quarta-feira, 11 de março de 2009

Ronaldo

Do amor

É muito simples: sabemos quando uma pessoa é certa para nós quando com ela nos sentimos melhores do que sem ela.

Da amizade

Tenho muito orgulho nas minhas amizades, tal como tenho do gato que salvei de uma morte certa ou da planta que recuperei quando já parecia perdida. Também as amizades precisam de ser recuperadas ou salvas de vez em quando. Em todo o caso, precisam sempre de ser acarinhadas e constantemente buriladas. Ao contrário do que muita gente pensa, são precisos muitos anos para se construir uma boa amizade. E manter amigos ao longo dos anos é tão essencial (e compensador) como manter a saúde.

Pura realidade

Preparava-me para ir para a cama, quando a Raquel (que já estava a dormir porque amanhã começa a trabalhar às sete da manhã) apareceu na sala para me dizer: «Tenho que ir ter com a minha irmã para lhe levar as chaves de casa. Foi assaltada mais uma vez». Naturalmente, ofereci-me para levar as chaves.
Encontrei-me com a minha cunhada no Largo do Camões. Estava com o seu amigo dinamarquês, que tem um nome impronunciável e que mal se aguentava nas pernas de tão bêbado. Ela segurava nas mãos um cigarro que já não media mais do que um centímetro, que lhe ia queimar os dedos a todo o momento, e lá me explicou que lhe tinham roubado a mala num restaurante ali perto. Enquanto esperava por mim, ligara para o seu próprio telemóvel e atendeu um sujeito que lhe disse ter encontrado a sua mala e que estava disposto a devolvê-la, contra a entrega de uma recompensa. My God!

Ficção rápida

Passei a noite a escrever textos onde brincava com o fogo. Quando acordei, tive que os apagar a todos.

Pura realidade

Que a realidade ultrapassa a ficção não é novidade nenhuma, mas quando certas realidades nos batem à porta sentimo-nos personagens numa ficção delirante. Leia-se este «post» do blog da minha filha e pasme-se:
«Esta história que vou contar é tão verdadeira quanto ridícula. Infelizmente afeta-me a mim e à minha família de uma forma extremamente intrusiva. E levanta outras questões muito mais complicadas.
Por causa de incidentes passados já me tinha apercebido que um dos nossos vizinhos era meio louco. A primeira vez que o cumprimentei à porta do prédio ele respondeu-me com um alarve peido. Noutras ocasiões posteriores ouvi-o queixar-se de meio mundo e acusar quase todos os vizinhos de o maltratarem.
O personagem - que vive numa casa tão badalhoca e mal conservada que amigos meus por julgaram estar abandonada ponderaram ocupar - vive sozinho há muitos anos. Tanto quanto consegui perceber vive na Holanda há mais de 30 anos. É espanhol e, das poucas vezes que conversámos, foi em castelhano.
Este inverno por não ter pago as contas do gás - e consequentemente ter ficado sem aquecimento central - passou os seus dias enfiado no coffee-shop do bairro.
Sempre simpatizei com o senhor e frequentemente insurgi-me contra o mal que diziam dele.
Desde há uns tempos, tinha reparado que ele andava em obras e ouvia frequentemente barulhos de berbequins vindos de sua casa. Sabendo do estado lastimoso em que ele vive não pude deixar de estranhar tal facto.
Um dia destes, por um dos buracos que ele fez, entrou-nos casa a dentro uma coisa que se parecia a uma antena. Quando confrontado com o facto ele limitou-se a dizer "se lo ay passado" e nós para evitarmos grandes confusões, e porque genuinamente acreditámos que era um acidente resolvemos dizer-lhe para ter cuidado mas deixámos as coisas por aí.
Ontem à noite, quando regressámos a casa, tínhamos nada mais nada menos que um buraco na parede. Espreitando por ele, podíamos ver a sala do vizinho. Depois de tocarmos à campainha e ele não responder achámos que o melhor seria chamar a polícia.
Depois de verem o buraco de nossa casa, os polícias foram a casa dele e quando a policia voltou e nos contou a versão dele, apercebi-me de que isto era o começo de uma saga.
Segundo ele, nós (leia-se a minha família) somos uns criminosos da pior espécie e (agora é que vem a cereja no topo do bolo) mantemos a Maddie presa dentro de nossa casa. Fomos nós que a raptámos no Algarve, porque claro somos portugueses, e a trouxemos para a Holanda.
Pior: a história já tem 8 meses, quando ele mandou a sua primeira carta a contar todo este filme à polícia. Parece que entretanto a embaixada portuguesa também já foi notificada do caso e mais umas quantas autoridades holandesas para as quais nem conheço nome mas que ele não se esqueceu de informar .
Ora aparentemente ninguém achou que nos devia comunicar tal barbaridade e todos assumiram que o senhor era demente e que o melhor seria ignorá-lo.
Roído pelo terror de saber que a Maddie estava prisioneira desta terrível família de portugueses o senhor desatou a esburacar a parede não sei bem com que intuito, destruindo a sua casa e, consequentemente, a nossa também.
Ele foi detido e levado para um estabelecimento psiquiátrico ontem onde passou a noite. Julgo que seja libertado hoje. Espero que sim. Eu por mim não consegui dormir com a ideia de que tal personagem existe e sofre como sofre.
Claro que também estou preocupada com a segurança da minha família apesar de achar que o senhor é "inofensivo" e que, acima de tudo, tem muito medo de nós.
Mas pior que tudo é a milícia popular que em poucas horas se levantou em nossa defesa e que está confiante que os vamos ajudar a correr com esta pessoa do bairro.
Uma das minhas vizinhas dizia ontem com estranha convicção: "the only solution is eviction."
Ora se há coisa que eu não vou fazer é assinar o peditório desta gente e mais: espero que o senhor seja libertado quanto antes, mediante medicação, para que o possa convidar a ver por si que a única criança dentro de minha casa tem pilinha e não dá pelo nome de Maddie.»

