sexta-feira, 19 de agosto de 2011

A dança das sombras




Wittgenstein afirmou um dia que só devíamos filosofar através de poemas. Ou de fotografias, acrescentaria eu.
Através da fotografia procuro conhecer o meu lugar no mundo, e os efeitos do mundo em mim. Um fotógrafo, tal como o entendo, é, para usar uma expressão de Milan Kundera, «um explorador da existência».
A fotografia tem isto em comum com a filosofia: é um trabalho interior, uma forma de procurar uma nova maneira de ver as coisas.
Tal como uma caneta e um caderno me ajudam a pensar, uma máquina fotográfica ajuda-me a sentir, a interrogar-me sobre a vida secreta dos meus sentimentos.
Kleist terá dito um dia que gostaria de transmitir as suas ideias sem a ajuda de palavras. Talvez seja isto mesmo que, enquanto fotógrafo, procuro fazer. Não tanto transmitir ideias, na verdade, mas antes partilhar interrogações, surpresas e deslumbramentos.

Wittgenstein a dit un jour qu’on ne devrait faire de la philosophie qu’a travers des poèmes. Moi, j’ajouterais: ou avec de photos.
Avec mes photos, je cherche à connaitre ma place au monde, et les effets du monde en moi. Pour moi, un photographe est un explorateur de l’existence, pour reprendre un mot de Milan Kundera.
C’est ce que la photo a en commun avec la philosophie : il s’agit d’un travail intérieur, d'une tentative de trouver une nouvelle façon de voir les choses.
De la même manière qu’un stylo m’aide à penser, une camera m’aide à sentir, à me poser des questions sur la vie secrète de mes sentiments.
Kleist aurait aimé, parait-il, transmettre ses idées poétiques sans l’aide des mots. Peut-être que c’est ce que je cherche à faire avec mes photos. Non pas transmettre des idées, mais plutôt partager mes interrogations, mes surprises et mes émerveillements.





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