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Sempre o pensei: a arte é, entre muitas outras coisas, uma maneira de prolongarmos a infância. Era muito pequeno quando comecei a inventar histórias e, no meu leito de morte, continuarei, sem dúvida, a fazê-lo. Esta tarde, vi uma exposição de um artista que continua, como uma criança, a querer reinventar o mundo, procurando, talvez, torná-lo melhor. Como Alice, todos os artistas tentam atravessar o espelho para ver o que está para lá. Pois o que procuramos só pode estar para além do que vemos.
Foi assim que vi, ontem, a exposição antológica do Miguel Palma que junta, no Centro de Arte Moderna da Fundação Gulbenkian, mais de uma centena de esculturas, instalações e vídeos. O próprio título da exposição, Linha de Montagem, «remete para uma das características principais da sua obra: a criação de esculturas e objectos que se situam num território entre o mecânico e o artístico, entre o mundo da engenharia e da arquitectura e o mundo da arte, e entre o natural e o artificial».
Com efeito, várias obras, geralmente centradas em miniaturas de aviões e carros, incorporam um mecanismo técnico que produz movimento qualquer ou som. No fundo, são brinquedos mecânicos ampliados para uma escala de adulto, com a intenção de nos fazer reflectir. E também de nos lembrar como a arte pode ser divertida e lúdica. Por isso, quando forem visitar a exposição, levem crianças. Filhos, sobrinhos, netos, tanto faz, eles vos ensinarão, melhor do que eu, como ver o que lá está.
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