terça-feira, 10 de março de 2009

Raúl Perez




Raúl Perez nasceu no Minho em 1944 e esteve ligado ao movimento surrealista português. Como se pode ver pelas duas imagens que aqui publico, a sua obra inspira-se diretamente no mundo dos sonhos, mas de uns sonhos muito particulares, povoados por personagens inquietantes, sobre as quais o mínimo que se pode dizer é que remetem para um imaginário de assombração, onde dominam as trevas e a magia negra. Está uma exposição dele no CCB até 12 de Abril.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Da democracia

Tenho cada vez menos a sensação de viver em democracia. A sensação que tenho é a de que vivemos numa ditadura dos chicos espertos. Não me cansarei nunca de o repetir: somos governados, chefiados e vigiados por espertalhões sem escrúpulos e com uma lata infinita que são o contrário de seres inteligentes, pois nenhum ser verdadeiramente inteligente seria capaz de enganar, e muito menos desprezar, os seus semelhantes como esta gente faz. É o que eu acho. À minha volta praticamente só vejo polícias e escravos e os polícias, evidentemente, são os piores escravos porque não desconhecem que o são. Têm a ilusão do poder, coitados. E o poder é algo tão mesquinho, tão reles!
A verdade é que nunca conseguiram fazer de mim um soldado, nem um jornalista empenhado. O que, no fundo, é a mesma coisa. Sou avesso a qualquer forma de obediência sistemática e só reconheço duas formas de autoridade: a da competência em matéria profissional (quase uma utopia num país como Portugal), e a do amor e da amizade na vida em geral. Moralmente, sou um amante. Um amador. Politicamente sou ateu.

Do corpo

É um facto: o corpo humano é um monumento efémero. Esculpido pelo tempo, ou melhor, pelo modo como usámos a nossa vida, o nosso corpo é a parte de nós que, a partir de certa altura, menos nos convém. Se o mundo estivesse bem feito; a partir de uma certa idade, devíamos ser só espírito.

