitos momentos. Toda a fotografia é infinita.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Da fotografia

«Ce qui n'est pas fixé n'est rien; ce qui est fixé est mort».

 

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Avião


Estou de regresso: o avião aterrou ontem no Campo dos Mártires da Pátria!

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