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Wittgenstein afirmou um dia que só devíamos filosofar através de poemas. Ou de fotografias, acrescentaria eu.
Através da fotografia procuro conhecer o meu lugar no mundo, e os efeitos do mundo em mim. Um fotógrafo, tal como o entendo, é, para usar uma expressão de Milan Kundera, «um explorador da existência».
A fotografia tem isto em comum com a filosofia: é um trabalho interior, uma forma de procurar uma nova maneira de ver as coisas.
Tal como uma caneta e um caderno me ajudam a pensar, uma máquina fotográfica ajuda-me a sentir, a interrogar-me sobre a vida secreta dos meus sentimentos.
Kleist terá dito um dia que gostaria de transmitir as suas ideias sem a ajuda de palavras. Talvez seja isto mesmo que, enquanto fotógrafo, procuro fazer. Não tanto transmitir ideias, na verdade, mas antes partilhar interrogações, surpresas e deslumbramentos.
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