Da morte

Morrer é demasiado definitivo, não me convém. Já descansar eternamente é mais o meu género. Do mesmo modo, morrer não é suficientemente poético para mim. Prefiro simplesmente desaparecer.

domingo, 8 de março de 2009

Ellipse Foundation






Ontem, depois de um opíparo almoço em Alcoitão, fomos visitar finalmente a Ellipse Foundation, na companhia de vários amigos. A Ellipse Foundation foi inaugurada em Maio de 2006 e reúne uma importante coleção de arte contemporânea num espaço labiríntico mas espectacular. Neste momento está lá uma exposição intitulada «Listen darling... the world is ours» da responsabilidade de Lisa Phillips, diretora do New Museum de Nova Iorque.
A mostra reúne obras muito diversas de mais de 40 artistas incluindo grandes nomes como Louise Bourgeois, John Baldessari, Mattew Barney, Nan Goldin, Cindy Sherman e o português Julião Sarmento, por exemplo. Segundo a curadora, propõe-se ilustrar «as mudanças radicais pelas quais a cultura passou nas suas dinâmicas psico-sexuais durante os últimos 30 anos» (as palavras são dela, naturalmente). Gostei especialmente da instalação-vídeo da iraniana Shirin Neshat. Em paredes opostas são projetados dois filmes onde a figura central é uma mulher árabe que, dum lado evolui num meio religioso iraniano e do outro no nosso mundo «ocidental» (foi o que me pareceu). É uma mulher confrontada com culturas e religiões muito diferentes, carregando com o peso de uma tradição especialmente penalizante para as mulheres, que procura emancipar-se, mas que não consegue sentir-se verdadeiramente livre em nenhum dos dois mundos por onde circula. Segundo Lisa Phillips, «a fricção entre duas culturas e costumes diferentes, entre o sagrado e o profano, é avassaladora à medida que ela confronta e contempla as grandes linhas divisórias que separam o cultural e o religioso, bem como a sua relação com ambos enquanto mulher e imigrante nestes tempos de medo e paranóia».
A exposição «Listen darling... the world is ours» encerra com outra instalação-vídeo super-interessante, desta vez projetada em seis paredes diferentes ao mesmo tempo. Intitula-se «Where is where» e é da autoria de Eija-Liisa Ahtila. O filme, que se desdobra pelos vários ecrãs de forma espetacular, justapõe e intercala duas histórias: uma centrada numa mulher finlandesa à procura de respostas para as inquietações existenciais e outra que narra as aventuras de garotos argelinos em período de guerra. Fabuloso!

quinta-feira, 5 de março de 2009

Saudades de Amesterdão







Estava a arrumar umas fotografias e dei com estas, tiradas em 2006, em Amesterdão. Ficam aqui para as salvar de novo esquecimento

Ficção rápida

Ok, finalmente sou publicado. Um editor conseguiu perceber o alcance do meu trabalho e entusiasmou-se. Depois, milagre, um crítico percebeu-me também. Uma boa recensão num jornal credível e o livro está lançado. Os outros jornais alinham pelo mesmo diapasão, todos querem entrevistas, lutam inclusivamente por um exclusivo. A televisão chama-me. As televisões. A fama chega ao estrangeiro e chovem pedidos de tradução. Só falta um prémio, cá está ele. Sim, e depois? Que adianta isto tudo? Dinheiro? Para quê? Tudo chegou demasiado tarde, não há nada a fazer, vou morrer amanhã.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Luz




sábado, 28 de fevereiro de 2009

Da saudade



Os portugueses adoram chorar-se. Dramatizar a sua vida. O fado é um bom exemplo disso mesmo.

Na minha opinião, a saudade, a famosa saudade tão tipicamente nacional, é a nostalgia do passado, mais do que da terrinha. A canção mais portuguesa de todas é a que diz: «Ó tempo, volta para trás.»

