quarta-feira, 18 de março de 2009

Da desaparição

No final de Une femme douce, de Robert Bresson, o marido arrependido pede à mulher morta: «Abre os olhos, só mais uma vez.»
O seu desespero não o deixa perceber que o mais sensato seria fechar ele os olhos para a ver viva de novo.
Infelizmente, não só os mortos nunca regressam como desaparecem um pouco mais a cada dia que passa.
Conheço velhos que se retiram do mundo para começar a desaparecer antes de tempo. Como se quisessem ensaiar a sua desaparição.
Percebo-os muito bem.

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