quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Andando



O título que recebeu por cá, não faz justiça ao filme. Andando não é um bom nome. Em inglês soa melhor: Still Walking. Há, a meu ver, uma diferença entre ir andando e continuar a andar. A tão expressão «Vamos andando», tão portuguesa, estaria bem melhor.
O postal com que a Atalanta promove a obra (do japonês Kore-Eda Hirokazu), resume assim a história: «Vinte e quatro horas. Uma família junta-se num raro encontro familiar para assinalar o aniversário da morte do filho mais velho. Amor, ressentimentos e segredos unem esta família disfuncional».
Disfuncional? A palavra está decididamente na moda. Gostava que me apontassem uma família, uma só, que não seja disfuncional!
A propósito deste filme, melancólico e belo, verdadeiraente admirável, apetece escrever: os filhos tomam sempre o lugar dos pais, os netos dos avós e por aí fora. Onde quer que estejamos, no espaço de um dia temos todo o tempo do mundo. E qualquer casa é o mundo todo, qualquer família todas as famílias. No Japão como em Portugal.
À saída do King ouvi alguém proclamar para os amigos em voz alta: «Que estranhos são estes japoneses!». Deu-me vontade de rir: o palerma nem sequer se reconheceu no retrato.

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