O problema é que nunca se volta para trás. Até para voltar é preciso seguir em frente.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Convite à viagem




Primeiro Amesterdão para matar saudades, ou melhor, para acalmar as saudades porque as saudades são imortais; depois Toronto, lá mais para o Verão. São as duas viagens por que anseio.

Entretanto, apesar da minha resistência, imagens do passado estão a vir ao de cima, como que impelidas por uma força superior. Histórias do colégio e memórias dos meus avós, sobretudo.

Quando estava zangado, o meu avô chamava-me «calão». Hoje quero acreditar que essa palavra designa alguém que prefere calar-se a falar, como eu faço. Calão, para mim, é alguém que cala fundo.

Entretanto, já só tenho dois objetivos na vida: amar e aprofundar-me. E uma nova ambição: dizer apenas o essencial.

Quando era jornalista, queria fazer-me entender por toda a gente. Agora, quero é entender-me a mim próprio. É um trabalho muito mais difícil.

Ontem a falar com o Ricardo, ocorreu-me esta definição: «Ser feliz é sermos nós próprios e vivermos bem com isso».

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Os cadernos de Cioran



Acabei de ler os Cahiers de Cioran, que abarcam um período de 15 anos (1957-1972). São mil páginas de tristeza, fúria e desespero, com frases geniais pelo meio. Como esta, por exemplo: «Si je voulais rendre le ton de ce que je ressens, il me faudrait mettre un point d'exclamation après chaque mot». Ou esta: «Toujours la même rengaine: on voudrait s'entretenir avec les anges, et on doit aller dîner en ville...» Podia multiplicar as citações, sublinhei centenas de frases no livro. Mesmo assim apetece-me dizer destes Cahiers, o que ele disse da correspondência entre Martin du Gard e Gide, que foi publicada em dois tomos volumosos: «Porque não fizeram uma seleção das suas notas?» Teria sido tão fácil escolher as observações mais pertinentes e publicar um livro apaixonante. Se me confiassem esse trabalho, teria reduzido essas mil páginas a umas duzentas. Teríamos assim um livro genial, talvez o mais negro e luminoso jamais publicado.

A sensação com que fico, agora que deixei o livro, é a de que convivi durante uma semana com um professor de metafísica. Provavelmente um dos melhores mestres que tive até hoje.

O exemplo de Cioran comprova-o: a lucidez não ajuda a viver, só nos torna mais tristes e desesperados. Outra conclusão que retiro do livro: pensar muito na morte (e ele quase não fez outra coisa durante toda a sua vida), não nos ajuda nem a viver, nem a morrer.
A certa altura, ele escreve: «A verdade é o que precisamos para viver». Ora, como toda a gente sabe, a verdade só chateia. Ninguém quer saber da verdade, neste mundo em que vivemos hoje. De resto, se toda a verdade do mundo viesse ao de cima, morreríamos sufocados na nossa própria merda. A humanidade foi um gigantesco erro de Deus. Como diziam os membros de uma seita religiosa romena citada por Cioran, Deus ele próprio pecou ao criar este mundo.
Como Cioran não se cansa de repetir: o problema não está na morte, está em termos consciência dela. É a nossa consciência que nos mata. A consciência de sermos mortais. Efémeros.
Por outro lado, se não fosse a consciência da morte, talvez o o homem pudesse transformar-se num deus. Ou, no outro extremo, transformar a Terra no Inferno. No verdadeiro Inferno, tal como o descreveu Dante.
Seja como for, a morte é a desculpa para tudo. A maior de todas. É para não pensar nela, que os homens correm atrás da fama, ou que procuram desesperadamente enriquecer e ter poder. A ironia é que quanto mais se tem a perder, mais custa morrer. É um lugar comum, mas que ninguém pratica: o caminho da serenidade, para já não dizer da santidade, é não desejar nada. Mas mesmo nada, nem sequer viver. Se não te importares de morrer, nada te pode atingir, é evidente. E não estou a falar dos suicidas que se matam contra a morte. Que se atiram a ela por raiva. Não porque a desejam, mas porque não a podem ver. Porque não suportam viver com ela às cavalitas. Sim, porque a verdade é esta: todos carregamos a nossa morte às costas. Quando somos jovens, ela é ligeira. À medida que vamos envelhecendo, ela engorda cada vez mais. Ganha peso à nossa custa. A morte é parasita.

Mais tarde

O sentido da vida é só um. É um sentido proibido, tudo o que podes fazer é seguir em frente.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Da série «cem palavras»





segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Campolide





domingo, 22 de fevereiro de 2009

O sol, finalmente

Segunda, 16

Quando perguntavam ao filósofo romeno Alexander Drogomin o que escrevia, ele respondia: «Nada de importante, tento apenas compreender».

Terça, 17

Tenho agora a caneta perfeita e o caderno mais adequado. Foram precisos anos para chegar a este ponto. Parece uma coisa de nada, mas não é.

A felicidade esconde-se nas pequenas coisas. É um segredo que poucas pessoas conhecem. E são menos ainda as que o podem compreender.

Tenho um dom para ser feliz. Descobri-o muito tarde, já depois dos 40. Acho que herdei este dom dos meus avós maternos. Espero que os meus filhos o tenham herdado também.

Quarta, 18

Seis da manhã e já estou a ler Cioran. Que raio de maneira de começar o dia. O homem só fala da morte sob todas as suas formas. Morte, angústia, velhice, remorsos... um desfilar de negrume e lágrimas. Mas conheço poucos pensadores mais lúcidos do que ele.

Mais tarde

Visita da Quinta dos Loridos com o Luís Maio. Nos terrenos da quinta, cuja origem remonta ao século XVI, e que já pertenceu a uma família italiana e a outra espanhola, Joe Berardo está a construir um Jardim Oriental que tem que se lhe diga. Vale a pena a visita. O solar, que data da época dos descobrimentos, é uma réplica exata de um outro que existe na cidade de Cremona em Itália. Tudo ali são réplicas, aliás: os numerosos budas, as várias centenas de guerreiros de terracota, as fontes renascentistas. Muitos milhares de esculturas em pedra e barro importados da China. Da Inglaterra virão brevemente cerejeiras e flores várias. No futuro vão ali instalar-se vários núcleos museológicos. Um com pedras preciosas, outro com fósseis e o terceiro com louça de Rafael Bordalo Pinheiro.





19, Quinta

Acordo às duas da manhã e o meu cérebro dispara numa corrida louca, causada sabe-se lá pelo quê e para quê. São tantas as ideias que tenho que acender uma luz (mas não a luz, para não acordar a Raquel) para tomar notas. Preencho assim quatro páginas num ápice. Nada de especial: tarefas que devo levar a cabo, pessoas a quem devo telefonar, compromissos a que devo fazer face. O resto da noite foi uma desgraça. Tão depressa adormecia como acordava. Pelo meio, sonhos soltos, cenas tristes e/ou angustiantes.

20, Sexta-feira

Como dizia Cioran, quando vejo quem é famoso hoje em dia, congratulo-me por ninguém saber quem sou.

Sábado, 21

O homem antigo sentia-se observado por Deus, onde quer que estivesse e por isso observava algum recato. Hoje somos vigiados por câmaras que estão em todo o lado. E por detrás dessas câmaras estão «seguranças, pagos miseravelmente mas que desempenham na perfeição o seu papel de cães de guarda, ao serviço de gente corrupta e poderosa que quer ter o monopólio das malfeitorias.
Nesta sociedade, somos todos prisioneiros em liberdade condicional, controlados por indivíduos valem menos do que nós, mas que ganham milhões à nossa custa.

Domingo, 22

Morreu o João, cunhado do Ricardo, com uma septicemia galopante.

A realidade é apenas um aspeto da vida e, provavelmente, nem sequer é o mais importante.

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